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Quando foi a última vez que você viu um time reinar no futebol brasileiro como o Corinthians feminino, com sua fascinante série de 48 partidas sendo imbatível? Se você tem menos de 40 anos, a única resposta possível é que é um feito inédito para você. Desde que perdeu para o Santos, em 21 de março de 2019, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro, o Timão se recompôs de uma maneira magistral. De lá para cá, foram 45 vitórias, sendo 34 delas sucessivas, três empates e um invejável aproveitamento de 95,8%. Incríveis 148 bolas na rede e apenas 18 gols tomados. Uma façanha sem precedentes na história da modalidade dentro do Brasil.

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O Corinthians teve sua sequência invicta interrompida no último fim de semana, ao ser derrotado por 2 a 0 por um de seus rivais, o São Paulo, na quarta rodada do Brasileirão feminino. A partida, realizada em Cotia, teve mando das tricolores, que, além de faturarem os três pontos, puseram um ponto final em um acontecimento que está eternizado. Além dos 48 confrontos de invencibilidade, as alvinegras quebraram um recorde mundial com os 34 triunfos seguidos. Ao chegarem na 28ª vitória, elas ultrapassaram o The New Saints, do País de Gales, e se tornaram as recordistas do planeta em número de êxitos consecutivos no futebol, fato que fez o Timão figurar no site do Guinness World Records.

Ao ter feito 3 a 0 no Audax, na terceira rodada do Brasileiro desta temporada, o Corinthians se juntou ao Santa Cruz de 1978 a 1979, ao Bahia de 1982 e ao Grêmio de 1931 a 1933 como a quarta maior série sem derrotas por parte de uma equipe no futebol nacional. Porém, só o clube paulista representa o futebol feminino no ranking das maiores invencibilidades do País.

Neste quase um ano sem relembrar como era o sabor amargo de sofrer um revés, o Corinthians só não conquistou a tríplice coroa porque esbarrou na forte e tradicional Ferroviária de Tatiele Silveira na final do Brasileirão de 2019. E foi uma eliminação sem perder dentro de campo, nos pênaltis após um 1 a 1 no jogo de ida e um 0 a 0 na volta. As taças do Campeonato Paulista e da Copa Libertadores, contudo, foram suficientes para coroar a grande temporada em que fez campanhas irretocáveis nas três competições que disputou, com um calendário confuso e exaustivo.

É injusto citar todas as estatísticas acerca da sequência invencível corintiana e falar sobre os títulos sem citar o técnico Arthur Elias, que soube muito bem aproveitar suas peças e lidar com o alto índice de lesões – que, inclusive, afastou Gabi Nunes por 230 dias dos gramados. O melhor trabalho entre treinadores no futebol dos homens e das mulheres no Brasil no ano passado foi dele, ainda que não tenha, injustamente, sido premiado por isso.

E, claro, impossível deixar de lado o que vem fazendo Cris Gambaré conduzindo a diretoria do futebol feminino do Timão. A manutenção de 96% do elenco de 2019 para esta temporada, a permanência de Arthur Elias, o investimento em infraestrutura, e, mais recentemente, o patrocínio máster do Banco BMG passaram e passam por ela, ainda que ela não bata o martelo em exatamente todas as questões. Uma dirigente completa, como poucos à frente dos clubes no Brasil, e com uma visão diferenciada do que é a modalidade. Ela é a grande responsável pelo salto dado pelo Corinthians desde que retomou seu time de mulheres. Antes conselheira do Timão, ela recebeu de braços abertos a missão de montar uma equipe competitiva e entregou muito mais que isso: hoje, o clube é referência internamente e, inclusive, em toda a América do Sul quando o assunto é gestão no futebol feminino.

Extracampo, o departamento de comunicação exclusivo para o time das Alvinegras conecta a segunda maior torcida do Brasil a elas. Com redes sociais próprias, a equipe feminina do Corinthians é acompanhada por mais de 57 mil pessoas no Twitter. Na conta oficial, o corintiano encontra coberturas dos treinos e dos jogos, publicações sobre o aniversário das jogadoras e interação. E, o mais importante: informações completas sobre as partidas, graças a uma divulgação massiva, um dos principais motivos pelos quais o público vai fielmente ao estádio ver o Timão feminino. Uma parte que tem, também, muitos créditos pelos 48 jogos sem ser batido.

O fim da invencibilidade não acaba com a execução da ideia que tornou o Corinthians feminino em potência no esporte. Pelo contrário. A profissionalização de todas as jogadoras, sem exceção, a partir de 2020 é uma das demonstrações que o projeto segue ambicioso. Perder faz parte do curso. O Timão pode não conseguir repetir esse alto número de partidas sendo invencível, mas o que vem construindo desde 2015 e fortificou neste último ano vai perdurar.

O início do Brasileirão feminino indica que o nível técnico e de disputa do futebol feminino de clubes no País só vem aumentando. Todos ganham com o retorno de craques da seleção brasileira e o interesse em atuar por clubes brasileiros. E o feito do Corinthians, destacado merecidamente pela Fifa mais do que uma vez, é uma nobre contribuição para que a modalidade feita por nós seja lançada na história e transponha fronteiras.

Nacional registra vínculos de três jogadoras e se coloca como exemplo no Uruguai

A semana foi de conquista e esperança para as atletas do futebol no Uruguai, com o futebol feminino tomando os noticiários. Isso porque três jogadoras do Nacional assinaram contratos formais com o clube, pioneiro no processo de profissionalização das jogadoras do país. Protagonistas do passo dado pelo esporte das mulheres na nação vizinha ao Brasil, Antonella Ferradans, Josefina Villanueva e Esperanza Pizarro tiveram seus vínculos registrados na federação uruguaia, a AUF.

Atualmente, a divisão do futebol feminino uruguaio é da seguinte maneira: na elite, há dez times disputando o campeonato. São elas o Nacional, Bella Vista, Colón, Liverpool, Peñarol, Plaza, Progreso, River Plate, SAC Canelones e San Jacinto. Na categoria B, 16 times brigam pelo acesso. São eles: Albion, Atenas, Boston River, Canadian, Cerro, Danubio, Defensor Sporting, Juventud, Keguay, Miramar Misiones, Náutico, Racing, Rampla Jrs., San José F.C., Udelar e Wanderers.

Ainda há um torneio nacional sub-19 e um sub-16. O primeiro possui também 16 participantes: Albion, Atenas, Boston River, Central, Colón, Danubio, Defensor Sporting, Juventud, Liverpool, Nacional, Náutico, Peñarol, Plaza, Progreso, River Plate e Wanderers. O segundo, com dez competidores, tem Albion, Atenas, Boston River, Canadian, Central, Cerro, Colón, Danubio, Juventud, Liverpool, Nacional, Peñarol, Racing, Rampla Jrs., SAC Canelones, San Jacinto e Wanderers.

Pia dá chance merecida para Antônia, e Thaisinha volta à seleção brasileira

Pia Sundhage, técnica da seleção brasileira (Matheus Guerra / MoWA Press)

As lesões de Érika e Geyse obrigaram Pia Sundhage a desconvocar a zagueira do Corinthians e a atacante do Madrid CFF da lista de atletas que embarcarão para o Torneio da França – que, por sinal, terá transmissão do Grupo Globo. Para substituí-las, foram chamadas Antônia, companheira de equipe de Geyse, para lutar por uma vaga na zaga, e Thaisinha, que retornou ao futebol brasileiro após sete temporadas na Coreia do Sul e fechou com o Santos para 2020.

Tanto Antônia quanto Thaisinha são novidades entre as escolhas de Pia. A zagueira ganha a merecida chance pela bola que vem jogando há, pelo menos, duas temporadas. Em 2018, foi uma das jogadoras mais importantes e constantes do Iranduba. Ano passado, brilhou na campanha campeã do São Paulo na Série A2, com atuações que a fizeram ir para a Europa.

Na apresentação das atletas das Sereias da Vila para a temporada, perguntei a Thaisinha se seu retorno ao Brasil poderia servir como uma vitrine para que Pia a notasse. Ela garantiu que não foi pensando em seleção que optou por fazer as malas e voltar para casa, e sim por questões familiares. No entanto, a atacante, que ficou de fora das duas primeiras rodadas do Brasileiro feminino de 2020 por conta de um incômodo na perna durante a pré-temporada, foi presenteada com uma convocação também muito justa. Sua performance na estreia pelo Santos este ano, contra o Cruzeiro, foi uma amostra de como ela pode ser uma jogadora multifunções no time de Pia.