Vidal decidiu em campo e Pizzi atuou fora dele para amenizar a crise do Chile
Eram apenas três vitórias em nove jogos do primeiro turno. A seleção chilena, campeã da Copa América de 2015 e da Copa América Centenário em 2016 nem parecia a mesma. Amargava uma sétima posição que estava muito aquém da suas capacidades técnicas. Por isso, os dois gols de Arturo Vidal foram absolutamente fundamentais na vitória por 2 a 1 sobre o rival Peru. Uma vitória que faz o Chile renascer. O camisa 8 foi o craque em campo, mas há muito mais história.
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A história da vitória chilena contra os peruanos, porém, começa antes do jogo de terça-feira. O técnico argentino Antonio Pizzi, que carrega a dura responsabilidade de substituir o compatriota Jorge Sampaoli, vinha abalado. Ameaçado de demissão, inclusive, pela Federação Chilena (ANFP). O clima de insegurança incomodava Pizzi, que se reuniu com dirigentes na noite anterior ao jogo. E a tendência era a sua saída, antes mesmo da partida.
Se os dirigentes estavam insatisfeitos com o trabalho de Pizzi nas Eliminatórias, o técnico estava mais incomodado ainda com o ambiente, com tudo que estava acontecendo. Segundo o jornal chileno La Tercera, ele estava disposto a entregar o cargo e sair sem cobrar um peso sequer da multa rescisória. Os dirigentes tiveram que acalmá-lo. O garantiram no cargo. Chegou à partida com o Peru com mais segurança que na noite anterior. Garantido. E a atuação do time foi bem melhor.
Marcelo Díaz, um dos líderes do elenco, falou sobre outro problema, na visão dos jogadores: as críticas excessivas da imprensa. Disse que os jogadores se cansariam de defender a seleção se as críticas continuassem em um tom tão pesado. Pizzi também comentou sobre isso, após o jogo.
“Se instalou nos meios mexicanos uma situação que considero muito desfavorável à seleção. Se levantaram para contar mentiras, situações que são muito negativas ao time e ao objetivo de chegar à Copa do Mundo. Não há dúvidas do meu objetivo e do meu trabalho. Eu falei hoje [terça] com o presidente Arturo Salah e ele já sabe que tem o meu cargo à disposição. Então, juntos tentaremos chegar à Copa do Mundo. Meu cargo está à disposição, sem qualquer especulação econômica”, afirmou Pizzi.
O que se viu em campo foi uma atuação melhor, embora o jogo tenha sido muito, muito duro. A vitória não mudou a posição do Chile na tabela, sétimo colocado, mas melhorou a pontuação. Agora, os chilenos possuem 14 pontos. Equador, terceiro colocado, e Colômbia, quarto, têm 17 pontos; Argentina, quinta, tem 16; o Paraguai, sexto, têm 15.
Na próxima rodada, no dia 10 de novembro, o Chile irá visitar a Colômbia. Depois, recebe o Uruguai, segundo colocado nas Eliminatórias neste momento com 20 pontos, um atrás do Brasil, que tem 21. Rodadas duras para os chilenos, que terão que mostrar força.



