América do Sul

VeneSueña

Que a Venezuela não era mais aquela seleção semi-amadora de outrora a maioria já sabia – seja por conhecimento ou por seguir ao pé da letra o mantra de que “não há mais bobo no futebol”. A questão era saber até onde a Vinotinto poderia ir após ficar na chave mais difícil da Copa América, com os favoritos Brasil e Paraguai e o, ao menos equivalente, Equador. E o futebol venezuelano surpreendeu.

Se uma classificação em terceiro lugar era uma possibilidade no início do torneio, dificilmente alguém cravou que os venezuelanos chegariam aos últimos minutos da última rodada desta fase com a liderança do grupo B. Não fosse o gol de Neymar, a Vinotinto comemoraria a liderança da chave. Seria um dia para ir à forra, depois de a equipe, mesmo com grandes chances de classificação, ir para cima do Paraguai no segundo tempo de sua partida, tirar dois gols de diferença e ganhar um merecido empate por 3 a 3. Zebra? Não exatamente.

Já era nítido o desenvolvimento do futebol nacional venezuelano. Na última Copa América, jogada em casa, a equipe também chegou às quartas de final, se classificando com um empate contra a Bolívia, vitória ante o Peru e empate com o Uruguai. Enfrentar os uruguaios no mata-mata, no entanto, foi demais e a equipe foi eliminada. Ainda assim foi o melhor desempenho da seleção na história do torneio continental. Nas eliminatórias para a Copa 2010, a Venezuela terminou na oitava posição, mas a apenas dois pontos do último classificado, o Uruguai. Mais que isso, os venezuelanos fizeram uma campanha com empates ante Brasil, Uruguai e Colômbia.

De lá pra cá a evolução do futebol local e, mais importante, a evolução dos jogadores, acabou colocando a Vinotinto em outro nível. A “exportação” de jogadores tem papel importantíssimo nesse passo. Se em 2007 o time comandado por Richard Páez tinha nove “estrangeiros” em 22 convocados, no atual torneio continental esse número subiu para 13. Desta vez, no entanto, o nível dos times é bastante distinto. Há quatro anos havia jogadores de clubes do Chipre, da Bulgária, da África do Sul, da Noruega e da Colômbia, com as exceções de Giancarlo Maldonado, do Atlante do México, e Juan Arango, do Mallorca. Em 2011 são 14 estrangeiros em 23. Nestes 14, no entanto, não há mais jogadores de ligas emergentes – excetuando Seijas e Perozo, que jogam na Colômbia, e Moreno, que joga nos Estados Unidos – mas sim atletas de clubes como Twente, Newell's Old Boys, Hamburg, Borussia Mönchengladbach, Wolfsburg, Getafe e Malaga.

Mais do que apenas atuarem em ligas mais competitivas, os atletas da Venezuela tiveram ótimos desempenhos em seus times. Salomón Rondón marcou 13 gols na Liga da Espanha, Giancarlo Maldonado fez uma temporada razoável pelo Atlante, do México, assim como Arango no Mönchengladbach e Fédor no Getafe. Segundo o treinador venezuelano Cesar Farias, o objetivo é exatamente este: “Temos a ambição e o objetivo de que nossos jogadores estejam em clubes de grande porte, do nível mais alto da elite”, afirma. Além dos “exportados”, os talentos nacionais também parecem mais prontos para o futebol de fora do território venezuelano, mesmo que a liga nacional ainda não reflita muito esse desenvolvimento.

Cesar Farias, que já havia sido um dos principais responsáveis pelo pelo bom desempenho nas eliminatórias da última Copa, também tem méritos na renovação do elenco Vinotinto para este e os próximos anos. Com experiência no comando da seleção sub-20, Farias abriu a porta da seleção principal para os meninos e conseguiu ampliar o leque de opções para armar seu time. Yohandry Orozco, 20 anos e já vendido ao Wolfsburg, se destacou no Sul-Americano deste ano e ganhou a chance, enquanto Alexander González, de apenas 18 anos, foi uma aposta que vem se tornando um achado.

Não fosse o bastante, Farias ainda tem que levar os louros pela preparação da equipe especificamente para a Copa América. Com tempo e a maioria dos atletas à sua disposição, embarcou com o grupo para os Estados Unidos no dia 11 de junho e por lá ficou até as vésperas da competição continental. Enquanto esteve em terras estadunidenses, a seleção realizou treinos físicos rigorosos e até mudou a dieta dos jogadores, utilizando estruturas e métodos ainda não consolidados no território da Venezuela.

Some-se a estes fatores o sentimento de luta, a elevação diante das dificuldades e o fim do complexo de time mais fraco do continente e temos os venezuelanos sonhando com mais. Provavelmente o Chile eliminará a Vinotinto, mas o sonho não é este. O sonho não é para 2011… É para 2014!

Tuitadas da Copa América

Colômbia x Peru: Contra a melhor defesa do torneio, somente a força de Guerrero deve ser pouco para o Peru. Colômbia deve dominar, mas daí a fazer o gol…

Argentina x Uruguai: Certamente o jogo mais esperado desta fase. Rivalidade e qualidade à flor da pele e certeza de um ótimo jogo. Impossível achar favorito.

Brasil x Paraguai: Diferentemente da fase de grupos, Paraguai deve jogar mais fechado e explorar fraquezas do adversário. Confronto das piores defesas.

Chile x Venezuela: Em que se pese o bom time da Venezuela, chilenos devem vencer. Será um jogo duro, de marcação forte, mas La Roja tem mais alternativas.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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