Valdívia está de volta ao Colo-Colo: As mágicas do camisa 10 em sua primeira passagem

Jorge Valdívia se reencontrará com sua própria história. Nesta segunda, o meia foi anunciado como novo reforço do Colo-Colo. Depois de 11 anos, volta ao clube pelo qual torce e onde viveu um dos melhores momentos da carreira. Ainda faltam os exames médicos (parte importantíssima do procedimento, considerando quem é), mas as duas partes afirmam que o negócio está praticamente fechado. O jogador de 33 anos passou as duas últimas temporadas no Al-Wahda, dos Emirados Árabes. Segundo a imprensa chilena, vem por um salário alto para os padrões locais, bancado principalmente pela Under Armour, fornecedora de material esportivo do Cacique e que também patrocina o veterano.
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Por seu histórico de contusões e por sua idade, Valdívia suscita desconfianças naturais. Ainda assim, os colocolinos têm motivos para se empolgar. Os bons números no Campeonato Emiratense e na Liga dos Campeões da Ásia indicam que o camisa 10 não deve ter problemas para se destacar no Campeonato Chileno, que não anda com o melhor nível competitivo. A qualidade técnica inegável do ‘Mago’ tende a fazê-lo sobrar. Além disso, o veterano nunca escondeu sua vontade de retornar ao clube de coração, motivação mais do que suficiente para o recomeço. E a volta para casa também pode reforçar suas chances de disputar a Copa do Mundo de 2018, caso a classificação aconteça.
Mas, entre as possíveis razões para a animação do Colo-Colo, a principal delas está na memória. Valdívia gastou a bola em sua primeira passagem pelo time principal do Cacique. Formado nas categorias de base do próprio clube, o meia se profissionalizou na Universidad de Concepción, emprestado por conta de problemas disciplinares. Não demorou a se destacar, inclusive na seleção olímpica, e descolou novos empréstimos, passando por Rayo Vallecano e Servette. Sem se firmar na Europa, finalmente ganhou uma chance de vestir a camisa alba. Compensaria a confiança oferecendo grandes atuações .
Valdívia foi integrado pelo Colo-Colo em 2005, aos 21 anos. Tempos promissores ao Cacique, em elenco no qual começavam a despontar nomes como Claudio Bravo, Arturo Vidal e Gonzalo Fierro. Apesar da ótima forma do camisa 10, os colocolinos não tiveram força para disputar o título. A melhor fase veio mesmo em 2006, a partir da chegada do técnico Claudio Borghi e de Humberto Suazo. Ao lado do centroavante e também de Matías Fernández, em franca ascensão, o meia formou um trio infernal. Colecionou passes fenomenais e belos gols. Justificava o seu apelido, com diversas mágicas.
A campanha arrasadora no Apertura de 2006 confirmou o excelente momento do Colo-Colo. A equipe terminou na liderança de seu grupo na fase de classificação, com média de três gols marcados por jogo. Nos mata-matas, chegou a enfiar 9 a 0 sobre a Unión Española no agregado das quartas de final, antes de atropelar a Universidad de Concepción com mais duas vitórias – e duas assistências do Mago virando o rosto, “a la Ronaldinho”. Já na decisão, diante da Universidad de Chile estrelada por Marcelo Salas, o Cacique buscou a virada por 2 a 1 na ida, graças a um gol de Mati Fernández aos 45 do segundo tempo. Já a derrota por 1 a 0 na volta forçou a disputa por pênaltis, na qual brilhou Claudio Bravo. Depois de quatro anos de jejum, os albos erguiam a taça.
Ao final da jornada, Valdívia somou impressionantes 18 assistências em 19 partidas, além de quatro gols. Três dias depois da conquista, seria anunciado como reforço do Palmeiras. De longe, viu seus antigos companheiros emendarem o tetracampeonato nacional, feito único na história do Campeonato Chileno. Agora, traz à tona um pouco dessas lembranças e a esperança de que outros ídolos possam fazer o mesmo caminho de volta ao Estádio Monumental David Arellano.



