América do Sul

Uruguaios em risco

“Sim, faltou malandragem”, disse Joel Santana ao tentar explicar o empate por 3 a 3 do Flamengo com o Olimpia. A resposta – é bom que se diga – foi induzida por um repórter na coletiva de imprensa do treinador. Joel, na verdade, culpoumais a falta de concentração do time do que qualquer coisa. A tal da malandragem cogitada pelo repórter e endossada pelo treinador esconde a tentativa de uma explicação comportamental para um fracasso ocorrido dentro das quatro linhas, fazendo uma leve menção ao estereótipo do “carioca esperto” – se fosse em São Paulo provavelmente falariam que faltou experiência.

Bom, o arremedo de motivo serve como gancho para uma outra situação que se desenha na própria Libertadores: Peñarol, Nacional e Defensor Sporting correm sérios riscos de não conseguirem a classificação para as oitavas. O motivo? Tem sobrado a tal da raça uruguaia e faltado futebol. Depois do que o Peñarol fez na última Libertadores, e do que o Uruguai tem feito de 2010 pra cá, as atenções dos próprios clubes do país ficaram muito ligadas ao tal estereótipo do uruguaio guerreiro, que não desiste de uma dividida, que corre o jogo todo, etc. A questão é que, se o problema do Flamengo não é falta de malandragem, as dificuldades dos três clubes do Uruguai não podem ser suplantadas só com raça. Hoje nem Peñarol, nem Nacional e nem Defensor tem times em condições de disputar a Libertadores em alto nível.

Antes, porém, cabe contextualizar a situação de carboneros, bolsilludos e violetas. O Peñarol é o que tem a vida mais complicada, com um ponto em três jogos e apenas mais uma partida em casa. Com a concorrência de Atlético Nacional, com sete pontos, Universidad de Chile, com quatro, e até do Godoy Cruz, também com quatro, somente um milagre consegue colocar os manyas na próxima fase. O Nacional, que tinha começado a Libertadores já sapecando uma vitória contra o Vasco no Rio, perdeu para o Libertad em casa e para o Alianza Lima fora, e tem agora três pontos em três jogos. O Libertad tem sete e o Vasco quatro. As chances de avanço ainda são razoáveis, mas vão depender muito do desempenho do time contra o Vasco, no Uruguai, na última rodada.

Já o Defensor Sporting tem três pontos em três jogos e faz apenas mais uma partida em casa até o fim da fase de grupos. A disputa pela vaga é contra o Vélez, que tem seis pontos e dois jogos para fazer em casa, o Deportivo Quito, quatro pontos e dois jogos na altitude de Quito, e o Chivas, que também tem quatro pontos e joga contra os argentinos em seu território. Ou seja, com tudo embolado e só um jogo em seus domínios, o Defensor é o que menos tem chances de classificação no grupo 7. Ainda mais se levarmos em conta que o elenco violeta é o mais fraco entre os representantes uruguaios. Apesar da boa apresentação na derrota para o Chivas, ficou claro que somente a organização do 4-4-2 e lampejos dos meias-atacantes Alemán e Nico Rodríguez não são suficientes para vencer os clubes de mais cancha.

Do Peñarol já estamos cansados de falar. O clube perdeu mais de 15 jogadores do ano passado para este e as peças de reposição não foram à altura. Se nos carboneros de 2011 era possível destacar – além da garra – a habilidade de Luis Aguiar, Mathías Corujo e Martinuccio, a presença de área de Juan Manuel Olivera e a segurança da zaga e do goleiro Sebastián Sosa, em 2012 só cabem destaques a Freitas e Estoyanoff. Da mesma maneira, o Peñarol 2011 tinha mais opções de jogo do que a atual bola longa para Zalayeta fazer o pivô.

O Nacional, por sua vez, é o time com mais alternativas entre os uruguaios, mas isso não significa tanto assim. Por jogar normalmente com um trio de volantes, um meia e dois atacantes, o estilo de jogo do bolso é mais fluido e de toque de bola, o que permite um controle maior sobre as partidas. A questão é que o time de Marcelo Gallardo é muito jovem e, por conseguinte, tem pouca noção de como encarar os jogos mais complicados – vide a virada tomada contra o Libertad.

Com exceção de Recoba – que normalmente vem do banco – a responsabilidade de decidir os jogos do Nacional está nas costas do meia Cabrera, de 25 anos, dos atacantes Tabaré Viúdez e Joaquin Boghossian, 22 e 24 anos respectivamente, e do zagueiro Alexís Rolín, de 23 anos. Também vale dizer que, se Gallardo começou bem sua carreira de treinador, ainda está cru na função e precisa de mais tempo para ser um técnico à altura da disputa de um título de Libertadores ou coisa parecida.

Em face a falta de elencos melhores e até de proposta de jogo mais elaborada, os três times procuram sobrepujar as dificuldades apostando na tal raça durante seus jogos. O Nacional perdeu do Alianza jogando com dois jogadores a menos e com carrinhos para todo o lado. O Peñarol enfrentou a Universidad de Chile com a cara e a coragem, mandando bola pra área e tentando algo no rebote, mas saiu com um empate em casa. O Defensor tentou impedir o Vélez de jogar e tomou um 3 a 0 em casa. No México saiu atrás e passou 45 minutos na pressão, mas não conseguiu empatar. Ou seja… Disposição e comprometimento não faltam. Também não é o caso de cobrar medalhões ou coisa do tipo. O problema é se conformar que a raça seja  a grande arma do clube para ser bem sucedido. Dificilmente ela por si só vai resolver algo. Assim como a tal da “malandragi”…

Tuitadas da Libertadores

Grupo 1: O The Strongest não viu a cor da bola contra o Inter. Se a classificação dependia de um bom saldo de gols, bolivianos devem se preocupar. Já o Juan Aurich começou bem contra o Santos, mas sucumbiu diante da diferença de qualidade entre os dois times.

Grupo 2: Bobeada monstro do Flamengo, “copada” gigante do Olimpia. O 3 a 3 deixa o grupo totalmente embolado. Fla tem 5 pts, Olimpia e Lanús 4 e Emelec 3. O Emelec, por sua vez, precisa parar de ter um jogador expulso por jogo.

Grupo 3: Sem jogos nesta semana

Grupo 4: Sem convencer demais, mas mantendo boa regularidade, o Fluminense vira a primeira metade da fase com 100% de aproveitamento. Mesmo com a derrota, Zamora não dá vexame. Já o Boca encontrou sua primeira vitória e briga pela segunda vaga no grupo.

Grupo 5: Tal qual o Flamengo o Vasco foi vítima de um “relaxamento” contra o Libertad e empatou. O árbitro também ajudou os paraguaios, que se mantém na ponta. Com um a menos, Nacional sucumbiu perante o Alianza e a derrota pode cobrar seu preço lá na frente.

Grupo 6: O Nacional do Paraguai virou para cima do Táchira e conseguiu seus primeiros pontos na Libertadores. Ambos, porém, são figurantes de Cruz Azul e Corinthians, que fizeram jogo razoável e ficaram no 0 a 0.

Grupo 7: O Chivas achou um gol no começo do jogo e o Defensor Sporting correu atrás pelo restante do tempo. Os uruguaios até que foram bem, mas não conseguiram o empate e se colocam em situação difícil no grupo, já que o Deportivo Quito conseguiu um empate no México.

Grupo 8: Sem jogos nesta semana

Mais uruguaias

No Clausura uruguaio o Liverpool lidera com quatro vitórias em quatro jogos; a mais recente delas conquistada sobre o Bella Vista, por 2 a 1. A classificação, no entanto, é “virtual”, uma vez que o Peñarol não jogou contra o Defensor e e segue na segunda posição, com nove pontos em três jogos. O próprio Defensor é o terceiro, seguido pelo Cerro Largo, que ganhou do Fénix por 2 a 0, e do Nacional, que perdeu do River Plate por 1 a 0.

Peruanas

– No Peru a Universidad San Martín de Porres tem praticamente confirmado seu regresso às atividades e ao campeonato peruano. A Federação e os clubes já aceitaram o retorno da equipe, que havia decidido se retirar do torneio nacional por causa da desorganização do futebol local e da consequente greve dos jogadores. Ainda faltam detalhes para a volta, entre eles a determinação sobre se a equipe perderá os nove pontos já disputados ou se os jogos que não foram feitos até agora serão reagendados.

– A mudança de posicionamento da USMP acontece em meio a promessas e medidas que devem garantir um maior controle sobre as finanças dos clubes, evitando atrasos tão grandes no pagamento de salários e, consequentemente, reduzindo o risco de uma nova greve dos jogadores. O clube, no entanto, terá também que lidar com a insatisfação de seus atletas e até com a saída de alguns deles, já que muitos encerraram seus contratos e outros estão bastante “bravos” com a atitude unilateral da agremiação de encerrar completamente suas atividades.

– Enquanto isso o Descentralizado 2011 já tem três rodadas completas. O Sporting Cristal empatou em 1 a 1 com o Universitario, mas manteve a liderança, agora com sete pontos. A ponta da tabela é dividida com o Real Garcilaso, que ficou no 2 a 2 com o Inti Gas, e com o León de Huánuco, que bateu o Cienciano fora de casa por 3 a 2.

– O Alianza Lima não jogou na rodada e é o 12º colocado. O Juan Aurich perdeu do Cobresol por 2 a 1 e é o oitavo. 

Chilenas

– Após a sétima rodada do Apertura chileno as coisas começaram a voltar ao “esperado”. O O'Higgins, que liderava, perdeu da Universidad Católica em casa por 2 a 1 e deu a ponta da tabela para a Universidad de Chile que, tal como em seus melhores momentos do ano passado, fez 6 a 0 no Audax Italiano. Assim a tabela tem La U na dianteira com 16 pontos em sete jogos, seguida pela Católica, com 14, e pelo O'Higgins, com 13.

– Deportes Iquique, Cobreloa, Huachipato, Unión Española e Santiago Wanderers completam os oito que hoje estariam classificados para o mata-mata.

– Notou alguma ausência? Sim, o Colo-Colo segue em péssima fase. O Cacique perdeu do Deportes La Serena em casa por 2 a 0 e é o 11º, com nove pontos. A derrota trouxe boatos sobre uma possível demissão de Ivo Basay, mas, por ora, o técnico – que disse que seu time tinha “momentos de Real Madrid” – continua no cargo.

Paraguaias

– O colunista parece ter secado o Cerro Porteño. Depois de falar do bom momento do Ciclón, a equipe azul-grená perdeu do Nacional por 2 a 0 e cedeu a ponta da tabela para o Olimpia, que fez 1 a 0 no Libertad em pleno estádio Nicolás Leoz. Após os confrontos dos “quatro grandes”, a tabela tem o Olimpia na liderança com 14 pontos em seis jogos, seguido por Sol de América, Nacional e Cerro Porteño, todos com 12 pontos. O Libertad é o quinto, com 11 unidades conquistadas.

– Apesar da vitória o presidente do Olimpia, Marcelo Recanate, voltou a desfilar seus impropérios e declarações polêmicas. Depois da partida contra o Libertad, Recanate disse que o árbitro do jogo havia sido comprado. A declaração provocou reação dos juízes, que disseram que não apitarão mais jogos do Decano até que o dirigente seja sancionado. A polêmica ainda está rolando…

Equatorianas

– No Equador a LDU empatou em 1 a 1 com o Técnico Universitário fora de casa, mas ainda assim manteve a liderança, agora com 11 pontos em seis jogos. A Liga Deportiva Universitária é seguida pelo Independiente José Terán, que tem dez pontos após derrotar o Macará por 1 a 0. Liga de Loja e El Nacional, com oito pontos, completam os quatro primeiros.

– Por causa da Libertadores, o clássico de Guaiaquil entre Emelec e Barcelona foi adiado. As equipes ocupam a sexta e sétima colocações respectivamente.

– Quem aparece agora na oitava posição é o Deportivo Quito, que fez 4 a 1 no Deportivo Cuenca fora de casa, conquistando assim sua primeira vitória no torneio.

Colombianas

– Na Colômbia, analistas, torcedores e rivais tentam entender o que acontece com o Atlético Nacional. A sensação da Libertadores perdeu do Independiente Medellín, que não havia vencido um único jogo, por 2 a 1. Com o resultado o Atlético é o sétimo colocado, com nove pontos em sete jogos. A equipe ainda foi eliminada da Copa da Colômbia, mas com os reservas, que perderam do Rio Negro por 2 a 0.

– Sem nada a ver com a história o Atlético Huila venceu o Pasto por 1 a 0 e chegou aos 16 pontos. A liderança é dividida com o Tolima, que fez 3 a 1 no Real Cartagena. Envigado, La Equidad, Itagüí, Patriotas, Nacional e Boyacá Chicó completam os oito que hoje estariam classificados às quartas de final.

Venezuelanas

– No Clausura da Venezuela o líder é o mesmo que terminou 2011 na dianteira e começou 2012 ali: o Deportivo Lara. A última vítima foi o El Vigía, derrotado por 2 a 0. Com isso o Lara chegou aos 20 pontos em oito jogos. Na temporada são 18 vitórias, sete empates e nenhuma derrota pelos campeonatos nacionais.

– Em segundo lugar aparece o Caracas, com 17 pontos após vitória contra o Estudiantes por 2 a 1. Lara e Caracas tem oito jogos. O terceiro colocado é o Mineros, que tem nove partidas disputadas e que nesta semana venceu o Carabobo por 2 a 0 e empatou com o Estudiantes por 1 a 1. A equipe tem agora 16 pontos. A quarta posição é do Zamora, que foi derrotado pelo Aragua por 2 a 1 e que tem 15 pontos em nove jogos.

Bolivianas

– No Clausura da Bolívia, Blooming e San Jose brigam jogo a jogo pela ponta. Depois de nove das 22 rodadas disputadas, o Blooming lidera com 19 pontos. A equipe venceu o Universitario de Sucre por 1 a 0 no final de semana. O San Jose tem 17 pontos. A rodada ainda teve o empate por 1 a 1 entre o The Strongest, antepenúltimo, e o Bolívar, o sétimo colocado.

– A derrota do The Strongest por 5 a 0 diante do Inter e o mau momento no campeonato praticamente selaram o futuro do técnico Mauricio Soria. Mesmo com a equipe em condições de classificação à segunda fase da Libertadores, os dirigentes querem sua saída; alegam que os jogadores não mostraram vontade contra os brasileiros. Porém, os mandatários não querem demitir o treinador devido à multa. Soria ainda não confirmou a saída, mas também não voltou junto com a equipe do jogo no Brasil. A conferir…

– E a polêmica em relação às finais do Apertura 2011 voltou a dar as caras nesta semana. A Federação Boliviana decidiu dar ao Aurora a vaga para a Sul-Americana 2012. O lugar era do San José, vice-campeão do torneio. A questão é que a equipe havia chegado à final depois de ganhar do Aurora com cinco estrangeiros em campo, um a mais do que o máximo permitido. O Aurora ganhou os pontos daquela partida, mas não ganhou saldo, permitindo o avanço do San José.

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Equipe Trivela

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