América do Sul

Uruguai tem Suárez, Cavani, raça e…o que mais, mesmo?

Não chegou a ser por pouco, mas houve um momento no qual a presença da seleção uruguaia na Copa do Mundo de 2014 esteve ameaçada, mesmo em uma Eliminatória que não teve a participação do Brasil. No momento certo, pesou a camisa do time bicampeão mundial, a raça dos jogadores comandados por Óscar Tabárez e a qualidade da dupla de ataque, com Luis Suárez e Edinson Cavani. Ainda bem, porque o Uruguai não pode contar com muito mais do que isso.

Não entenda errado. Os resultados do time desde a última Copa do Mundo – quarto lugar na África do Sul e o título da Copa América – são espetaculares. São louváveis a raça e o coração com as quais a seleção conseguiu compensar o restante de jogadores médios e bons, e alguns fracos mesmos. A falta de renovação, porém, preocupa, principalmente porque pelo menos dois jogadores fundamentais estão mostrando sinais claros de decadência.

Diego Lugano só sai da seleção uruguaia amarrado e sob decreto do presidente. É um ídolo e símbolo dessa raça da qual estávamos falando. Em campo, porém, está mais lento que um fusca. Foi facilmente batido na Copa das Confederações e não consegue ser titular no West Bromwich, 10° colocado do Campeonato Inglês. Também foi reserva de Martín Demichelis, no Málaga, e isso encerra a argumentação. Martín Cáceres, da Juventus, e Diego Godín, do Atlético de Madrid, são bons jogadores, mas nada espetaculares, ainda mais se precisarem limpar a barra do capitão. A esperança para a defesa celeste era Sebastián Coates – aquele que o São Paulo queria -, mas o jovem zagueiro mal conseguiu jogar no Liverpool e sofreu uma lesão séria no começo da temporada que deve deixá-lo afastado até as vésperas da Copa do Mundo.

O meio-campo tem problemas de criação. Tanto que na África do Sul, Diego Forlán foi recuado para fazer essa função, mas o melhor jogador daquele Mundial também passa por uma fase ruim. Jogou apenas 14 vezes, 11 como titular, pelo Internacional no Campeonato Brasileiro e, quatro anos mais velho, dificilmente terá o físico necessário para repetir aquelas atuações. Gastón Ramírez, 22 anos, é a opção para o futuro. O jogador, porém, ainda parece cru. Não foi titular nenhuma vez no Southampton, que faz campanha fenomenal na Premier League, e também entrou no decorrer do primeiro jogo da repescagem contra a Jordânia. Caberá a Walter Gargano, Nicolás Lodeiro e Cristian Rodríguez a responsabilidade de levar a bola da defesa até a dupla de ataque caso esse panorama não mude nos próximos sete meses. É melhor Suárez e Cavani esperarem sentados.

O próprio ataque é escasso de alternativas. Se – bata na madeira, amigo torcedor uruguaio – um dos craques se machucar, a alternativa natural é Abel Hernández, outro jovem que ainda não se firmou. Brilhou pelo Palermo algumas vezes, despertou o interesse de clubes maiores, mas continua tomando sol nas praias da Sicília. É verdade. Fez quatro gols na Copa das Confederações. Todos no Taiti.

Calma, não precisa se desesperar. Ainda há tempo para a Copa do Mundo e essas promessas podem vingar até lá. Lugano e Forlán podem reunir forças e dar aquele último suspiro antes do fim das suas carreiras. Suárez e Cavani vivem os seus auges e sempre há a chance de um novo Álvaro Recoba surgir do nada. Apesar dos pontos fracos, não há elenco entre os 32 times que vão vir para o Brasil com mais coração que o do Uruguai. Nem com uma história tão viva no país como o Maracanazo. E isso conta muito.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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