América do Sul

Universidad de Chile: de volta para os princípios

A cronologia recente da Universidad de Chile é bastante conhecida, mas merece lembrança para que se coloque em perspectiva o que significa a classificação para a fase de grupos da Libertadores 2014, após vitória por 3 a 2 contra o Guaraní no Paraguai.

Depois de chegar ao seu auge no cenário internacional com a conquista da Copa Sul-Americana de 2011 o grupo liderado por Jorge Sampaoli passou pelo primeiro desmanche. Daquele time vencedor foram embora Vargas, Canales e Marcos González. As reposições não foram à altura, mas o treinador rosarino conseguiu remontar La U e chegar às semifinais da Libertadores de 2012. Após o torneio, no entanto, novo desmanche com a saída de Marcelo Diaz e Junior Fernandes. Sampaoli bem que tentou remontar de novo o time, mas não conseguiu e o convite da seleção chilena de futebol foi o caminho natural.

Sem o grande responsável pela subida de nível da equipe, a diretoria da Universidad de Chile tinha duas opções de caminhos a seguir: ou usava os lucros da venda de seus principais atletas para reforçar o elenco, ou apostava as fichas em um técnico de perfil semelhante para, com jovens jogadores, retornar aos bons desempenhos. A trilha escolhida foi a segunda, com a contratação de Darío Franco, treinador que foi jogador de Marcelo Bielsa – e portanto afeito à filosofia que era empregada por Sampaoli -, mas que só tinha no currículo um desempenho razoável com o Instituto de Córdoba na segunda divisão argentina.

Franco chegou, mas sem jogadores à altura do desafio naufragou na Libertadores 2013, sendo eliminado na primeira fase, e no campeonato chileno. Acusavam-no de não ter a experiência necessária para dirigir um dos principais times do país, razão pela qual a diretoria da Universidad de Chile rompeu com  a ideia de manter o estilo de seus técnicos e contratou Marco Antonio Figueroa, com passagens pela rival Católica e times mexicanos, mas sem títulos de vulto no currículo e sem uma ideologia de jogo tão definida. Não deu certo.

Em meio às dificuldades futebolísticas e polêmicas com seus atletas, “El Fantasma” Figueroa não conseguiu grandes feitos, fazendo apenas o necessário para garantir uma vaga de La U na “Pré-Libertadores”. A troca dele por Cristian Romero em janeiro, às vésperas do início do torneio continental, evidenciou o descontentamento dos diretores e uma mudança de postura.

A gota d’água para a saída de Figueroa foi a crítica ao zagueiro recém-chegado Matías Caruzzo. Na época o treinador disse que jovens como Echeverría estariam mais prontos do que o atleta de 29 anos, ex-Boca Juniors. Mais do que a crítica fora de hora, o ataque do técnico foi de encontro à nova filosofia que parece ganhar os corredores do clube; a de que é necessário ter jogadores de qualidade e experiência e não apenas jovens apostas.

Nesta temporada, além de Caruzzo, chegaram o atacante Rodrigo Mora, 26 anos e com passagens por Benfica e River Plate, e Francisco Castro, que retorna de empréstimo. Ao mesmo tempo, a saída de Figueroa permitiu que o clube efetivasse Cristian Romero, ex-auxiliar de Jorge Sampaoli.

Nos dois primeiros jogos do torneio continental, La U foi muito mais parecida com aquela multi-campeã do que em 2013. É bem verdade que a defesa dá arrepios, mas Romero voltou ao esquema 3-3-1-3/3-4-3 que deu muito certo com Sampaoli. A equipe não tem mais Aránguiz e Diaz, mas a dupla de meio com Ramon Fernandéz e Juan Rojas promete. O time que venceu o Guaraní por 3 a 2 no Paraguai teve Marín (Herrera está suspenso); Osvaldo González, Caruzzo e Rojas; Francisco Castro, Martínez, Juan Rojas e Cereceda; Ramon Fernández; Rubio e Mora.

Conseguir a vaga nos grupos da Libertadores é o mínimo para um time do tamanho da Universidad de Chile. O fato, no entanto, é que o time não estava sequer conseguindo o mínimo. A mudança de postura da diretoria e a retomada do que já deu certo são bons prognósticos.

Mais chilenas

No campeonato nacional o Colo-Colo lidera com 13 pontos em cinco jogos. O atual campeão O’Higgins é o segundo, com 11, seguido por Palestino, Universidad Católica e Universidad de Chile.

Uruguaias

No Uruguai a primeira rodada teve vitória do Nacional, do Peñarol e empate do Danubio.

Equatorianas

No Equador o Olmedo lidera o campeonato com 7 pontos em 3 jogos. A Universidad Católica tem a mesma pontuação e é a segunda, enquanto o Emelec é o terceiro, a Liga de Quito é a sexta e o Barceona o sétimo.

Colombianas

Na Colômbia o Atlético Nacional tem 9 pontos e lidera. A equipe do Santa Fe é a segunda, seguida por Envigado, Boyacá Chicó e Once Caldas

Bolivianas

Na Bolívia já temos 3 rodadas do Clausura e The Strongest lidera com 9 pontos contra 7 do Real Potosí e do Universitario. Já o Bolívar é o quinto, com 6 pontos.

Venezuelanas

Na Venezuela são cinco rodadas com liderança do time do Zamora, com 12 pontos. O Deportivo Táchira é o segundo, com 10, o Tucanes o terceiro com 9. O Caracas é o décimo colocado

Paraguaias

No Paraguai o campeonato começa só no dia 16

Peruanas

O peruano sequer tem data pra começar

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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