América do Sul

Uma multidão abarrotou as ruas para oferecer uma majestosa recepção a Luis Suárez no Nacional

Desde o aeroporto até o Gran Parque Central, a torcida do Nacional demonstrou seu carinho por Suárez e levou o ídolo às lágrimas

O lado tricolor de Montevidéu desfrutou de um domingo inesquecível. Os torcedores do Nacional viveram um dia de comunhão, em que celebravam o amor pelo clube incorporado em um ídolo. Luis Suárez não disputou tantas partidas em sua primeira passagem pelo Bolso, mas se eternizou como um querido prata da casa que virou herói de todo o país. Este seria o dia de reabrir os portões do Gran Parque Central para receber o craque de volta, rumo a uma promissora estadia durante os próximos três meses. E se o Pistoleiro sublinhou sua relação apaixonada com o Nacional para voltar, o restante da torcida correspondeu com muito carinho na apresentação de seu componente mais ilustre, que agora vestirá a camisa 9.

Luis Suárez desembarcou em Montevidéu neste domingo, num jatinho emprestado pelo amigo Lionel Messi. Saiu diretamente para o Gran Parque Central, onde tinha um compromisso com a torcida tricolor. O centroavante atravessou Montevidéu numa van e, ao longo das ruas, encontrou-se com uma multidão que se reunia desde o aeroporto. O inverno gelado não era impeditivo para que a recepção, que acontecia a quilômetros do estádio. Milhares de pessoas saíram para ver o ídolo de relance, para gritar seu nome, para acenar. Até um avião cruzou o céus carregando uma faixa com o nome de Luisito. Era esse o tamanho da comoção provocada.

Mesmo sabendo da paixão do povo uruguaio pelo futebol e da massa tricolor pelo Nacional, Suárez certamente se emocionou dentro do veículo. Não seria diferente com sua esposa e seus três filhos, também presentes. Esse sentimento à flor da pele é que rege o retorno a Montevidéu, aos 35 anos, para se preparar àquela que deve ser a última Copa do Mundo de sua carreira. Desde que foi aventada a possibilidade de volta ao Bolso, sugerida pelo próprio Luisito, a torcida embarcou na aventura. Passou a bradar pelo atacante e até vestiu sua máscara aos milhares nas arquibancadas. Depois da confirmação do acerto, o domingo guardou o primeiro ato de tal reencontro.

(DANTE FERNANDEZ/AFP via Getty Images/One Football)

Logo depois do desembarque, Suárez afirmou: “Não tem preço que meus filhos possam ver isso. A felicidade deles não tem nome. Lautaro é muito pequeno, mas já chegou e pediu a camiseta do Nacional. Delfina e Benjamín seguraram a vontade de chorar de emoção quando souberam que vínhamos ao Uruguai e foram contar aos amigos. Para mim, foi muito importante a família, e que eles sejam os primeiros a me respaldar é importante. Foram dias muito intensos. Fiz um comentário sem pensar e tudo se armou. Eu priorizava jogar na Europa, nunca a parte econômica. Mas talvez precisasse de carinho e o Nacional me deu muito carinho nas últimas semanas. O lindo é voltar ao país, tanto pelos torcedores do Nacional quanto de todas as equipes. Sendo jogador da seleção é algo agradável. Tenho que desfrutar isso”.

À medida que o Gran Parque Central se aproximava, mais gente abarrotava as ruas. E os arredores do estádio estavam apinhados. Os fãs traziam sinalizadores, bandeiras, camisetas, bonés, faixas e todo tipo de miudeza para homenagear Suárez. Todo mundo ansioso pela chegada do ídolo. Já dentro do estádio, acontecia uma verdadeira festa. Trapos e papel picado lembravam dias de jogo, dias de final. Estavam todos ali para exaltar a grandeza do Nacional e do craque que, ao voltar para casa, compartilha esse sentimento. Já são mais de 5 mil camisas vendidas com o nome do artilheiro.

A entrada de Suárez em campo foi recepcionada pelo goleiro Sergio Rochet, capitão do Nacional e seu companheiro de seleção, que colocou a braçadeira à disposição. Já o centroavante Emmanuel Gigliotti entregou a camisa 9. A assinatura do contrato aconteceu logo ali. O telão exibiu mensagens especiais da família, que fizeram o veterano chorar, assim como do amigo Messi. Um palco estava armado para shows. Mas o verdadeiro espetáculo saía das arquibancadas, do fundo da alma, onde a torcida tricolor cantava o nome de Luisito e expressava a alegria por tê-lo presente. A história grandiosa começa agora.

(PABLO PORCIUNCULA/AFP via Getty Images/One Football)

“Estou aqui pelos torcedores e por tudo o que fizeram. Quero estar aqui, pelo carinho que me deram. Porque mais feliz do que aqui não poderei estar. Porque tenho três maravilhosos filhos, que tinham o sonho de me ver jogando no Nacional. E o que quero a partir de agora é devolver a vocês tudo o que fizeram pela minha família. Devolver em campo, junto com meus companheiros, porque sem eles nada será possível”, declarou Suárez, nos alto-falantes do Gran Parque Central. Também revelou que foi uma conversa com o ídolo Álvaro Recoba, em março, que reavivou seu desejo de voltar. E lá estava ele para sentir o que era esse novo passo.

Suárez ainda escancarou sua mentalidade vencedora, ao ambicionar todos os títulos possíveis do semestre: “Vim aqui porque quero ganhar, e ganhar significa lutar por todos os torneios. Estamos num clube grande. Estou convencido de que, se fizermos as coisas bem, podemos ganhar o Clausura, a Copa Uruguai, o Campeonato Uruguaio e a Copa Sul-Americana. Agora o que temos que fazer é focarmos no que devemos, jogar futebol, nos divertir e preparar para o que vem – que é o Nacional ganhar”.

A expectativa é de que Suárez se junte ao elenco na próxima terça-feira e que já esteja à disposição do técnico Pablo Repetto para o duelo contra o Atlético Goianiense, no mesmo dia. O atacante vinha mantendo a forma mesmo sem clube e, considerando seu talento, não deve ser prescindido num jogo decisivo. E a vontade do Pistoleiro deve gerar seus ecos desde cedo nos vestiários tricolores. Seu comprometimento e a paixão que inspira já fazem todo esse movimento valer a pena.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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