América do Sul

Uma lástima…

Era uma crise que já se desenvolvia há muito tempo. Mesmo assim, poucos imaginavam que ela tomaria tamanha proporção. Em pouco mais de três dias o futebol peruano se tornou um caos. Um embaraço para qualquer entusiasta do futebol. Os atletas se recusaram a entrar em campo. Os clubes fizeram pouco caso. Os torcedores tiveram que ver juvenis e juniores com a camisa do time principal. A Universidad San Martín fechou as portas… E ninguém sabe o que acontecerá com o campeonato nacional.

Do princípio: há tempos os clubes peruanos devem salários a seus jogadores. Como não há sanções previstas no regulamento e como muitos jogadores não tem grandes opções para trocar de time – a maioria enfrenta o mesmo problema – atrasos de pagamento superiores a 90 dias são comuns. Para se ter uma ideia, o Alianza Lima, segundo maior campeão nacional, está inadimplente com seus atletas e esteve assim durante toda a reta final do Descentralizado 2011, conquistado pelo Juan Aurich. O ano de 2012, porém, prometia mudanças.

Cobrada pela Federação Peruana, a Asociación Deportiva de Fútbol Professional (ADFP), entidade composta por presidentes das agremiações e que organiza o campeonato peruano, decidiu que todos os times deveriam apresentar garantias de pagamento das dívidas para participar do Descentralizado 2012. A decisão vinha em boa hora. De acordo com o sindicato dos atletas, dez dos 16 clubes estavam com salários atrasados no início de fevereiro.

Duas semanas depois, às vésperas do início do Descentralizado 2012, aquela boa iniciativa de outrora se tornou o prenúncio do caos. Sem a quitação de todos os débitos, a associação dos clubes informou que a Federação Peruana havia aceitado as diretrizes do torneio propostas pela entidade. Entre elas estava sim a obrigação de pagar os salários atrasados, mas em um prazo de 24 meses. Ou seja, os clubes teriam dois anos para estar em dia com seus jogadores. Os atletas, como esperado, se manifestaram contra o campeonato. Queriam que fosse dado um prazo máximo de 12 meses para o pagamento. A FPF, por sua vez, disse que não se meteria mais no tema, pois seu presidente, Manuel Burga, estava em Zurique, na Suíça.

Na sexta-feira, antes do início oficial do campeonato, a crise eclodiu. Os atletas decidiram entrar em greve e a adesão foi plena. A maioria dos jogadores dos 16 clubes que disputam a primeira divisão peruana – mesmo os que estavam recebendo em dia – cruzaram os braços, levando muitas agremiações a usarem juvenis e juniores em seus jogos. A partida entre Melgár e Universidad San Martín foi a única que não aconteceu. O Mélgar venceu por W.O depois de a direção do San Martín se negar a usar os reservas. No dia seguinte o clube anunciou que encerraria suas atividades no futebol por causa da decisão de seus atletas. Vale dizer: a direção do San Martín pagava seus jogadores em dia. A Universidad César Vallejo e o Unión Comércio ameaçaram fazer o mesmo, mas ainda não se sabe se continuarão com as portas abertas ou se vão demitir seus jogadores por justa causa, como disseram que fariam.

Os atletas mantém seu posicionamento e conseguiram um parecer favorável da Federação Peruana. Os clubes, porém, dizem estar respaldados pelo regulamento do campeonato e contam com o apoio do Ministério do Trabalho do país, que considerou a greve ilegal. Em meio a todo o fuzuê, o presidente da Federação Peruana de Futebol ainda não voltou de Zurique. Especula-se que ele esteja tentando uma autorização da Fifa para poder rebaixar automaticamente clubes que não honram seus débitos. Os mais críticos, no entanto, dizem que ele não quer mesmo é dar as caras neste momento ímpar de crise no futebol do país.

Em suma… A situação agora é completamente caótica e indecifrável. Os atletas mantêm a paralisação. Os dirigentes ameaçam demissão por justa causa e a Federação Peruana segue com seu jogo de duas caras. De concreto mesmo apenas o fim do Universidad San Martín. Fundado em 2004, o time havia conseguido três títulos nacionais e era um dos mais organizados do futebol peruano.

Se há algo de bom a se tirar de todo esse imbróglio é a constatação de que mudanças precisam – e devem – acontecer. Por muito tempo todos os envolvidos ignoraram a situação dos pagamentos atrasados e foram se fiando em falsas promessas, ilusões e conformismo. Por causa disso os jogadores tiveram que tomar medidas extremas e agora correm risco de ficar sem emprego. Por causa disso um campeonato que vinha em ascensão e poderia se aproveitar do bom momento econômico do país é uma incógnita. Por causa disso o futebol peruano é hoje motivo de vergonha apenas.

Tuitadas da Libertadores

Grupo 1: Dois jogos e duas vitórias e o The Strongest vai fazendo bonito. Se ganhar do Inter em La Paz complica a vida de um grupo que seria fácil para os brasileiros

Grupo 2: Valendo-se da bola parada o Olimpia fez 2 a 1 no Lanús e se recuperou da derrota fora contra o Emelec. O time, porém, precisa melhorar muito

Grupo 3: Foi um jogo de um tempo para cada lado, mas no final a maior qualidade da U.Española deu o tom no 3 a 1 diante do Bolívar, em La Paz. La Academia pode ter perdido a vaga neste jogo. Na outra partida a Católica decepcionou de novo. 2 a 2 com o Junior em casa.

Grupo 4: O Arsenal precisou de apenas um tempo para liquidar o Zamora. Os venezuelanos pouco puderam fazer contra um time bem melhor tecnicamente. No segundo tempo melhoraram, mas não fizeram muito.

Grupo 6: O Cruz Azul mostrou que o Táchira, de fato, é bastante fraco e que se superou contra o Corinthians. Quatro a zero inapelável e classificação bem encaminhada.

Grupo 7: O Chivas até fez um bom primeiro tempo, mas na segunda etapa o Vélez jogou melhor, foi pra cima e conseguiu a vitória. Três a zero e uma quase-classificação

Grupo 8: O Atlético Nacional mostrou de novo seu poderio e fez 4 a 0 no Peñarol no Centenário. Grande atuação de Macnelly Torres. No outro jogo a U.de Chile acordou. Com Jr. Fernandes de camisa 9 fez 5 a 1 no Godoy Cruz.

Uruguaias

– No Clausura uruguaio o pontapé inicial foi dado no fim de semana com sete jogos. Somente Peñarol e Bella Vista folgaram, por conta do jogo dos carboneros pela Libertadores. Nesta primeira rodada quem pulou na frente foi o Cerro, que fez 4 a 1 no Cerrito. O El Tanque Sisley fez 2 a 0 no Fénix, enquanto o Defensor bateu o Rampla Juniors por 2 a 0.

– O jogo mais emocionante, porém, foi o do Nacional contra o River Plate. O Bolso abriu dois a zero no placar, com Medina e Viudez. O River diminuiu com Pablo Olivera e buscou o empate todo o tempo. Aos 44 da segunda etapa Cabrera fez o 3 a 1. E aos 49 Franco diminuiu. Final: 3 a 2 para o Nacional.

– A derrota por 4 a 0 para o Atlético Nacional ainda repercute no Peñarol. Há fortes indícios de que Gregorio Pérez não vai ficar no cargo. O preferido da diretoria carbonera seria o treinador Jorge “Polilla” da Silva, que está no Banfield, da Argentina.

– O técnico da seleção uruguaia, Óscar Tabárez, divulgou nesta quarta-feira a lista dos convocados para um amistoso contra a Romênia no próximo dia 29. De novidades em relação à Copa América, apenas a convocação do atacante Sebastian Fernández, do Málaga.

Chilenas

– Pela quarta rodada do Apertura do Chile o Santiago Wanderers fez 4 a 2 no Audax Italiano e assumiu a liderança isolada do campeonato, com nove pontos em quatro jogos. Em segundo aparece o Colo-Colo, que venceu a Unión La Calera por 3 a 1 em casa e que agora tem oito pontos em quatro jogos. Na sequência aparecem Universidad de Chile – com sete pontos, mas em três jogos, após vitória por 3 a 1 ante o Palestino – e Cobreloa, também com sete pontos em três jogos, depois de vencer o Huachipato por 4 a 2.

– A Universidad Católica bateu o Deportivo Antofagasta por 1 a 0 e agora é a sexta colocada, com sete pontos em quatro jogos.

– O técnico da seleção chilena, Claudio Borghi, convocou 21 jogadores para o confronto contra Gana, marcado também para o dia 29 de fevereiro. A novidade da lista é o atacante Junior Fernandes, da Universidad de Chile.

– Vale dizer que na semana passada um combinado sub-25 com jogadores que militam no futebol nacional perdeu por 2 a 0 para o Paraguai, que também alinhou jogadores “nacionais” apenas.

Paraguaias

– No Apertura paraguaio quem segue dando as cartas é o Sol de América, que venceu o Rubio Ñu por 2 a 0 e manteve os 100% de aproveitamento: três jogos, três vitórias,  nove pontos e liderança do torneio. Em segundo está o Libertad, que empatou fora de casa com o Tacuary. Em seguida aparecem Nacional, com seis pontos após vitória diante do Guaraní, Cerro Porteño, também com seis pontos depois de vencer o Cerro Presidente Franco, e o próprio Rubio Ñu.
– O Olimpia empatou em 1 a 1 com o Independiente e está na sexta posição, com cinco pontos em três jogos.

– Além da vitória diante do combinado chileno, os paraguaios também venceram a Guatemala por 2 a 1 nesta quarta-feira. Benítez e Bogado fizeram os gols da albiroja.

Colombianas

– A mais nova sensação da América do Sul também lidera o campeonato de seu país. O Atlético Nacional fez 3 a 2 no Millonarios fora de casa e garantiu a dianteira do Apertura, com nove pontos em quatro jogos. Em segundo aparece o Itagüí, que venceu o Real Cartagena por 3 a 1 e tem sete pontos. Atletico Huila, Tolima, Patriotas, Deportivo Pasto, Envigado e Santa Fe completam os oito que hoje estariam classificados para o mata-mata.

– Quem segue em crise é o Once Caldas. Vice-campeão do Clausura 2011, eliminado da Libertadores pelo Inter, o blanco-blanco perdeu para o Boyacá Chicó por 1 a 0 e é o lanterna do Colombianão, com 2 pontos em quatro jogos.

– José Pékerman, novo treinador da seleção colombiana, fez sua primeira convocação nesta terça-feira. Entre os chamados para o amistoso contra o México no dia 29 estão três novidades: o zagueiro Bernardo Espinosa, do Racing Santander, e os volantes Aldo Leao Ramírez, do Monarcas de Morelia do México, e Elkin Soto, que atua no Mainz 05. Macnelly Torres, que comeu a bola nos dois primeiros jogos da Libertadores, ainda não foi convocado.

– Resta saber como Pékerman vai armar a sua seleção. Se optar por um 3-5-2, usado em um passado não muito distante com a Argentina, o técnico da Colômbia poderá contar com Armero e Zuñiga em suas posições originais, como alas bem avançados. No meio, James Rodríguez ou Gio Moreno podem ser o enganche para abastecer um ataque com Pabón e Falcao Garcia. Vale lembrar que sob o comando de Bolilo Gómez e Leonel Álvarez os cafeteros vinham atuando com um 4-1-4-1.

Equatorianas

– Confusão no Peru, confusão também no Equador. Em menor grau, é verdade, mas a terceira rodada do Primera Etapa teve que ser cancelada por causa de uma paralisação imposta pelos árbitros. Eles protestavam contra os critérios de sorteio para os jogos e decidiram não apitar nenhuma partida. Felizmente houve um princípio de um acordo com a federação e a rodada deste final de semana deve ser realizada sem problemas.

– Vale lembrar que, após duas rodadas, a Liga de Quito e o Emelec lideram com seis pontos. O Barcelona é o terceiro, enquanto Macará e Independiente José Terán completam os cinco primeiros.

Venezuelanas

– Não houve rodada do Clausura da Venezuela. Mesmo assim alguns times sofrem por antecedência com a briga contra o rebaixamento. Por ora Carabobo, com oito pontos em 17 jogos no ano, e Estudiantes de Mérida, com 11 pontos, são os rebaixados. Porém, Llaneros de Guanare, com 13, e Tucanes, também com 13, ainda correm sério risco.

– Vale lembrar a classificação do Clausura: Deportivo Lara lidera com 13 pontos em cinco jogos. Em segundo está o Llaneros de Guanare, com dez pontos em seis jogos, seguido pelo Aragua, também com dez pontos, Mineros e Zamora, com nove e oito pontos, respectivamente, mas com cinco partidas disputadas.

Bolivianas

– Não houve rodada do Clausura boliviano no último fim de semana. O campeonato continua com os seguintes jogos: Guabirá e Real Mamoré, Blooming e Nacional Potosí, La Paz e Universitario de Sucre, Real Potosí e The Strongest, Bolívar e San José e Aurora e Oriente Petrolero.

– Para relembrar: Nacional Potosí lidera com 13 pontos em cinco jogos, seguido por Blooming com dez, Real Mamoré, com oito pontos em quatro jogos, San José, com oito pontos em cinco jogos e The Strongest, com sete pontos também em cinco jogos.
 

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Equipe Trivela

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