América do Sul

Uma final caótica terminou com o Defensa Y Justicia campeão da Recopa Sul-Americana

Nos pênaltis, os argentinos derrotaram o Palmeiras e levaram mais um troféu sul-americano

A Recopa Sul-Americana teve dois pênaltis marcados a favor do Palmeiras (um deles desperdiçado), um gol de fora da área quase no último minuto para forçar a prorrogação, dois jogadores expulsos, revisões do assistente de vídeo, uma arbitragem que a esta altura você já sabe que foi confusa e uma disputa de pênaltis decisiva que terminou com um dos melhores goleiros do Brasil isolando a última cobrança: ao fim de toda essa epopeia, o Defensa Y Justicia se sagrou campeão da Recopa Sul-Americana após ganhar por 2 a 1 no Mané Garrincha e se dar melhor a partir da marca do cal.

O Palmeiras encerrou a maratona de três jogos decisivos em uma semana – aliás, tem clássico na sexta-feira – sem nenhuma taça. Competiu em ambas e chegou à disputa de pênaltis. O balanço geral aponta alguns bons momentos contra o Flamengo no fim de semana, poucos contra o Defensa Y Justicia, o que é preocupante na projeção à fase de grupos da Libertadores. Mas, após uma temporada de quase 80 jogos, sem tempo para respirar, e encarando duas finais logo de cara, é um pouco difícil tirar alguma análise mais concreta do atual momento do campeão sul-americano.

De qualquer maneira, foi alarmante o excesso de erros nas duas partidas contra o Defensa Y Justicia, especialmente a dificuldade de manter o jogo mais sob o controle diante da troca de passes e pressão adversária. Acima de tudo, ao longo de toda essa semana, o Palmeiras pareceu um time pilhado demais para quem acabou de ser campeão duas vezes em poucos meses. Isso é algo que Abel Ferreira – talvez o mais pilhado de todos – precisa tentar amenizar.

Entre as duas propostas de jogo, a do Defensa Y Justicia funcionou melhor no primeiro tempo. Aos quatro minutos, Walter Bou teve a chance de abrir o placar, mas furou o cruzamento rasteiro de Braian Romero da direita. Depois disso, o Palmeiras se assentou um pouco mais. Teve um lançamento bonito – mais um – de Danilo para Wesley aparecer nas costas da zaga e driblar o goleiro. A finalização foi cortada em cima da linha, mas a jogada seria anulada de qualquer jeito por impedimento do atacante palmeirense.

Weverton cedeu rebote em uma bomba de Benítez de fora da área e, para a sua sorte, Pizzini mandou o rebote muito para fora. Raphael Veiga ameaçou da entrada da área, por cima, e depois roubou a bola no campo de ataque e deu para Rony. Ao tentar invadir, foi travado por um carrinho de Meza que pegou a sua canela. Após revisão do árbitro de vídeo, o pênalti foi confirmado. Veiga cobrou bem e abriu o placar.

Tudo tranquilo até então. Alguns riscos na defesa, mas também certo volume no ataque e vantagem ampliada para dois gols. No entanto, o Defensa Y Justicia dominou os minutos seguintes, e o Palmeiras passou a abusar demais dos passes longos para tentar acionar diretamente os seus atacantes. É um time que joga bem quando verticaliza, mas não de qualquer jeito. Os lançamentos precisam ter propósito. Ou a transição com passes rápidos.

Enquanto isso, os argentinos pressionaram. Empataram aos 31 minutos em uma jogada bem trabalhada que começou com Matías Rodríguez pela direita. Pizzini recebeu na linha de fundo e tocou para trás. Braian Romero chegou batendo. Romero e depois Benítez exigiram duas lindas defesas em sequência de Weverton. O Palmeiras chegou ao intervalo em apuros.

O segundo tempo foi um pouco mais estranho. O jogo seguiu aberto, aberto demais para quem tinha vantagem, mas quem criou as melhores chances foi o Palmeiras – mesmo tendo ficado com um jogador a menos quando Viña foi expulso por chutar as costas de Adoni Frías em uma dividida na ponta esquerda. Rony carimbou o goleiro Unsaín após tabela com Patrick de Paula e Gabriel Veron escapou em contra-ataque pela esquerda, para outra boa defesa do goleiro do Defensa.

Ainda assim, o Palmeiras parecia pressionado. Mas os argentinos cruzavam um pouco demais. Abel Ferreira fez trocas que indicavam mais cautela. Tirou Breno Lopes, que sem a bola fechava uma linha de cinco na defesa, pelo lateral Mayke – mais experiente em fechar linhas de cinco na defesa. Também colocou o zagueiro Alan Empereur na vaga de Veron, machucado, e trocou Patrick de Paula por Felipe Melo.

A entrada de Empereur não daria certo. Até os 48 minutos, o Defensa havia dado apenas duas finalizações no segundo tempo, ambas para fora. Mas um desses centros acabou se pagando. Empereur errou a na hora de sair jogando, Benítez pegou a sobra de fora da área e encheu uma bomba, tão forte que Weverton até chegou a tocar a bola, mas não conseguiu fazer a defesa. É o risco que você corre quando não consegue controlar o jogo.

E aí a coisa ficou mais complicada. O relativo pouco risco que o Palmeiras sofreu na etapa final se manteria, com um jogador a menos, por mais meia hora? Não importa. Era pouco útil fazer conjunturas porque o panorama estava em constante mutação. Com cinco minutos de tempo extra, Rony recebeu o lançamento pela direita e foi derrubado pelo goleiro Unsain. O árbitro – extremamente atrapalhado, sem nenhum controle sobre o jogo – foi ao assistente de vídeo checar e confirmou o pênalti.

A decisão gerou uma confusão na linha lateral que se estendeu aos túneis do Mané Garrincha, o campo de guerra mais popular do futebol brasileiro na última semana. Em resultados concretos, as cenas lamentáveis geraram a expulsão de Braian Romero, por reclamação. O jogo retornava à igualdade numérica. E o Palmeiras tinha um pênalti. Mas Gustavo Gómez não bateu muito bem. Tentou deslocar Unsain, que acertou o canto e fez a defesa até com certa tranquilidade. Chute rasteiro, sem muita força, quase no meio do gol.

Mais espaço em campo não se traduziu em um jogo melhor. Ao contrário. Cansado pela maratona de três decisões no começo de fato de sua temporada, o Palmeiras não teve muito gás, embora tenha até conseguido ficar mais com a posse de bola no segundo tempo da prorrogação. O Defensa Y Justicia também murchou e muito antes do apito do árbitro a disputa de pênaltis era inevitável.

Gabriel Menino começou bem, Frías empatou, mas Luiz Adriano, colocado em campo durante a prorrogação, mandou direto à trave. Merential encheu o pé para colocar o Defensa Y Justicia em vantagem. A favor de Gustavo Gómez, ele teve personalidade para cobrar o pênalti depois de ter desperdiçado o que daria o título. Contra, bateu exatamente da mesma maneira, tão ruim quanto antes, e quase perdeu de novo. Mas a bola bateu em Unsain e de alguma maneira cruzou a linha.

Isnaldo voltou a colocar os argentinos em vantagem. Rony empatou, e Enzo Fernández deixou o seu time a um passo da consagração. O Defensa Y Justicia nem precisou voltar à grande área. Weverton, o goleiro, ficou responsável pela última batida do Palmeiras. Como Fernando Press naquela final de Copa do Brasil contra o Santos. Mas a história dessa vez terminou de outra forma. Weverton isolou, e Defensa Y Justicia, atual campeão da Copa Sul-Americana, levou mais um caneco continental para casa.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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