Treze anos sobre as costas

“Não tive desavenças com ninguém e nem estou indo por causa de resultados. Acho apenas que minha saída será melhor para aliviar o clima do clube”. Foi assim que o técnico argentino Juan Manuel Llop anunciou na última segunda-feira a sua saída do comando do Barcelona, de Guaiaquil. O motivo aparentemente estranho para deixar a equipe, que ocupava então a terceira posição no campeonato equatoriano, muito embora há 10 pontos da líder LDU, só pode ser entendido pela pressão colocada em cima dos jogadores para que estes conquistassem o título nacional em 2010.
Desde 1997 o Barcelona não ganha a competição. De lá para cá os melhores resultados foram o vice-campeonato da Libertadores de 1998 e três vices equatorianos, em 2002, 2003 e 2005. Ou seja, ao longo de toda a década passada os Toreros, que têm a maior torcida do país, não tiveram uma única conquista. Para completar, ainda viram o clube quase cair para a segunda divisão nacional em 2009. O responsável pela “façanha” de salvar o time em um dos anos em que este mais havia investido em seu elenco foi justamente Juan Llop.
Para não repetir o fracasso do ano passado a diretoria do Barcelona fez o diagnóstico de que o fato de o Barcelona ser um dos únicos três times do país a ter sede em áreas litorâneas era um problema. Quando atuava fora de casa, a equipe sofria com a altitude de cidades como Quito e Cuenca. Para resolver a questão, em 2010 os Toreros passaram a treinar em Quito a fim de se prepararem para atuar em condições de ar rarefeito.
Mas não era só colocar os jogadores pra treinar no morro e pensar que a campanha que quase culminou em rebaixamento se transformasse em título na temporada seguinte. Ou era? Mesmo com o momento de recuperação do clube, o jejum de 13 anos sem conquistas acabou impactando nas expectativas para essa temporada, de forma que nada menos do que um título era esperado do Barcelona.
Depois de ficar em terceiro no Apertura 2010, há três pontos do campeão Emelec, o comando de Llop à frente da equipe começou a ruir no dia 31 de agosto, quando a equipe equatoriana perdeu em casa do uruguaio Peñarol, pela Sul-Americana. No jogo de volta, nova vitória dos uruguaios e eliminação do Barcelona. Ainda assim o treinador se manteve no comando da equipe, mas a derrota para o Deportivo Cuenca, no último domingo, deixou os Toreros há 10 pontos da LDU. Sabendo da exigência da direção e da pressão a que seus jogadores estavam expostos, o técnico achou melhor renunciar ao cargo.
Após a saída, o presidente do Barcelona de Guaiaquil, Eduardo Mauri, adotou um surpreendente discurso de otimismo e disse que se 2008 foi um ano de renovação, 2009 o de sofrer, 2010 o de encaminhamento, 2011 será o da consagração. Difícil imaginar isso com um time notoriamente inferior à LDU, exposto a uma pressão gigantesca em cima de seu desempenho, com uma torcida que desacreditou no time – a média de pessoas no estádio Banco Pichincha não passa de 4 mil por jogo – e sem qualquer planejamento de longo prazo, visto que não há sequer um treinador neste momento.
Na quinta o Barcelona, sem técnico, perdeu por 4 a 0 para o Deportivo Quito. Mais uma dor de cabeça para os já calejados torcedores de Guaiaquil e outra mostra de que a falta de sensatez pode ter consequências ainda piores do que a espera por novos tempos de glória.
Disputa pega fogo no Chile
Está bonita a corrida pelo título do Campeonato Chileno. O Colo-Colo, que em determinado momento viu sua situação ficar bastante complicada, com Universidad Católica e Universidad de Chile na dianteira, teve a sorte mudada outra vez. No domingo o Cacique venceu o La Serena por 2 a 1, com um gol nos acréscimos, e nesta quarta bateu o Everton, em jogo atrasado. No final de semana ainda, a Católica perdeu para o Audax Italiano por 3 a 2, enquanto a Chile foi derrotada pelo Palestino por 2 a 1.
Com os resultados, a tabela ficou da seguinte forma: O Colo-Colo lidera o campeonato com 54 pontos. Em seguida vem a Universidad de Chile, com 51, e em terceiro lugar está a Universidad Católica, com 50 . Neste sábado o Colo-Colo pega o lanterna San Luis de Quillota, em casa, a Católica enfrenta o Santiago Wanderers, 14º colocado, também em casa, enquanto a Universidad de Chile pega o Unión San Felipe, 7º lugar, como visitante.
Depois dessa rodada faltarão apenas 10 para definir o campeão chileno.



