América do SulEliminatórias da Copa

Enquanto três lutam pela Copa, dois folgam na América do Sul

Nenhuma outra seleção da América do Sul se confirmou ao lado do Brasil na Copa do Mundo de 2014. No entanto, já dá para dizer que a definição dos classificados nas Eliminatórias da Conmebol é mera questão de detalhe. Três países podem ser dados como certos no Mundial do próximo ano. E até mesmo a briga pela quinta colocação, que parecia nebulosa, teve seu caminho aberto com os resultados desta sexta.

Argentina, Colômbia e Chile só não podem ser colocados na Copa por capricho. Afinal, as três seleções já estão ao menos na repescagem e têm tudo para assegurar a vaga direta na próxima terça. Apesar da derrota, o Equador se mantém firme na quarta colocação, mas é ameaçado pelo Uruguai. A Celeste, aliás, foi a grande vencedora da rodada, ao abrir vantagem no quinto lugar ao contar com as derrotas de Venezuela e Peru – três e cinco pontos atrás respectivamente. Se temiam não vir ao Brasil, com duas vitórias, os uruguaios têm condições até para carimbar o passaporte diretamente. Confira os principais destaques na rodada das Eliminatórias, na qual a Argentina teve folga:

Quando a pressão aumentou, a Celeste pesou

Peru e Uruguai fizeram verdadeiramente uma partida tensa em Lima, na qual estava em jogo a quinta colocação. O duelo foi bastante pegado, com muita pegada e faltas duras. Demonstrando sua tradicional garra, perdida nas últimas atuações, os uruguaios contavam com uma noite inspirada de Fernando Muslera, diante do sufoco dado pelos peruanos. Acabaram conquistando uma preciosa vitória por 2 a 1 graças à eficiência nos contra-ataques, à estrela de Luis Suárez nos dois tentos e a uma ajuda da arbitragem. A atuação de Patrício Loustau foi péssima, com erros para os dois lados, mas prejudicou mesmo o Peru – com o pênalti sobre Suárez e a expulsão de Yotún bastante contestados. Ao apito final, foi simbólico o choro de Jefferson Farfán pela derrota e a saída do árbitro de campo, escoltado por uma dúzia de policiais diante da insatisfação da torcida peruana.

La Roja voltou a ser temida

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É notável a evolução da seleção chilena desde a chegada de Jorge Sampaoli. A Roja fazia uma campanha mediana nas Eliminatórias com Claudio Borghi, mas engrenou desde que o ex-comandante da Universidad de Chile assumiu. São quatro vitórias consecutivas no torneio, algo que o Chile nunca havia alcançado antes em sua história. E o recorde veio com uma atuação imponente sobre a Venezuela no Estádio Nacional de Santiago. Eduardo Vargas, Marcos González e Arturo Vidal marcaram os gols no triunfo por 3 a 0, em que Alexis Sánchez e Jorge Valdívia também se destacaram. Motivo a mais para a festa da torcida, em um momento no qual o nacionalismo está aflorado pela aproximação dos 40 anos do golpe militar de Augusto Pinochet.

Nem as intempéries são capazes de parar a Colômbia

APTOPIX Colombia Ecuador Wcup Soccer

A torcida em Barranquilla precisou esperar uma hora e meia até a bola começar a rolar. A partida entre Colômbia e Equador foi atrasada por causa do temporal que alagou o gramado do Estádio Metropolitano. E nem o campo longe das condições ideais foi capaz de atrapalhar o alto nível do time de José Pekerman. Os equatorianos até impuseram dificuldades em alguns momentos da partida, mas não foram capazes de evitar a vitória dos Cafeteros, que ficaram com um a mais no primeiro tempo. Pouco depois, James Rodríguez provou sua estrela e garantiu o 1 a 0. Para dificultar, um apagão no estádio retardou o segundo tempo em dez minutos. Mas o dia era mesmo da Colômbia. Especialmente quando Walter Ayoví desperdiçou um pênalti e jogou fora a chance de empate de La Tri.

O Paraguai renasceu no momento menos oportuno

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Os paraguaios precisaram esperar sete meses para comemorar uma vitória da seleção. O período conturbado inclui a demissão do técnico Gerardo Pelusso, substituído por Victor Genes. E a estreia do novato não poderia ter sido melhor. Goleada da Albirroja no Defensores  del Chaco, 4 a 0 sobre a Bolívia – tentos de Jonathan Fabbro, Roque Santa Cruz, Richard Ortiz e Gustavo Gómez. O resultado tem um triplo simbolismo para o Paraguai, que inicia bem o projeto de renovação, ganha um mínimo de esperanças de ir à Copa e deixa a Bolívia na lanterna. La Verde, aliás, volta ao seu lugar cativo nos últimos anos e é a primeira seleção sul-americana matematicamente eliminada na competição.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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