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Tensão, sorte e Paulinho. Bastou para o Brasil vencer

Tensão. Essa foi a palavra que descreveu o jogo entre Brasil e Uruguai no Mineirão. A semifinal da Copa das Confederações teve um nível técnico baixo, mas um grau de emoção enorme. Emoção que não falta em confrontos de gigantes sul-americanos. O Brasil não foi bem, sofreu, mas venceu. Venceu sem saber direito como, mas venceu em um jogo que o Uruguai teve uma defesa muito organizada, com um atacante eleito o melhor em campo, especialmente pelo que conseguiu fazer atacando e defendendo.

Não foi um dos melhores jogadores do Brasil. Na verdade, foi o pior jogo da Seleção Brasileira na Copa das Confederações. O time teve posse de bola, mas se viu em uma situação que se repetiu muitas vezes nos últimos anos: precisa vencer uma defesa bem organizada e que dá poucos espaços. E como também tem sido comum, sentiu dificuldades e criou pouco.

O gol do Brasil no final do primeiro tempo foi quase um presente. Ainda mais porque foi do Uruguai a melhor chance do primeiro tempo, em um chutaço de fora da área de Forlán. O presente pode vir com o nome de Paulinho, que fez lindo lançamento na área para Neymar chutar, o goleiro Muslera defender, e Fred aproveitar o rebote. Ele tentou dar um chute forte, errou, mas até a canela do artilheiro está precisa. A bola entrou.

O segundo tempo teve um esquema pelada. Marcelo, na metade final do jogo, quase abandonou a posição. A tensão foi evidente o tempo todo. O sofrimento não estava só no calafrio dos torcedores, mas nos pés dos jogadores, que não conseguiam ser criativos e via os espaços reduzidos. A entrada de Bernard melhorou um pouco o time brasileiro, porque Hulk estava mal no jogo.

A movimentação de Bernard ajudou, mas não resolveu o problema. Sem saber o que fazer, o Brasil tinha Paulinho caindo pela direita e uma grande leva de cruzamentos, quase todos pouco efetivos. E o quase é só por um cruzamento. O que decidiu o jogo. Neymar cruzou em um escanteio, Paulinho cabeceou para marcar. Paulinho, que apesar do gol, não fez um bom segundo tempo, mas seguiu sendo decisivo.

A tensão não diminuiu com o gol, mesmo sendo já no final do jogo. O que se viu foi o Uruguai pressionando nos minutos finais do jeito que pode, também com muitos cruzamentos. O futebol não foi bem jogado no Mineirão, mas nem sempre os jogos marcantes têm qualidade técnica. O Brasil escapou de uma eliminação que poderia ser traumática, mas não escapou do sofrimento. O sofrimento ensina, mas só para quem quer aprender. Quem não ouve, sofre de novo.

O time não teve criatividade, não teve força para vencer uma defesa organizada. O adversário no domingo ainda não está definido, mas seja Itália, seja Espanha, o Brasil terá que jogar mais. Se o jogo Uruguai trazia fantasmas de 1950 para o Brasil, a Espanha tem o fantasma de 1950 contra o Brasil, quando tomou goleada e olé no Maracanã. Mas só a mística não vencerá os atuais campeões do mundo.

Formações iniciais

Brasil x Uruguai

Destaque do jogo

Cavani foi um monstro em campo. Além de ter feito o gol de empate do Uruguai,marcou e correu muito para ajudar na marcação. Foi o grande jogador da partida.

Momento-chave

Quando Júlio César defendeu o pênalti cobrado por Forlán, aos 14 minutos de jogo, o Brasil se salvou de uma situação para lá de complicada. Um gol no início do jogo seria um grande problema para o time de Felipão.

Os gols

41’/1T: GOL DO BRASIL!
Paulinho fez um lindo lançamento no peito para Neymar, que chutou para a defesa de Muslera. Mas no rebote, Fred tenta encher o pé, acerta de canela, e manda para a rede.

3’/2T: GOL DO URUGUAI!
Depois de um bate rebate dentro da área, Thiago Silva afastou mal e Cavani chutou no canto para empatar o jogo.

41’/2T: GOL DO BRASIL!
Em cobrança de escanteio de Neymar, Paulinho subiu de cabeça na segunda trave e mandou para as redes.

Curiosidade

O primeiro jogo de Felipão no comando da Seleção Brasileira foi uma derrota por 1 a 0 para o Uruguai em Montevidéu, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002.

Ficha técnica

BRASIL 2X1 URUGUAI

Brasil escudo Brasil
Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo e Paulinho; Hulk (19’/2T); Oscar (Hernanes 28’/2T) e Neymar (Dante, 47’/2T); Fred. Técnico: Luiz Felipe Scolari
Espanha_escudo Uruguai
Fernando Muslera; Maximiliano Pereira, Diego Godín, Diego Lugano e Martín Cáceres; Arévalo Rios, Álvaro González (Walter Gargano, 38’/2T) e Cristian Rodríguez; Diego Forlán, Luis Suárez e Edinson Cavani. Técnico: Oscar Tabárez
Local: Estádio Mineirão (Belo Horizonte-BRA)
Árbitro: Enrique Osses (CHI)
Gols: Fred, 41’/1T, Paulinho, 38’/2T (Brasil), Edinson Cavani, 3’/2T (Uruguai)
Cartões amarelos: David Luiz, Luiz Gustavo, Marcelo (Brasil), Álvaro González, Edinson Cavani (Uruguai)
Cartões vermelhos: Nenhum

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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