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Técnico do Tucumán exalta seus heróis: “O emocional jogou mais que o físico, mostraram coragem”

O time do Atlético Tucumán superou todos os obstáculos possíveis para conquistar a classificação na Copa Libertadores. Conseguiu driblar o cansaço físico e mental, o amadorismo de seus dirigentes, a ameaça de que não jogaria, a falta de chuteiras, o aquecimento parco. E, após a vitória épica por 1 a 0 sobre o El Nacional, o técnico Pablo Lavallén deu sua versão dos fatos, assim como falou sobre a bravura de seus atletas.

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“Foi péssimo tudo o que passamos. Ninguém nos dizia o que estava acontecendo. Às três da tarde, estávamos no avião, onde ficamos por uma hora e meia. O piloto precisou abrir a porta para que o ar circulasse e depois nos fizeram descer na pista, onde permanecemos mais uma hora. A empresa tinha permissões, senão não teria saído de Ezeiza (na Argentina). Algo estranho se passou, mas tudo bem, estivemos à beira de não jogar e não nos despacharam as camisas e as chuteiras”, declarou Lavallén. “A verdade é que foi descarado aquilo que nos fizeram”.

O treinador fez questão ainda de exaltar o caráter de seus atletas: “Eu me reuni com os jogadores e disse que começávamos em desvantagem. Não tomamos nada para os efeitos da altitude nem cuidamos desses detalhes. O emocional muitas vezes joga mais que o físico. Esses rapazes deram uma mostra de coragem, contra tudo e contra todos. Os jogadores fizeram apenas sete minutos de aquecimento. Aí me perguntaram alguma indicação e eu os disse: ‘Já está, rapazes’. Fomos como em um jogo de bairro, quando se atrasa o ônibus”, complementou.

Herói da classificação, com o gol da vitória, Fernando Zampedri falou emocionado na saída de campo: “Graças a Deus é que conseguimos isso hoje, não foi um dia nada fácil para nós. Tivemos que dar voltas de lá para cá, não sabíamos se íamos jogar. Precisamos tirar algo mais de dentro de nós, a verdade é que o grupo merece isso. Estou emocionado pela maneira como se deu a partida e o dia. Estamos muito contentes”.

Por outro lado, o presidente do El Nacional, Tito Majarrez, deixou bem claro que a decisão de evitar o WO não partiu de seu clube, e sim de uma ordem superior da Conmebol: “Sempre estivemos em contato com o delegado da Conmebol e revisamos o regulamento. A posição do El Nacional era esperar os 45 minutos regulamentares e nem um minuto a mais, mas a decisão final era do delegado e não nos restou outra opção a não ser aceitá-la. A decisão foi tomada desde o Paraguai. El Nacional não tinha a decisão de jogar ou não, foi da Conmebol. Queríamos ganhar em campo e não se pôde”.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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