América do Sul

Técnico da Argentina nas Olimpíadas, Fernando Batista assume o comando da Venezuela

Fernando Batista era assistente de José Pekerman e substitui o compatriota após sua tumultuada saída nesta semana

A federação da Venezuela atravessou uma semana bastante tumultuada. José Pekerman deixou o comando da seleção venezuelana em meio a uma troca de acusações. O treinador reclama de salários atrasados e promessas não cumpridas, enquanto os dirigentes do país chegaram a acusar o empresário do argentino, que também era diretor de seleções, de desaparecer com dinheiro das contas. Em meio a todo imbróglio, a Vinotinto não esperou muito para anunciar seu novo técnico. Aposta em outro argentino, mas bem menos tarimbado: Fernando Batista, antigo comandante da Albiceleste na base e que foi assistente de Pekerman.

Fernando Batista é irmão de Sergio Batista, meio-campista campeão do mundo com a Argentina na Copa de 1986 e treinador da seleção na Copa América de 2011. Assim como o primogênito, o caçula atuou no Argentinos Juniors e defendeu as seleções de base, presente no Mundial Sub-20 de 1989. A carreira de Bocha nos gramados não se desenvolveu tanto, passando depois por San Lorenzo, Godoy Cruz e All Boys. Mais sucesso ele teria nos bastidores. Após pendurar as chuteiras, Batista coordenou a base do Argentinos Juniors de 2005 a 2016.

A partir de então, Fernando Batista se aventurou como técnico. Foi assistente da seleção sub-20 da Argentina, antes de trabalhar nas equipes nacionais sub-18 e sub-19 da Armênia. Em 2019, retornou à AFA. Dirigiu a Argentina Sub-20 que disputou o Mundial da categoria em 2019 e também a equipe sub-23, garantindo a classificação aos Jogos Olímpicos. Porém, a Albiceleste não embalou e caiu na fase de grupos em Tóquio. Depois disso é que aceitou a proposta de se mudar à Venezuela. Além de assistente de Pekerman, também iniciou o trabalho no time sub-23 da Vinotinto.

A confusão com Pekerman não envolveu diretamente Fernando Batista, embora existissem acusações que os assistentes do técnico também estavam sem receber. Assim, aos 52 anos, Bocha não dispensa a oportunidade de assumir a Vinotinto. Não precisará passar por uma grande transição, à frente de um elenco que conheceu nos últimos meses, após quatro rodadas nas Eliminatórias como auxiliar e também seis amistosos. Porém, o novo técnico não possui a bagagem e nem a tarimba de seu antecessor. Deve ganhar plenos poderes de também administrar os processos na base venezuelana.

Diante da saída de Pekerman, surgiram vários rumores sobre os possíveis substitutos. Entre os nomes cotados estava Rafael Dudamel, que fez um bom trabalho à frente da Vinotinto até a Copa América de 2019. Entretanto, a federação venezuelana preferiu não mudar drasticamente os rumos traçados com Pekerman, mesmo que a face principal não continue. O próximo ciclo será bastante importante à Venezuela. Há o aumento no número de vagas na Copa do Mundo, enquanto a seleção conta com vários jogadores que estouraram nos últimos anos, a partir da equipe que foi vice-campeã no Mundial Sub-20 em 2017. O material humano é melhor que de costume. Caberá a Bocha Batista aproveitar esses talentos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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