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Tabárez, do Uruguai: “No futebol, como na vida, devemos vencer o resultadismo”

Óscar Tabárez tem o seu nome escrito na história do futebol uruguaio e sul-americano. O treinador, no comando da seleção do Uruguai desde 2006, faz um trabalho fantástico não só como técnico, mas como mentor de uma reconstrução em todo o futebol uruguaio de seleções. Não por acaso, os resultados passaram a vir não só na principal, mas também na base. O treinador deu entrevista à revista La Garganta Poderosa, da Argentina.

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Técnico da seleção uruguaia de 1988 a 1990 – dirigindo inclusive o time na Copa do Mundo da Itália -, o maestro passou por times italianos, espanhol e argentinos  até voltar ao comando da seleção Celeste em 2006. E falou, na entrevista, sobre futebol e a seleção uruguaia.

Quarto lugar nas Eliminatórias, o técnico da seleção charrúa mostrou-se confiante que o Uruguai irá se classificar à Copa do Mundo de 2018. “Nós cremos que sim, vamos chegar ao Mundial, e em função disso seguimos adiante”, afirmou o treinador. “Sofremos três derrotas consecutivas, mas, em uma olhada geral, se vê que faltam quatro jogos para conseguir os pontos que precisamos. Nos sustentamos nessa perspectiva, sabendo que é difícil, sobretudo pelo jogo contra a Argentina”, analisou o maestro.

Aos 70 anos, Oscar Tabárez é o técnico com mais jogos à frente de uma seleção. Um trabalho longo que resgatou o Uruguai para voltar às Copas do Mundo e também a ser competitivo, resgatando suas tradições. “Eu fiquei tocado, em ser, circunstancialmente, o técnico que mais partidas dirigiu por uma seleção (171). Isto é assim, um trabalho contínuo, de muito tempo, que deu seus frutos”, analisou o treinador.

“Esta é uma equipe que sempre olhou para frente, que sonhou com muitas coisas que hoje vemos concretizadas. A única coisa que pretendo é que esta maneira de fazer as coisas continue quando eu me vá, o que, devido à minha idade, será em breve”, disse. “Tratamos de chegar a metas maiores através do esporte. Por exemplo, quando recebemos uma seleção de base, dizemos a eles que a primeira norma é saudar as pessoas que trabalham no complexo”, explicou o treinador.

Embora seus resultados sejam espetaculares, o maestro Tabárez nos dá uma lição justamente sobre isso. O seu regaste do futebol uruguaio não passa só por resultados. Aliás, este é só um aspecto, para ele. Não é o mais importante. “O que me parece fundamental é combater o resultadismo. Perder ou ganhar é uma circunstância, temos que aprender a conviver com ambas”, analisou Tabárez. “No futebol, como na vida, devemos vencer o resultadismo”.

Que tenhamos muito mais aulas do maestro Tabárez, que deve estar na Rússia para dirigir a Celeste mais uma vez em 2018.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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