América do Sul

Strongest 4×4 Bolívar foi um dos clássicos mais insanos dos últimos tempos, da virada incrível ao festival de expulsões

O jogo teve cinco expulsões, dois gols nos acréscimos do segundo tempo, uma virada de 0x3 para 4x3 e mais de 20 minutos de acréscimos

The Strongest e Bolívar compõem a maior rivalidade da Bolívia. Os paceños disputam a hegemonia no Campeonato Boliviano, bem como a torcida na capital. Durante a atual temporada, algumas partidas memoráveis botaram tempero no clássico. Os celestes venceram por 3 a 0 a decisão do Apertura, enquanto os aurinegros aplicaram um 4 a 0 no primeiro turno do Clausura. E tais placares elásticos resultaram num duelo insano nesta quarta-feira, válido pelo segundo turno do Clausura. Os rivais empataram por 4 a 4, num jogo que terminou com cinco expulsões, teve dois gols nos acréscimos do segundo tempo (um para cada lado), ofereceu uma virada após desvantagem de três tentos e ainda chegou a mais de 65 minutos na etapa complementar. O resultado, de qualquer maneira, apetece ao Strongest: o Tigre permanece três pontos à frente na tabela do Clausura.

O Bolívar vinha num momento desfavorável pelo Clausura, com três empates consecutivos. E o time de Antônio Carlos Zago viu tudo dar errado no primeiro tempo contra o Strongest. Os rivais abriram dois gols de vantagem na etapa inicial. Os celestes até bombardearam a meta adversária na primeira meia hora do clássico, mas perderam grandes chances e pararam no goleiro Guillermo Viscarra. A primeira boa chegada do Tigre rendeu o primeiro tento, aos 32 minutos. Fernando Saucedo cobrou falta na lateral da área e Ismael Benegas saltou para definir de cabeça. Já aos 39, um contra-ataque resultou no pênalti convertido por Michael Ortega. A eficiência prevalecia.

O drama do Bolívar se tornou ainda maior aos 11 do segundo tempo. O Strongest abriu 3 a 0 no placar com um golaço de Saúl Torres, que arriscou o chute de muito longe e mandou uma sapatada no ângulo. Entretanto, quando os celestes já pareciam batidos, renasceram para uma incrível reação. O primeiro gol não demorou, aos 15, num chute colocado do rodado Patrício Rodríguez, que beijou a trave antes de entrar. Num momento em que o árbitro distribuía cartões amarelos num duelo pegado, o Bolívar tentava pressionar e marcou o segundo somente aos 42, num rebote na pequena área definido por Gabriel Villamil. Já o responsável pelo empate por 3 a 3 foi um dos brasileiros do elenco, o zagueiro César Martins, aos 45. O beque estava na área em meio ao chuveirinho e deu uma casquinha na bola após o levantamento de Leonel Justiniano.

Se o jogo parecia maluco o suficiente, ele ficaria verdadeiramente insano durante a prorrogação. Os acréscimos seriam longos desde o início, por causa das paralisações, e o Bolívar seguiu no abafa. As bolas aéreas davam resultado e renderam uma apoteótica virada aos 53. A bola seria aparada para Patrício Rodríguez se confirmar como herói, com a testada certeira nas redes. A tensão prevalecia, com uma grande confusão logo depois do tento, que rendeu uma série de expulsões. Benegas e Villamil deixaram os dois times com dez homens em campo, enquanto cada banco de reservas teria mais um jogador expulso.

Todavia, o Strongest ainda tinha forças para um último suspiro. Os minutos se arrastavam nos acréscimos longuíssimos e a persistência do Tigre rendeu um pênalti aos 61, por um toque de mão na área do Bolívar. A pressão sobre Enrique Triverio para a cobrança era imensa, mas ele converteu o chute aos 65 minutos. Garantiu o inacreditável 4 a 4, que ainda teve tempo para a quinta expulsão da noite, do brasileiro Chico, que recebeu o segundo amarelo pelos celestes.

O Strongest alcança os 50 pontos no Clausura do Campeonato Boliviano, com mais oito rodadas pela frente. A equipe oscila, mas aproveita a instabilidade dos concorrentes. O Bolívar, que era o líder até a pausa da Data Fifa, caiu para o terceiro lugar por conta dos empates recentes, com 47 pontos. Quem se mete no meio é o Always Ready, com 48 pontos, na segunda posição. Apesar das vitórias recentes dos alvirrubros, contudo, o Strongest venceu o confronto direto do final de semana passado por 3 a 1 e por isso sustenta a ponta. O Clausura, diferentemente do Apertura, não terá mata-matas e entregará troféu ao melhor time dos pontos corridos. A Bolívia celebra dois campeões por temporada.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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