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Sofrido, mas vencido: Botafogo conquista outro grande triunfo, agora sobre o Estudiantes

Outra batalha pela Libertadores. E outra vitória. O Botafogo recheou ainda mais seu cartel respeitabilíssimo na competição continental. Depois de eliminar Colo-Colo e Olimpia, desta vez os alvinegros bateram o Estudiantes. Mas não foi simples. A estreia na fase de grupos trouxe dificuldades maiores do que as duas partidas anteriores no Estádio Nilton Santos. O time de Jair Ventura suou. Para, com certa dose de emoção, buscar o triunfo nos minutos finais. Rodrigo Pimpão serviu de talismã mais uma vez, fechando os 2 a 1 sobre os Pincharratas. Resultado importantíssimo em um grupo parelho.

Assim como nas noites anteriores de Libertadores, o Estádio Nilton Santos se pintou de preto e branco para receber o Botafogo. Os torcedores fizeram uma festa belíssima, com um escudo enorme no centro das arquibancadas, além de milhares de faixas estendidas. Força que seria necessária quando a bola começou a rolar. Afinal, o Estudiantes engrossou o jogo desde o primeiro tempo. Os alvinegros tinham mais posse de bola, mas não conseguiam passar pela forte marcação dos argentinos. Abusava das ligações diretas, sem sucesso. Já do outro lado, os visitantes ameaçavam, finalizando com perigo. Lucas Rodríguez tirou tinta da trave, enquanto Otero exigiu grande defesa de Gatito Fernández após contra-ataque.

Apesar das preocupações, o Botafogo conseguiu sorrir primeiro. E justamente no tipo de jogada que não vinha dando certo. Atuando na lateral, Marcelo avançou até a intermediária e mandou a bola na área. Bruno Silva emendou um voleio meio desajeitado, que deu totalmente certo, quando Roger completou de bicicleta. Golaço, para fazer as arquibancadas explodirem na comemoração. O tento serviria para abrir um pouco mais o jogo. E os alvinegros só não anotaram o segundo graças a uma defesaça de Mariano Andújar, buscando a bomba de Camilo de fora da área.

O Estudiantes passou a buscar mais o ataque no segundo tempo. Incomodavam principalmente com Otero, ótimo reforço dos Pincharratas neste início de ano – trazido do Fortaleza, da Colômbia, aos 21 anos, após se destacar nas seleções de base de seu país. E foi justamente ele quem anotou o gol de empate, aos 16 minutos. Cobrança de falta venenosa no bico da grande área. Gatito Fernández não conseguiu evitar a pintura, em bola cheia de efeito que aproveitou o rombo na barreira. A tensão era evidente e afetou também os torcedores. A barra argentina fazia mais barulho.

O Botafogo sentiu o gol. Até havia acertado uma bola no travessão pouco antes de sofrer o tento, em lance anulado, mas depois disso minguou. Não fazia uma partida tão vibrante quanto nos compromissos anteriores, em duelo no qual sobravam faltas. O Estudiantes não arriscava tanto, só que ainda conseguia levar perigo à defesa alvinegra. Até que a salvação saísse aos 33 minutos, com o iluminado Rodrigo Pimpão. Sassá, que saíra do banco, iniciou a jogada. A defesa conseguiu prensar a tentativa de Camilo, mas a bola sobrou para Pimpão. O talismã girou e bateu cruzado, no cantinho. Camilo, impedido, atrapalhou a visão de Andújar, mas o árbitro não assinalou qualquer irregularidade.

Precisando do resultado, o Estudiantes se perdeu. O excesso de agressividade descambou em uma pequena confusão e em vários cartões amarelos. No final das contas, o Botafogo ficou mais próximo de anotar o terceiro. Sassá e Guilherme criaram boas oportunidades para os cariocas, enquanto Emerson Silva teve um tento bem anulado por impedimento. Já nos acréscimos, Rodrigo Pimpão só não fez mais um por conta de nova boa intervenção de Andújar.

Ao apito final, a comemoração botafoguense não foi apenas pela vitória. A torcida também homenageou o técnico Jair Ventura, aniversariante do dia. Os 30 mil presentes cantaram os parabéns ao treinador, fundamental no bom papel feito pelo time nesta Libertadores. E os três pontos desta terça já são muito importantes. O Botafogo divide a liderança da chave ao lado do Barcelona, que venceu o Atlético Nacional de virada em Guayaquil, por 2 a 1. Na próxima rodada, apenas em abril, os cariocas pegam os atuais campeões continentais em Medellín.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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