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Sobrou consciência ao Boca, faltou brio ao Corinthians

O objetivo do Boca Juniors é muito claro. Os xeneizes concentram todos os seus esforços na Copa Libertadores. Vivendo um fiasco no Campeonato Argentino, ao igualar sua pior campanha após 11 rodadas, a equipe de Carlos Bianchi se agarra ao torneio continental. Independente de ter sido o carrasco na decisão de 2012, o Corinthians foi o obstáculo que surgiu no caminho. O adversário contra os quais os portenhos precisariam se superar para aplacar a pressão sentida em meio à crise.

Para buscar a vitória, o Boca foi aguerrido, esquecendo as cinco partidas que acumulavam sem vitórias. Longe de ser técnico, o time foi consciente de suas limitações: se organizou e se empenhou a cada disputa de bola. Mais importante, foi empurrado pela atmosfera de La Bombonera. A vibração das arquibancadas prevaleceu durante os 90 minutos. E parece ter afetado o Corinthians. Acuados e abusando dos erros, os alvinegros acabaram derrotados por 1 a 0. Nem mesmo a sorte de Romarinho ajudou desta vez.

Várias peças se diferenciam entre o Boca vice-campeão da Libertadores 2012 e o atual. Entretanto, assim como aconteceu naquele encontro em Buenos Aires, os xeneizes se encontraram mais confortáveis pelo lado esquerdo do ataque. Por ali é que transitaram com maior liberdade. Contaram com a complacência da defesa corintiana, perdida em seu posicionamento, para marcarem o gol da vitória aos 14 minutos do segundo tempo, com Nicolás Blandi.

O Corinthians, por sua vez, pouco lembrou o time do ano passado. Os alvinegros ficaram contidos durante o primeiro tempo, amarrado. Não tinham saída de bola, com Ralf e Paulinho em uma das piores noites da parceria que tanto deu certo nos últimos tempos. Erravam passes demais, eram presas fáceis nas tentativas individuais. Na volta do intervalo, davam campo aos argentinos. E viram os erros se tornarem mais frequentes, com Cássio, Alessandro, Gil e Paulo André. O segundo gol só não veio por questão de detalhe.

Sem Danilo (e com Jorge Henrique mal em seu lugar), o Corinthians teve suas melhores chances em duas jogadas puxadas por Romarinho. Uma bela defesa de Agustín Orión e um passe para Paolo Guerrero acertar a trave. Porém, o talismã deu lugar a Alexandre Pato, que mal tocou na bola nos poucos minutos que esteve em campo – assim como Emerson, que permaneceu no gramado durante todo o tempo. A derrota por 1 a 0 é um resultado perigoso aos alvinegros, mas poderia ter sido pior.

Sem o gol fora de casa, a virada se torna um pouco mais complicada no Pacaembu, no dia 15 de maio. Até lá, o Boca Juniors tem pela frente os dérbis contra River Plate e San Lorenzo – que podem embalar os xeneizes ou agravar a crise, deixando-os com ainda mais sangue nos olhos pela Libertadores. Uma ambição que faltou o Corinthians na Bombonera e que será necessária no reencontro. Afinal, o elenco tecnicamente superior dos alvinegros só se provará assim quando tiver vontade e organização suficientes para sê-lo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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