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Ser valente não implica em ser imortal, Palmeiras

Um time fraco. Outro sem muito a perder. Uma torcida que dava frequentes injeções de ânimo nas arquibancadas. E uma frustração que parecia estar decretada com 30 minutos de jogo.

Esse foi o clima no Pacaembu na derrota do Palmeiras por 2 a 1 frente o Tijuana, nas oitavas de final da Copa Libertadores. Com o plano de fundo da violência e tensão entre os dois times, sem falar na arbitragem embaraçosa de Juan Soto, o placar não foi nem de longe o que o jogo mostrou. Apesar do nervosismo e da falha terrível de Bruno no primeiro gol mexicano, o alviverde não mereceu sair eliminado de campo, o que não diz muito e nem deveria servir como porém.

Preocupado em catimbar a partida e gastar tempo, o Tijuana veio e conseguiu alcançar seu objetivo: achou dois gols em falhas defensivas e se fechou sem medo de ser feliz nos 45 minutos finais. A tática de “estacionar um ônibus na frente do gol” que ficou famosa quando usada pela Inter de Mourinho (2010) e pelo Chelsea de Di Matteo (2012) contra o Barcelona na Liga dos Campeões fez efeito. Obrigado a sair e atacar, o Palmeiras só tinha a valentia como arma contra os visitantes.

Nesse contexto, uma vitória poderia até ter sido o prêmio, mas precisamos lembrar que futebol e justiça quase sempre andam em caminhos distintos. O coquetel do fracasso já estava pronto desde o início do ano no lado brasileiro. Um time sem técnica que se acostumou a avançar na base do abafa, do sufoco, deveria mesmo parar no primeiro adversário mais qualificado. E se não fosse nas oitavas, seria nas quartas de final diante do Atlético Mineiro, com grandes possibilidades de uma goleada inesquecível.

Procura-se um time, com urgência

Até que o Palmeiras não tenha um grupo que inspire confiança por sua competência e não só pela sua coragem, eliminações como esta serão frequentes. Mesmo porque essa coragem é uma motivação temporária. Não temer o inimigo não significa que você esteja qualificado para vencê-lo, e é essa lição que deve ficar para Gilson Kleina e seus comandados no futuro.

Durante a disputa da Série B, o alviverde será um gigante entre vários outros clubes de menor expressão que buscam a chance de despontar para o cenário nacional. E por ser grande, o Palmeiras deve sempre honrar sua tradição, comportando-se como tal. Não há nada mais perigoso do que levar só o peso da camisa em conta na hora das principais decisões da temporada.

Claro que há o que se elogiar nesse espírito guerreiro contra o Tijuana. A começar pela relutância em aceitar a derrota. A verdade é que Kleina consegue tirar o melhor do que tem em mãos e isso já ficou claro. Quando esse melhor não é muito insinuante, fica difícil achar um ou dois culpados. Talvez nem Bruno mereça ser execrado pela falha que abriu o caminho para o triunfo dos mexicanos.

Ser guerreiro é uma coisa, imortal é outra. E a imortalidade é algo que poucos podem desfrutar, Palmeiras.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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