América do Sul

Sem perder há um ano, Destroyers desponta em sequência histórica no futebol sul-americano

O Destroyers possui um passado respeitável no futebol boliviano. Fundado em 1948, o clube de Santa Cruz de la Sierra disputou a elite do campeonato nacional em 19 oportunidades. No final da década de 1980, flertou com a classificação à Libertadores, chegando às semifinais da liga com um time no qual despontavam os prodígios Marco Etcheverry e Erwin Sánchez – os adolescentes que, em 1994, levariam La Verde de volta a uma Copa do Mundo. Durante os últimos anos, contudo, os Cuchuquis sofreram. Deixaram a primeira divisão e enfrentaram dificuldades financeiras. Mas o retorno promete ser triunfal. A equipe lidera seu grupo na segundona e vem com uma sequência imparável: 45 jogos de invencibilidade, a maior de uma equipe boliviana na história.

Já se vão 10 anos da última participação do Destroyers na primeira divisão. E disputar a segundona do Campeonato Boliviano costuma ser missão bastante ingrata. Primeiro, porque os participantes precisam fazer por merecer para estar ali, classificando-se através das competições locais. Além disso, nos últimos anos, apenas o campeão tem o acesso garantido, com o vice precisando disputar uma repescagem contra o penúltimo da elite. Após se ausentarem da liga na última temporada, os Cuchuquis voltaram como vencedores da Copa Bolívia 2016. O torneio, além de garantir a presença, também serviu para encorpar a sequência de vitórias, que começou em março do ano passado.

Em outubro, o Destroyers deu início à nova empreitada na Nacional B. Um desempenho arrasador desde então: foram quatro vitórias na fase de classificação e, na atual etapa do torneio, o clube cruceño venceu três de seus quatro primeiros jogos. Os dois primeiros colocados da chave com cinco times avançam à próxima fase, as semifinais. Os ganhadores dos confrontos em ida e volta passam à final, para, enfim, se determinar quem fica com o acesso direto e quem vai para o playoff de descenso.

Considerando os dados escassos, fica difícil de afirmar qual o tamanho do feito do Destroyers na história do futebol da América do Sul. Ainda assim, dá para comparar com alguns parâmetros. No Brasil, por exemplo, um time de elite nunca passou de 52 jogos de invencibilidade – em sequência registrada pelo Botafogo (de setembro de 1977 a julho de 1978) e pelo Flamengo (de outubro de 1978 a maio de 1979), incluindo aí também amistosos. Já entre as primeiras divisões do continente, apenas quatro times estabeleceram marcas maiores: Boca Juniors (59 partidas, 1924-27), Peñarol (56, 1966-69), Racing, 51 (1913-16) e San Lorenzo (48, 1926-27). No Brasileirão, o máximo foi de 42 jogos, registrado pelo Botafogo, entre 1977 e 1978.

A série do Destroyers é um orgulho, mas, de qualquer forma, o interesse maior se concentra no acesso. Para isso, os Cuchuquis precisam manter o foco até o final da campanha, inclusive nos mata-matas. Trabalho árduo ao brasileiro Ubirajara Veiga, técnico dos cruceños durante toda a façanha. Nascido em Porto Alegre, o comandante tem quase 30 anos de carreira, desdobrada principalmente no Nordeste. Dirigiu a seleção do Uzbequistão nas eliminatórias da Copa de 1998 e esteve à frente do ASA de Arapiraca na famosa vitória sobre o Palmeiras de 2002, pela Copa do Brasil. Agora, poderá levar um clube tradicional de volta à elite boliviana, e de um jeito irrepreensível.

A dica de pauta foi do leitor Leandro Paulo

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo