São Paulo cai de cabeça erguida. Mas cai: o Atlético Nacional está na final da Libertadores
O plano do São Paulo era claro e óbvio para qualquer um, o que não quer dizer que era de fácil execução. Precisava pressionar para marcar cedo contra o Atlético Nacional e manter a solidez defensiva para não se complicar ainda mais. Deu tudo certo na primeira parte. Deu tudo errado na segunda. Com uma vitória por 2 a 1, dentro de casa, somada ao triunfo por 2 a 0 no Morumbi, o Atlético Nacional está na final da Libertadores pela primeira vez desde 1995.
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Todos sabiam que era uma missão difícil para o time paulista, que precisaria de uma partida impecável para se classificar. Diante de um adversário entre o acomodado com a vantagem e o temor de cometer erros que recolocassem o São Paulo no jogo, os visitantes foram melhores nos primeiros dez minutos da partida e conseguiram abrir o placar com Calleri, que completou, de cabeça, um ótimo cruzamento de Michel Bastos.
Era manhã de Natal para os brasileiros, que tinham muito tempo para buscar o segundo gol e levar a decisão para os pênaltis, resultado que até os mais otimistas já considerariam de bom tamanho. Mas não poderiam permitir que o Atlético Nacional marcasse. E a defesa do São Paulo não costuma ser muito boa nisso, principalmente em jogos fora de casa – havia sido vazada pelo menos uma vez em 20 das 22 partidas que disputou longe dos seus domínios este ano.
E no outro lado estava Borja, o nome e o rosto da eliminação do São Paulo. O atacante que havia feito os dois gols no Morumbi empatou o jogo, sete minutos depois de Calleri abrir o placar. Lugano estava longe e fez o movimento de tentar interceptar o passe, mas hesitou. Bruno correu atrás, mas não conseguiu chegar. O artilheiro do Atlético Nacional bateu cruzado, de canhota, e empatou.
O gol serviu para os colombianos acordarem e começarem a envolver o São Paulo. Impuseram sua melhor qualidade técnica e, sempre que encaixavam uma boa troca de passes, levavam perigo. Marlos Moreno perdeu duas chances claras, ainda no primeiro tempo, ambas em jogadas que surgiram em cima do lateral esquerdo Mena, em noite trágica. Mas finalizou mal. No outro lado, o São Paulo quase fez o segundo, com uma cabeça de Calleri no travessão.
Quando os times já estavam preparando-se para o intervalo, o árbitro chileno Patricio Polic deu sua primeira contribuição ao espetáculo. Hudson foi derrubado dentro da área, no momento em que arrumava o corpo para finalizar uma chance cara a cara com Armani, e o juiz não apitou nada. Ainda deu cartão amarelo para Lugano, que acabaria causando a expulsão do zagueiro uruguaio na segunda confusão da arbitragem na partida.
Mesmo irritado com o erro da arbitragem, o São Paulo estava em posição melhor que antes de o jogo começar. Ainda precisava de dois gols, mas se classificaria diretamente para a decisão, sem ter que passar pelos pênaltis. O tempo, claro, era mais curto. Mas o São Paulo parou de jogar. Não deu um chute a gol no segundo tempo.
Enquanto isso, o Atlético Nacional jogava solto. Quase ampliou, novamente com Borja, mas Denis fez boa defesa. O infernal atacante fez boa jogada, quatro minutos depois, driblou o goleiro são-paulino e Berrío chutou ao gol quase vazio. Quase, porque Bruno estava esperto e salvou o São Paulo da eliminação certa. Moreno fechou na segunda trave para completar cruzamento de Berrío, de novo em cima de Mena, e não chegou por pouco.
O caixão tricolor foi fechado aos 30 minutos do segundo tempo. Carlinhos foi na bola com os braços levantados e a bloqueou. Pênalti claro que, desta vez, o árbitro marcou. Borja cobrou bem e completou sua semifinal brilhante, com os quatro gols da vitória agregada do Atlético Nacional por 4 a 1. E, então, não tivemos mais jogo: assim que a penalidade foi cobrada, começou uma grande confusão, em que Lugano, por ter aplaudido Polic ironicamente – ele alega que estava incentivando seus companheiros -, e Wesley foram expulsos.
Com dois jogadores a menos, fora de casa, precisando fazer três gols em cerca de dez minutos, o São Paulo estava eliminado da Libertadores. Mas caiu de pé. O jogo de ida, no Morumbi, estava equilibrado até a expulsão, também contestável, do zagueiro Maicon. Bauza errou ao não colocar outro zagueiro, e o Atlético Nacional fez 2 a 0. Na Colômbia, chegou a assustar os donos da casa e poderia ter terminado o primeiro tempo vencendo. Mas, depois do erro de arbitragem, perdeu o rumo– o que não deveria acontecer com um time com líderes cascudos, como Lugano, Michel Bastos, Calleri e Bauza – e acabou eliminado pelo time que desempenhou o melhor futebol da competição até aqui.
Acima de tudo, toda sua trajetória na Libertadores foi acima das expectativas. Conseguiu reverter um cenário tenebroso na fase de grupos e chegou às oitavas de final. Passou tranquilamente pelo Toluca e eliminou o Atlético Mineiro. O são-paulino pode lamentar o segundo tempo ruim em Medellín e a arbitragem ainda pior de Polic. Mas pode, também, se orgulhar do time que foi além do que se imaginava na principal competição sul-americana de clubes.



