América do Sul

Santa Fé

A definição veio pela mente e boca do narrador da RCN TV da Colômbia: “São crianças que celebram. Jovens, adultos… Mulheres que nunca haviam vivido este momento. Pessoas que nunca imaginaram o triunfo. É um desejo que se torna realidade. Um sonho rojo! A partida da vida está gravada. Gravada como uma tatuagem indelével na pele e na alma! Ser rojo não se apaga com nada!”. Difícil imaginar um cenário e um sentimento diferente para os torcedores e admiradores de um clube que estava há 37 anos sem conquistar o campeonato colombiano. No último domingo a espera acabou e o Santa Fe voltou a ser vencedor.

Voltou porque este é o sétimo título do clube, um dos grandes do país, mas que viveu essa amargurada seca. A vitoriosa história começou ainda em 1948, quando o Expreso Rojo se tornou o primeiro campeão colombiano da história. Dez anos depois veio o segundo título. Em 1960 e 1966 a terceira e quarta conquistas. Em 1971 e 1975 vieram os títulos de número cinco e seis e depois o jejum…

A profissionalização do futebol colombiano e as grandes injeções de dinheiro em times financiados pelo narcotráfico, como o América de Cali, aumentaram a concorrência e colocaram o Santa Fe, antes protagonista, na condição de coadjuvante. Diversos presidentes, técnicos e projetos de grandes jogadores passaram pelo clube sem sucesso. Nem mesmo um vice-campeonato a torcida alvirubra foi capaz de lamentar nos anos seguintes… O Santa Fe não saía das posições intermediárias da tabela.

A história só mudou em 1989, quando os Cardenales ganharam a Copa Colômbia. Era um título. Não o que os torcedores queriam, já que o rival Millonarios somara 13 conquistas do campeonato nacional, sendo a mais recente delas em 1988. Mesmo assim foi o suficiente para retomar um pouco daquele orgulho perdido.

Em 1996 a rotina de frustrações quase mudou… O Expreso Rojo, porém, foi derrotado pelo Lanús no segundo jogo da final da Copa Conmebol e ficou mais uma vez por baixo. Uma figura daquele time, no entanto, faria história: o zagueiro Wilson Gutiérrez, então com 25 anos. Guarde este nome leitor.

Daquela final em diante pouco aconteceu de relevante do ponto de vista dos resultados. Houve um vice da Copa Merconorte e um vice do Apertura colombiano de 2005, mas nada comparável à tradição do clube, um dos três, ao lado do Atlético Nacional e do Millonarios, que nunca foi rebaixado à segunda divisão do país. Em 2009, porém, a equipe de Bogotá voltou a levantar uma taça depois de 20 anos. Novamente foi uma Copa Colômbia, mas mesmo assim foi um título. Aquela foi a primeira conquista do camisa 10 argentino Omar Pérez com o clube. Guarde também este nome leitor.

Nos dois anos seguintes o Santa Fe passou em branco, mas foi dando forma a um bom time. Principalmente no segundo semestre de 2011, depois que o técnico Arturo Boyacá foi demitido. Sem opções no mercado a diretoria decidiu efetivar o auxiliar-técnico no cargo. Seu nome: Wilson Gutiérrez. Em seu segundo trabalho o ex-zagueiro Rojo, de apenas 40 anos, conseguiu levar a equipe a uma boa campanha na Copa Sul-Americana, em que a equipe de Bogotá derrotou o Botafogo e chegou às quartas de final. No Colombianão o resultado foi uma queda nas semifinais.

O Apertura 2012 começou com uma série de resultados ruins para o Santa Fe. Nos oito primeiros jogos a equipe conseguiu uma vitória, uma derrota e seis empates no Apertura. Ninguém acreditava que Wilson Gutiérrez, um novato, pudesse tirar algo daquele time, quanto mais encerrar o jejum de 37 anos sem títulos. Se os 49 treinadores que passaram pelo clube desde 1975 não conseguiram, porque ele conseguiria? A direção, no entanto, acreditava no projeto e o tal do futebol novamente surpreendeu… No clássico contra o Millonários veio a reação. O 4 a 3 conseguido contra o maior rival foi a senha para uma arrancada que deixou os Cardenales na segunda posição da fase de pontos corridos. Nos quadrangulares decisivos o time continuou a progredir e, graças aos gols do boliviano Diego Cabrera e de Omar Pérez, o craque, o camisa 10, um dos bons jogadores do Boca Juniors campeão da Libertadores 2001 e protagonista desde a sua chegada ao clube.

Na decisão contra o Deportivo Pasto, tudo conspirava a favor do time bogotano. A camisa do Santa Fe era mais pesada, o momento do clube era melhor e a decisão seria em casa. O 1 a 1 do primeiro jogo deixou alguns aflitos, mas a presença da torcida e a vontade de expurgar a seca de vitórias foi determinante. Aos 25 minutos do segundo tempo Omar Pérez cobrou uma falta quase da intermediária. A jogada era manjada; havia sido usada com constância durante toda a campanha. Mesmo assim a bola foi… E achou a cabeça do centroavante Jonathan Copete. O 1 a 0 levou a arquibancada do El Campín ao delírio. O Pasto nem foi capaz de reagir. A história estava escrita. Wilson Gutiérrez, o ex-interino, o inexperiente, havia guiado o Independiente Santa Fé à glória… Torcedores que por anos e anos foram ridicularizados pelo jejum agora podiam soltar o grito de campeão pela primeira vez. Outros, mais velhos, lembravam com glórias os tempos de outrora…

“São crianças que celebram. Jovens, adultos… Mulheres que nunca haviam vivido este momento. Pessoas que nunca imaginaram o triunfo. É um desejo que se torna realidade. Um sonho rojo! A partida da vida está gravada. Gravada como uma tatuagem indelével na pele e na alma! Ser rojo não se apaga com nada!”

Mais colombianas

O título do Santa Fe também marcou o retorno do título nacional à capital colombiana. O último time de Bogotá campeão havia sido o Millonarios, em 1988. De lá pra cá tivemos conquistas em Cali, Manizalles, Ibagué, Medellín e até mesmo Pasto.

Chilenas

– No Chile o Clausura já tem duas rodadas e apenas uma equipe com 100% de aproveitamento. Palpites? Sim, trata-se de La U, muito embora os azules tenha jogado apenas uma vez: vitória por 5 a 2 contra o Deportes La Serena.

– Quem lidera a competição é o Palestino, que tem quatro pontos após o empate com o Huachipato. Dividem a liderança, também com quatro pontos, Colo-Colo, que empatou em 1 a 1 com o O'Higgins, Rangers, que ficou no 1 a 1 com a Unión San Felipe, Cobresal, que venceu a Unión Española por 2 a 1, e Unión La Calera, que fez 1 a 0 no Cobreloa.

– No mercado de transferências a Universidad de Chile anunciou a contratação do meia Luciano Civelli, ex-Libertad, e negou a possibilidade de venda do zagueiro Pepe Rojas, que teve proposta do Corinthians.

Peruanas

– Mudança de líder no Peruanão! Depois de rodada dupla na semana, o novo dono da primeira posição é o Sporting Cristal, que chegou a 47 pontos depois de vencer a Unión Comercio e o Melgar. A segunda posição é da Universidad César Vallejo, que tem 44 pontos depois de vencer o José Gálvez e empator em 0 a 0 com o Juan Aurich. O Real Garcilaso é o terceiro, também com 44 pontos.

– O destaque da semana, no entanto, foi o clássico peruano entre Alianza Lima e Universitario. O confronto dos dois gigantes, abalados pelas dívidas e problemas financeiros, foi vencido pelo Universitario por 2 a 1. O triunfo deixa as duas equipes empatadas com 28 pontos, na 12ª e 13ª posições.

Equatorianas

– Bola rolando também no Segunda Etapa do Equador. A primeira rodada teve cinco triunfos e apenas um empate. Melhor para o Macará, que fez 2 a 1 no Deportivo Quito, para a LDU, que ganhou do Manta, também por 2 a 1, para o Independiente José Teran, que venceu a Liga de Loja por 2 a 0, para o Barcelona, que derrotou o Olmedo por 2 a 1 e para o Emelec que aplicou 1 a 0 no Deportivo Cuenca.

– O único empate foi entre El Nacional e Técnico Universitario: 2 a 2.

Bolivianas

– O Jorge Wilstermann, que voltou na metade deste ano à elite do futebol boliviano, venceu o Bolívar nos pênaltis e se sagrou campeão da Copa Cine Center, torneio de pré-temporada do país.

– O Apertura 2012 começará neste fim de semana com os seguintes jogos: Real Potosí x Petrolero // La Paz x Blooming // Nacional Potosí x Universitario // The Strongest x Jorge Wilstermann // Aurora x Bolívar e Oriente Petrolero x San José.

– Lembrando que este é o primeiro torneio da temporada, que agora segue o calendário europeu.

Paraguaias

– O Apertura paraguaio começa no dia 27 de julho.

– Entre as notícias da janela de transferências, destaque para a chegada de três atacantes ao Olimpia: Freddy Bareiro, Nestor Bareiro e Juan Manuel Salgueiro. Outros três atletas de peso deixaram o clube: os atacantes Pablo Zeballos e Luis Caballero foram para o Krylia Sovetov, da Rússia, enquanto o zagueiro Nájera foi para o Atlético Nacional, da Colômbia.

– No Cerro Porteño saíram o meia Cáceres e os atacantes Edgar Benítez e Roberto Nanni, mas chegaram o defensor Carlos Bonet, ex-Libertad, e o atacante Germán Alemanno, que estava no futebol mexicano. A equipe ainda trouxe o goleiro Roberto Fernández, os zagueiros Gonzalo Viera e Carlos Espínola e o também atacante Hernán López.

Uruguaias

– No Uruguai ainda não há data para o início do Apertura 2012, de maneira que as notícias ficam restritas ao mercado de transferências.

– O Peñarol apresentou o seu pacotão de reforços, que conta com o zagueiro Macaluso, que jogava no Gimnasia da Argentina, o lateral Aureliano Torres, ex-Toluca, os meiocampistas Antonio Pacheco e Sebastián Vázquez, ex-Wanderers e Cerro Largo, respectivamente, e o atacante Juan Manuel Olivera, que estava nos Emirados Árabes, mas que se destacou pelos próprios manyas na Libertadores de 2011. Saíram Luis Aguiar, Nicolás Freitas, João Pedro, Rodrigo Mora e Maxi Pérez.

– No Nacional saíram os atacantes Richard Porta e Joaquín Boghossian e os defensores Placente, Poclaba e Abero. As contratações até agora foram dos atacantes Taborda, ex-River do Uruguai, Jonathan Ramírez, ex-Vélez, e dos defensores Adrián Romero, ex-Olímpia, Alejandro Lembo, que volta após passagem pelo Belgrano da Argentina, e Juan Manuel Díaz, que estava no River Plate.

Venezuelanas

Na Venezuela o Apertura só começa no dia 11 de agosto. Enquanto isso as equipes vão fazendo uma pré-temporada pra lá de boa, tendo em vista que o campeonato anterior terminou no dia 13 de maio.

Mais deste colunista no www.dynamodudziak.blogspot.com e no @gabrieldudziak

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