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Santa Fe tirou Medina das drogas e a retribuição foi imensa

Wilder Medina viveu momentos negros em sua vida por causa de dependência química. Destaque no time do Deportes Tolima que eliminou o Corinthians da Libertadores, o atacante foi pego sucessivas vezes no exame antidoping a partir de 2011. Viciado em maconha e cocaína, acumulou 15 meses de suspensão. Acabou demitido pelo clube em setembro de 2012, por mais um flagrante de consumo de drogas. Uma carreira que tinha tudo para desmoronar, mas que ganhou novo rumo depois que o Independiente Santa Fe estendeu a mão ao jogador.

Os Cardenales não ofereceram apenas um contrato para Medina. O clube também bancou a sua reabilitação, fornecendo tratamentos médicos, psicológicos e espirituais. Por dois meses, o atacante permaneceu internado para se recuperar da dependência química. Então campeão colombiano e já garantido na Libertadores, o Santa Fe confiava que teria o artilheiro necessário para a competição continental. Como retribuição, ganhou não apenas um atleta na melhor forma de sua carreira, como também muitos gols.

“As palavras se vão com o vento. Quero demonstrar minha vontade de mudar. Quero demonstrar que se pode. Demonstrar a mim mesmo que posso recuperar minha carreira e demonstrar a minha família que posso ser uma nova pessoa para eles”, disse, em entrevista ao Fútbol Red, em outubro de 2012, logo depois de ser contratado pelo Santa Fe. “Tenho muitos gols para marcar. Sonho jogar a Libertadores e ir para a Europa. Pode parecer absurdo para muitos, mas eu sei que confiando em Deus tudo é possível”.

A esperança no potencial de Medina também foi expressa por Wilson Gutiérrez, técnico dos Cardenales e um dos principais responsáveis por sua contratação: “Deus é quem lhe brinda com a oportunidade através do Santa Fe e esperamos que sejamos o meio para poder recuperá-lo. Primeiro como pessoa, depois como esportista”.

Depois de um ano e quatro meses sem disputar uma partida oficial, Wilder Medina voltou aos gramados de maneira triunfante. Foi titular nas duas partidas da Supercopa da Colômbia, que acabou com o título do Independiente Santa Fe no clássico contra o Millonarios. Já na reestreia no Campeonato Colombiano, o atacante balançou as redes duas vezes para garantir a vitória sobre a Alianza Petrolera. Medina manteve firme a sequência de gols nos meses seguintes. O atacante é o artilheiro da liga nacional, com 11 tentos em 12 partidas, e uma das grandes razões para que o Santa Fe ocupe a liderança.

Na Libertadores, a frequência das comemorações não é a mesma, com dois gols em sete jogos. Entretanto, foi Medina quem marcou o gol da vitória contra o Grêmio. Aquele que recolocou os Cardenales entre os oito melhores times da América do Sul pela primeira vez desde 1961, quando foi disputada a segunda edição do torneio. Um gol nascido da persistência do jogador, que já valeu toda a confiança depositada pelo clube em sua reabilitação.

CARLOS VALDERRAMAAos 32 anos, Medina provavelmente não terá espaço em um grande clube da Europa, conforme seu sonho. Todavia, se mantiver a excelente média de gols, pode sonhar com uma chance na seleção colombiana. Além do pedido da torcida do Santa Fe por um chamado aos Cafeteros, o atacante é bancado até mesmo pelo ídolo Carlos Valderrama. Em entrevista recente, o ex-meio-campista afirmou que “Medina para jogar em qualquer equipe do mundo e, pelo que tem feito, merece uma oportunidade”.

A concorrência é duríssima, com Radamel Falcao García, Teófilo Gutiérrez, Jackson Martínez, Carlos Bacca e Dorlan Pabón inspirados. De qualquer forma, para quem há seis meses estava em uma clínica de reabilitação, servir a equipe nacional em um simples amistoso já seria uma grande vitória. Depois de superar a dependência química e de classificar o Santa Fe às quartas de final da Libertadores, um passo a mais para Medina.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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