Santa Fe: do descrédito às oitavas da Libertadores
A derrota do Libertad por 1 a 0 diante do Palmeiras derrubou mais um invicto na Copa Libertadores 2013. Agora restam dois: o absoluto e favorito Atlético Mineiro, com seus assustadores 100%, e o Independiente Santa Fe. Pois é… O “coitadinho” e modesto time colombiano, que não participava do torneio continental desde 2006, está classificado e não foi vencido nenhuma vez. Mais do que sorte ou fatores alheios à lógica, o desempenho consistente é fruto da aplicação tática, dedicação dos atletas e desempenho técnico de uma ou duas figuras mais habilidosas – como tem que ser qualquer equipe sem a pujança financeira de um clube brasileiro.
Foram cinco jogos dos Cardenales até agora, com três vitórias – duas diante do Cerro Porteño e uma contra o compatriota Tolima – e dois empates – Real Garcilaso na altitude de Cuzco e Tolima em Ibagué. Na última rodada o duelo com os peruanos é em Bogotá, e um empate garante a primeira posição do grupo.
Além dos ótimos resultados em um grupo no qual corria por fora como terceira força, chama a atenção a capacidade de o Santa Fe buscar os resultados. Tirando o primeiro confronto, em que saiu na frente e tomou o empate do Garcilaso, em outros três jogos foi a equipe de Bogotá que teve a desvantagem no marcador. Na primeira partida contra o Tolima, os compatriotas saíram na frente aos 4 minutos de jogo. Dez minutos depois, os Cardenales igualaram. Diante do Cerro, a abertura do placar foi paraguaia aos 44 minutos do primeiro tempo. Aos 13 da segunda etapa veio a igualdade e 18 minutos depois a virada. Já no segundo confronto com o Cerro Porteño a vitória foi simples por 1 a 0, enquanto na última terça-feira o Santa Fe uma vez mais saiu atrás aos 10 do segundo tempo e conseguiu virar com gols aos 15 e 32.
É como se a equipe tivesse que “pegar no tranco” para mostrar seu futebol. Embora tal expediente não seja muito auspicioso, ele tem se mostrado confiável. Não é uma estratégia, mas é fato que o Santa Fe não está acostumado a dominar a ação de jogos em nível continental, razão pela qual se lança ao ataque com protagonismo apenas quando “necessário”.
O próprio estilo de jogo do Santa Fe favorece tal abordagem. Longe de ser um time de cadência e técnica apurada, a equipe de Bogotá é sempre objetiva. Na maior parte das vezes não são necessários mais do que seis ou sete toques para que haja uma definição da jogada – seja ela boa ou ruim. No 4-2-3-1 do técnico Wilson Gutiérrez, a bola sempre procura o camisa 10, Omar Pérez. O argentino, um dos bons jogadores do Boca Juniors campeão da Libertadores 2001, é a referência técnica do setor ofensivo e assume a bronca com qualidade rara, seja nas bolas paradas (principal arma deste time), batendo para gol ou acionando os rápidos Arias, Cuero, Borja ou Medina, dependendo da formação do trio de ataque em cada partida.
É bem verdade, no entanto, que a bronca foi muito maior em 2012. Graças à classificação para a Libertadores deste ano, o Independiente Santa Fe foi capaz de atrair seis patrocinadores – sendo o principal a montadora japonesa Honda – e consequentemente teve dinheiro para ir às compras. No mercado de janeiro vieram dez jogadores, entre eles os próprios Medina – ex-Tolima – Cuero e Molina, o meiocampista Jhon Valencia e o zagueiro Carlos Valdés, que veio do Philadelphia Union e que tem sido titular da seleção colombiana.
A presença de Valdés, aliás, dá um novo referencial à equipe, sobretudo porque a parte defensiva é a que mais preocupa para a sequência da competição. O goleiro Camilo Vargas é bom valor, mas tem sofrido muito nesta fase de grupos e feito grandes milagres. Exatamente por isso e por não ser capaz de impor seu estilo direto de jogo, o Santa Fe não parece que terá vida longa na Libertadores. A capacidade de reação e a entrega do grupo, no entanto, dão alento a quem imagina uma nova façanha. Para um time que ficou 37 anos sem conquistar um título nacional, o momento é de deleite. O Expreso Rojo, o primeiro campeão colombiano, está de volta. É isso que importa.
Mais colombianas
O Apertura 2013 é mais um torneio marcado pelo nivelamento dos times em solo cafetero. Após a nona rodada, quatro times estão empatados na liderança com 17 pontos. A exceção é o Itagüí, que após a vitória por 2 a 1 sobre o Envigado soma um jogo a mais. Os outros ponteiros são o Millonarios, que derrotou o Santa Fe por 3 a 1 no clássico de Bogotá, o próprio Santa Fe e o Deportivo Pasto, que perdeu do Deportivo Cali.
Bolivianas
-No Clausura da Bolívia a 13ª rodada consolidou o Oriente Petrolero como líder após a vitória por 2 a 0 sobre o La Paz. Isso porque o Bolívar foi derrotado pelo The Strongest no maior clássico do futebol nacional por 2 a 0. Desta forma o Oriente tem 29 pontos, enquanto o Bolívar ficou com 28, mas em 12 jogos.
– O Jorge Wilstermann é o terceiro com 22 pontos em 13 jogos após vencer o Universitario de Sucre por 1 a 0.
– O The Strongest é o sétimo com 17 pontos em 11 jogos.
Paraguaias
– No Apertura paraguaio o Nacional ficou no empate por 0 a 0 com o Guaraní, mas continua na liderança devido à derrota do General Díaz para o Cerro Porteño por 3 a 2. Desta maneira o Nacional tem 18 pontos contra 16 do General Díaz, que é o segundo. O Libertad é o terceiro, com 13 pontos, após empate por 0 a 0 com o Deportivo Capiatá.
– O Olimpia é o quinto, com 12 pontos. O Cerro Porteño é o penúltimo, com seis pontos.
Chilenas
– No campeonato chileno a Unión Española segue em ótimo momento. Na última semana a equipe venceu a Universidad Católica por 3 a 1 e chegou a 25 pontos em dez jogos. A Universidad de Chile tem 20 pontos após vitória por 4 a 3 sobre o Huachipato. O O’Higgins tem a mesma pontuação e a Católica é a quarta, com 19 pontos.
– O Colo Colo, ainda sem técnico, venceu o Everton por 3 a 0 e subiu para a oitava posição, com 14 pontos. Nos bastidores se especula que Cláudio Borghi vá assumir o Cacique.
– Vale lembrar: neste ano o campeonato não terá playoffs, sendo decidido em um turno por pontos corridos.
Equatorianas
– Mesmo sem jogar há duas rodadas, o Emelec segue na liderança do Campeonato Equatoriano e com boa vantagem. A equipe tem 24 pontos em oito jogos e não foi alcançada pelo Deportivo Quito, que empatou por 0 a 0 com o Manta e chegou a 18 pontos em dez jogos, e nem pela LDU, que também tem 18 pontos em dez jogos após vitória por 1 a 0 contra o Barcelona.
– O rival de Guaiaquil, aliás, é apenas o sétimo, com 11 pontos.
– O Deportivo Quito, por sua vez, apesar da boa colocação enfrenta sérios problemas financeiros. O clube não paga salários há tempos e a venda para investidores é considerada como única alternativa para a agremiação seguir funcionando.
Venezuelanas
Na Venezuela o Zamora venceu o Monagas por 3 a 2 e manteve a ponta da tabela, agora com 27 pontos em 12 jogos. O Trujillanos é o segundo, com 25, depois de vencer o Atlético El Vigía por 2 a 0. O Anzoátegui é o terceiro, com 23 pontos, mas em dez jogos, o último deles uma derrota por 3 a 1 para o Yaracuyanos.
Peruanas
No Descentralizado 2013 o Alianza Lima segue líder após vencer o José Gálvez por 1 a 0 e chegar aos 17 pontos em oito jogos. O Sporting Cristal é o segundo, com 16, depois de vencer o UTC de Cajamarca por 2 a 0. O Garcilaso também tem 16 pontos, mas é o terceiro, com sete jogos.
Uruguaias
No Campeonato Uruguaio o Danubio segue em ótimo momento e lidera o torneio, com 15 pontos após vitória por 1 a 0 contra o El Tanque Sisley. O Peñarol é o segundo, com 14 pontos, depois de vencer o Cerro Largo por 2 a 0. O River Plate é o terceiro, seguido pelo Defensor Sporting e pelo Nacional, que tem 12 pontos depois de estrear seu novo técnico, Rodolfo Arruabarrena, no triunfo por 4 a 3 contra o Bella Vista.



