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Santa Cruz herói, voleio de Chumacero, virada impossível: A noite fantástica de Libertadores

Tem dias em que a Copa Libertadores capricha em seus heróis. Que agracia os estádios sul-americanos com histórias incríveis, dignas dos melhores escritores do realismo fantástico. Mas, nesta etapa decisiva da segunda fase qualificatória, o delírio e loucura em Sudamérica atravessaram a semana inteira. A terça-feira foi aberta com a epopeia do Atlético Tucumán. Depois, Atlético Paranaense e Botafogo se classificaram em partidas cardíacas. Já nesta quinta-feira, três confrontos com personagens que só podem ter saído de mentes geniais como as de Gabriel García Márquez ou Jorge Luis Borges. Guarde estes três nomes: Alejandro Chumacero, Roque Santa Cruz e Roberto Gamarra.

O dia de América começou em La Paz. Depois de ter vencido no Uruguai por 2 a 0, o Strongest tinha o caminho aberto contra o Montevidéu Wanderers. E os aurinegros não encontraram problemas para atropelar na altitude, goleando por 4 a 0. Matías Alonso pode ter sido mais decisivo, com dois gols e uma assistência. Mas a figura da partida foi mesmo Alejandro Chumacero. O talento boliviano já viveu grandes momentos na Libertadores. Nenhum deles tão belo quanto o desta quinta: o ‘Schweinsteiger dos Andes’ emendou um voleio fabuloso, mandando a bola no ângulo da meta uruguaia. Certamente um dos gols mais belos da competição nos últimos anos. Repare na reação do companheiro Pablo Escobar:

Após o brilho de Chumi, outro velho conhecido das canchas sul-americanas deu as caras no Paraguai. O Olimpia perdera a ida contra o Independiente del Valle por 1 a 0 e precisava da vitória a qualquer custo em Assunção. Os franjeados começaram fazendo o serviço, abrindo dois gols de vantagem, com Julian Benítez e Brian Montenegro. O problema é que os guaranis permitiram que os equatorianos descontassem aos 44 da primeira etapa. Falta cobrada por Gabriel Cortéz que o goleiro Librado Azcona aceitou. Justo ele, herói na campanha do Del Valle até a final da Libertadores de 2016, auxiliava o ex-time com um frangaço.

Outro ídolo dos vice-campeões continentais, o técnico Pablo Repetto ousou em suas alterações no segundo tempo. O comandante colocou o Olimpia para frente, tirando um zagueiro para promover a entrada do veteraníssimo Roque Santa Cruz, de volta ao clube no qual surgiu. Além disso, apostou na entrada do jovem Walter Bogado, de 17 anos. Os salvadores dos franjeados. Aos 37, o garoto cruzou e Santa Cruz completou para as redes. Foi o primeiro gol do centroavante pela Libertadores desde 24 de fevereiro de 1999, no clássico contra o Cerro Porteño. Cinco dias depois, Bogado nasceu.

E enquanto o Olimpia celebrava sua classificação, os Andes viravam do avesso no Peru. O Universitario tinha o confronto nas mãos. Venceu o time mambembe do Deportivo Capiatá por 3 a 1 na visita ao Paraguai e possuía várias combinações favoráveis para o reencontro em Lima. Pois os cremas sucumbiram diante de um verdadeiro milagre. O rodado Roberto Gamarra começou calando o Estádio Monumental com dois gols no primeiro tempo. Já aos 22 do segundo tempo, Dionisio Pérez anotou 3 a 0 no placar, dando a vaga aos paraguaios. O Universitario pressionou no fim tentando forçar os pênaltis, em vão. Ao apito final, o time treinado por Diego Gavilán (aquele mesmo, parceiro de Santa Cruz em duas Copas do Mundo) comemorou como se tivesse conquistado um título – algo natural, para quem estreia no torneio continental.

Na terceira e última fase qualificatória da Libertadores, o Deportivo Capiatá vai encarar o Atlético Paranaense. O Olimpia oferece outro adversário de peso ao Botafogo, enquanto o Strongest mede forças com a Unión Española. Por fim, completam os confrontos Junior de Barranquilla e Atlético Tucumán. As partidas de ida acontecem já na próxima semana.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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