América do Sul

Review Apertura Chileno 2011

O Apertura 2011 no Chile começou de forma bastante distinta para Universidad Católica e Colo Colo. Enquanto La UC vinha embalada pelo título da temporada 2010, conquistado após nove anos de jejum, o Cacique e seu técnico Diego Cagna tentavam recolher os cacos do decepcionante campeonato passado, perdido nas últimas rodadas de forma vexatória. A bem da verdade, Cagna nem teve tempo para tentar. Na terceira rodada do Apertura 2011, após um empate e duas derrotas – uma delas por 5 a 1 para a Universidad de Concepción – o treinador foi demitido. Para seu lugar foi contratado Rubén “El Tolo” Gallego, que chegou bradando pragmatismo para reerguer o time mais tradicional do país.

Enquanto a Católica de Antônio Pizzi dava show, com vitórias convincentes e aplicação tática invejável da equipe – que variava entre três esquemas durante uma mesma partida -, o “Tolo Colo” ganhava na raça e no coração, mas oscilava demais. Alheia à briga dos dois gigantes a Universidad de Chile, de Jorge Sampaoli, mostrava seu futebol sem grandes estrelas, mas bastante ofensivo e efetivo.

Não demorou muito para que as duas universidades se desgarrassem e lutassem pela liderança. A partir da sétima rodada, no entanto, a Católica, com a versatilidade dos laterais Valenzuela e Eluchans, o talento dos meiocampistas Ormeño, Silva e Costa, e a dupla de atacantes Cañete e Pratto, assumiu a liderança e não largou mais. A Universidad de Chile, por sua vez, teve lá suas oscilações, mas a partir da rodada 10 pegou a segunda posição e ficou com ela até o final. Union Española, Palestino e O'Higgins tiveram mais variação de posições, mas também se consolidaram entre os cinco primeiros a pelo menos três rodadas do início dos playoffs. Dali pra baixo é que o bicho pegou…

Na última rodada San Felipe, La Calera, Colo Colo, Audax Italiano, Deportes La Serena, Deportes Iquique, Universidad de Concepción, Huachipato e Santiago Wanderers chegaram com condições de brigar pelas três vagas restantes. Melhor para Union La Calera, Union San Felipe e para o Colo Colo, que mesmo com todas as deficiências, ainda conseguiu se classificar na oitava posição, dependendo exclusivamente dos bons momentos de Esteban Paredes e Ezequiel Miralles.

Apesar da classificação, o oitavo lugar não foi nada bom para o Cacique. Afinal de contas, o adversário nas quartas de final foi logo a Universidad Católica, que vinha cheia de moral após a liderança isolada e de ter vencido os rivais no clássico disputado na primeira fase. Por todos esses predicados, o começo do duelo foi atípico. Jogando em casa, empurrado por sua torcida, o Colo Colo fez 2 a 0 com 13 minutos de jogo – dois gols de Paredes. A sorte, no entanto, mudou de lado. Mirosevic, ainda no primeiro tempo, Gutiérrez e Pratto, duas vezes, viraram o jogo e fizeram 4 a 2 para a Católica. No jogo de volta, em seus domínios, La UC administrou e empatou por 1 a 1.

Nos outros jogos das quartas, a Universidad de Chile bateu a Unión San Felipe com um 2 a 1 fora de casa e o 1 a 1 em seus domínios, a Universidad Española perdeu para a Unión La Calera por 1 a 0 fora e não conseguiu virar, e o O'Higgins, mesmo depois de empatar em casa, deu a volta por cima e eliminou o Palestino com um 3 a 0 fora. O emparelhamento então colocou Universidad Católica contra Union La Calera e Universidad de Chile ante O'Higgins. E deu a lógica nas semifinais. Mesmo assim, La UC sofreu. Depois de perder fora de casa por 2 a 1, venceu em seus domínios por 1 a 0 e se classificou por ter realizado a melhor campanha nos pontos corridos. Já a Universidad de Chile perdeu fora por 1 a 0, mas depois fez 7 a 1 em casa, com gols de seis jogadores distintos.

Ou seja, a justiça dos pontos corridos se manteve no mata-mata com a final sendo disputada entre o primeiro e o segundo colocados. Foi um duelo de gigantes, histórico! No primeiro jogo a Universidad de Chile foi pra cima, como é de seu feitio. No lado direito do ataque, Eduardo Vargas, Matías Rodríguez e Charles Aránguiz envolveram a defesa adversária. Mas, a falta de pontaria e o azar da equipe, que jogava em casa, deram uma enorme vantagem à Católica, que fez 2 a 0 em contra-ataques; primeiro com Tomás Costa e depois, aos 46 minutos do segundo tempo, com Mirosevic.

No jogo decisivo o cenário era o seguinte: a Católica jogaria em casa podendo perder por 2 a 0 que ainda assim seria campeã. Com tamanha vantagem poucos acreditavam em uma virada, mas ela começou a ficar mais palpável logo aos 15 minutos, depois que o meia-atacante Gustavo Canales fez de pênalti o 1 a 0. Aos 23 um balde de água fria após o gol de Lucas Pratto decretar a igualdade. Mas, tal qual no discurso, “no está muerto quien pelea”. No lance seguinte, Eluchans, de campeonato exemplar, jogou contra as próprias redes da Católica. Aos 36, a jogada capital: após uma falta, Tomás Costa da UC foi expulso.

Na segunda etapa a pressão da Universidad de Chile funcionou. Aos 6 minutos Canales, outra vez de pênalti, fez 3 a 1. Faltava um gol, apenas um gol para a equipe fazer um resultado digno das histórias mais fantásticas do futebol. E ele aconteceu… Cinco minutos depois o atacante Edson Puch bateu e Canales desviou para as redes. Quatro a um e desespero dos torcedores e jogadores da Católica que a todo custo tentaram um golzinho, mas que nada conseguiram.

Vitória da superação e da união de uma equipe. Um dado mostra o quanto esse chavão foi verdadeiro: a Universidad de Chile teve três jogadores entre os cinco artilheiros do campeonato; Canales com 11 gols, Puch, com 9, e Vargas, também com 9. Além deles também comemoraram o título, que não vinha desde 2005, nomes de igual importância, apesar de pouco badalados, como o goleiro Johnny Herrera, ex-Corinthians, o zagueiro e capitão José Rojas e o defensor/ lateral Eugenio Mena. E no final a frase do técnico Jorge Sampaoli resume bem o sentimento do time: “Que fique na história da Universidad que nós e os torcedores nunca deixamos de acreditar”.

Copa Sul-Americana

Já estão definidos os confrontos da primeira fase da Copa Sul-Americana 2011. Os primeiros jogos acontecem no dia 3 de agosto Confira:

San Jose (BOL) x Nacional (PAR)
Universidad Cesar Vallejo (PER) x Santa Fe (COL)
Chile 3 (Deportes Concepción ou Universidad de Chile) x Fénix (URU)
Deportivo Quito (EQU) x Deportivo Anzoátegui (VEN)
Olimpia (PAR) x The Strongest (BOL)
La Equidad (COL) x Juan Aurich (PER)
Bella Vista (URU) x Universidad Católica (CHI)
Yaracuyanos (VEN) x LDU (EQU)

Já classificados à segunda fase: Nacional (URU), Libertad (PAR), Universitario San Martin (PER), Deportivo Cali (COL), Emelec (EQU), Trujillanos (COL), Aurora (BOL) e Deportes Iquique (CHI)

Tuitadas da Copa América

Bolívia: Se mantiver seu estilo de forte marcação, pode perder de pouco da Argentina e ganhar da Costa Rica. Há chance de avanço de fase sim.

Colômbia: Tem obrigação de vencer a Costa Rica na estreia. Contra a Argentina a defesa terá que se superar, ainda mais sem o goleiro Ospina

Venezuela: Não é mais aquele time bobo de outrora, mas caiu num grupo muito difícil. Chave da campanha será resultado contra o Equador.

Paraguai: Esqueçam o time que ficou em segundo nas últimas eliminatórias. Desde a Copa o Paraguai oscila demais.

Equador: Na base de Valencia contra rapa, o fraco time equatoriano precisa se garantir contra a Venezuela e contar com a sorte.

Uruguai: Vem muito forte e deve nadar de braçada. Maior problema é ter que contar com Muslera lá atrás.

Peru: Estraçalhado pelos desfalques deve fazer feio na competição. Carrillo e Guerrero são as únicas apostas.

Chile: Se vencer o México se encaminha para uma classificação tranquila. Time bem mais pragmático que a ofensiva seleção de Bielsa.

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Equipe Trivela

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