América do Sul

Review Apertura 2011 do Paraguai

Começou com o Olimpia arrasando a vida dos adversários. Terminou com o título do Nacional, que não vinha desde 2009, e com o Decano amargando mais um campeonato sem vitória, o 21º seguido. Acabou sendo o confronto entre um time estrelado e de muito mais tradição contra um trabalhador, sem dirigentes espalhafatosos e com muito afinco para tornar realidade o sonho de uma conquista.

O Nacional personificou ao longo do campeonato aquele velho bordão dos pontos corridos: a tal da regularidade. Assim, sem espetáculos, sem grandes estrelas e sem atuações memoráveis, mas com um jogo capaz de vencer quando preciso, o Nacional faturou seu oitavo título paraguaio. Desde o início do Apertura a equipe foi a única a rivalizar com o Olímpia, muito porque Cerro, Libertad e Guaraní começaram 2011 pensando apenas na Libertadores. Mesmo assim o time se destacou pela consistência e acabou se dando melhor que os rivais. Venceu a força do conjunto e a união do grupo, tão exaltada nos festejos do time. Jogadores como o goleiro Ignacio Don, o zagueiro Herminio Miranda e o atacante Victor Aquino se destacaram e apareceram bem na hora em que o time precisou.

Já o Olimpia começou com tudo. Nas nove primeiras rodadas foram oito vitórias e uma derrota, com Pablo Zeballos comendo a bola. Nas nove seguintes, no entanto… Foram três vitórias, três empates e três derrotas. A equipe até ensaiou uma recuperação quando o Nacional perdeu pontos fáceis nos jogos finais, mas não foi o suficiente. O fato do Decano precisar que o Cerro vencesse com seus juniores o Nacional na última rodada mostra bem como a equipe foi punida por sua incompetência ao longo do certame. Incompetência, aliás, foi o que não faltou ao presidente do Olimpia, o controverso Marcelo Recanate. Depois de xingar seus jogadores e criticar todos a torto e a direito, o dirigente terminou a primeira parte do ano sem título e sem técnico, já que mandou embora Nery Pumpido a quatro rodadas do final, quando o time ainda tinha chances de se recuperar.

Longe da briga, mas ainda assim com uma boa campanha, o Libertad terminou na terceira posição mostrando que pode fazer mais no Clausura. O fato de a equipe ter chegado às quartas de final da Libertadores acabou alijando o clube da disputa em território nacional. Quando deixou o torneio sul-americano e só se concentrou no Apertura, o time mostrou sua força e arrancou rumo aos 39 pontos. O resultado deixa o Libertad com chances de brigar pela tabela acumulada no final do ano, mas a saída do técnico Gregorio Pérez e quem sabe de alguns destaques do time, como Miguel Samudio, podem colocar algumas dúvidas sobre o desempenho Gumarelo no restante da temporada.

Em situação um pouco mais complicada perante sua torcida, o Guaraní também buscará melhores resultados no Clausura. Depois de ser eliminado da Libertadores sem marcar nenhum ponto, o time conseguiu uma recuperação em solo paraguaio, mas nada que pudesse empolgar o torcedor a ponto de uma aposta em conquista no segundo semestre. Também sem pensar em título está o Rubio Ñu, quinto colocado. A equipe, no entanto, tem muito a comemorar: pelo terceiro torneio nacional consecutivo chega entre os quatro melhores do país. Com atuações inspiradas do atacante Robin Ramírez, vice-artilheiro do campeonato, o clube conseguiu mais uma boa campanha com a dupla Gamarra e Arce, com o zagueirão de diretor e o lateral direito como técnico.

Se o Rubio Ñu consegue a cada dia se firmar mais como quinta força nacional, o Tacuary luta para voltar aos anos de 2007 e 2009, quando representou o Paraguai na Libertadores. Nesse sentido a sexta colocação foi um bom começo. Principalmente porque no Apertura de 2010 o time ficou na lanterna e no Clausura amargou a oitava posição. Além da colocação final honrosa, o desempenho também permite que o Tacuary fuja um pouco mais da tabela do rebaixamento, que leva em conta desempenhos nos últimos quatro campeonatos.

A maior pressão para o Clausura, no entanto, será sobre o Cerro Porteño. Após gastar todas as suas fichas na possível conquista da Libertadores, título que o clube não tem e que o rival Olimpia soma três, o Cerro se encontra em frangalhos. Com 24 pontos em 22 jogos o Ciclón praticamente deu adeus a uma possível primeira posição na tabela acumulada, de forma que ganhar o Clausura é a única opção para título nesse ano. O problema é que o time ainda pode ser desmontado. Há boatos de ofertas por nomes como Jonathan Fabbro, Julio dos Santos, Ivan Piris e Miguel Cáceres. Lidar com essas possíveis perdas e ainda renovar o moral do time após a eliminação frente ao Santos será um trabalho e tanto para o técnico Leonardo Astrada.

Por fim, 3 de Febrero, Independiente, Sol de América, Sportivo Luqueño e General Caballero fizeram um Apertura dentro das expectativas e devem melhorar se não quiserem ter que brigar até o último momento para se safar de um eventual rebaixamento. As piores situações são do novato General Caballero, que está na lanterna da tabela de rebaixamento, mas que pode se safar com um bom Clausura, e do 3 de Febrero, que há muito tempo não atua em bom nível.

Confira a classificação final do Apertura 2011:

1- Nacional……………….47 pts (classificado para a Libertadores 2012)

2- Olímpia…………………42 pts

3- Libertad………………..39 pts

4- Guaraní…………………34 pts

5- Rubio Ñu……………….31 pts

6- Tacuary……………….30 pts

7- Cerro Porteño…………24 pts

8- 3 de Febrero………….23 pts

9- Independiente………..22 pts

10- Sol de América………21 pts

11- Sportivo Luqueño……20 pts

12- General Caballero……17 pts

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo