América do Sul

Recheada de medalhões, La U surpreende no fim e volta a imperar no Chile, campeã do Clausura

O rei do Campeonato Chileno nesta década se restabelece no trono. Depois de quatro campanhas sem conquistas, a Universidad de Chile voltou a imperar no Torneio Clausura. Não era exatamente a favorita à taça, sobretudo diante do desempenho medíocre no Apertura, mas pegou embalo nas últimas rodadas e superou o rival Colo-Colo pelo topo da tabela. Na rodada final, a vitória por 1 a 0 sobre o San Luis serviu para que os azules comemorassem. Enfileiram o 18° título nacional, o quinto desde 2011. Mas, se por um lado La U celebra a sua soberania, por outro ficam os questionamentos sobre o atual momento dos clubes chilenos, demonstrando pouca competitividade no cenário continental.

Treinada desde dezembro pelo argentino Ángel Guillermo Hoyos, a Universidad de Chile começou o campeonato muito mal. Foram três tropeços nas primeiras quatro rodadas, que já deixavam os azules pelo caminho. Precisaram pegar embalo ao longo da competição, especialmente a partir de meados de abril. La U venceu cinco de suas últimas seis partidas, reação fundamental ao triunfo. Na penúltima rodada, a vitória sobre o O’Higgins fora de casa, combinada com o empate do Colo-Colo, colocava os desafiantes no topo da tabela. Assim, precisaram apenas fazer sua parte no compromisso derradeiro diante do San Luis. Felipe Mora anotou o gol que definiu o título.

O elenco da Universidad de Chile é recheado de medalhões. Jhonny Herrera, Gonzalo Jara, David Pizarro e Jean Beausejour compõem a espinha dorsal, entre aqueles com longos serviços prestados à seleção chilena. No meio de campo, o argentino Matías Rodríguez é outro veterano que se achou com a camisa azul, de atuações fundamentais neste Clausura. Dentre os mais jovens, coube a Felipe Mora ser mesmo o grande destaque. O atacante de 23 anos, contratado junto ao Audax Italiano, não se cansou de marcar gols na campanha vitoriosa. Balançou as redes 13 vezes em 15 partidas. Passou em branco em apenas um dos últimos 11 jogos, o que explica bastante a regularidade de La U na luta pela taça.

Com o título, a Universidad de Chile se torna o segundo time confirmado na Copa Libertadores de 2018, após o Strongest. Retornará à principal competição continental após um ano de ausência. Resta saber se dá para esperar algo a mais dos azules. Os clubes chilenos só avançaram uma vez aos mata-matas nas últimas quatro edições do torneio, e só o Deportes Iquique tem chances de salvar a honra do país na atual. Já na Copa Sul-Americana, La U também caiu ao perder os dois jogos para o Corinthians. Os tempos do novo balé azul de Jorge Sampaoli parecem cada vez mais distantes. O problema é se acomodar na nova realidade e, pior, acreditando no velho, ao invés de arriscar rumo ao novo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo