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Ranking das Américas: Argentina

A Argentina talvez ganhasse do Brasil em algum momento do passado. Econômica e tecnicamente não era tão inferior, mas tinha rivalidades mais acirradas, mais paixão, mais impacto nos torneios continentais e mais organização. Perdia em competitividade. Bem, muita coisa mudou. O impacto continental se reduziu, a organização virou piada, a violência extracampo virou um fator ainda mais relevante e, bem, a competitividade aumentou. Pela tradição, ainda é a segunda liga de mais apelo das Américas, mas, pelos critérios desse ranking, acabou ficando para trás do México.

Estrelas – 7 pts

A Argentina ainda está no processo que o Brasil estava há uns cinco anos: os jogadores de nível A e B (e alguns do C) estão fora do país. Mas sempre surge algum garoto de talento e pinta algum jogador conhecido, como Riquelme, Schiavi, Heinze, Camoranesi, Gago, Gabriel Milito… ah, você entendeu.

Público nos estádios – 6

Os grandes clubes têm bons públicos, mas os times de bairro de Buenos Aires e, principalmente, os do interior (tirando os rosarinos) derrubam a média.

Competitividade – 8

O nivelamento por baixo é danoso, mas tem a vantagem de ser democrático e dar emoção. Nove clubes diferentes (Argentinos Juniors, Arsenal, Banfield, Boca Juniors, Estudiantes, Lanús, River Plate, San Lorenzo e Vélez Sársfield) dividiram os onze últimos títulos. Outros quatro (Huracán, Newell’s Old Boys, Racing e Tigre) foram vices nesse período.

Rivalidades – 10

Se você pegar dez amigos e montar um time para jogar em um bairro de Buenos Aires, na semana seguinte aparecerão onze garotos no bairro ao lado e seus jogos serão acirrados como um Boca x River pela final da Libertadores. Todo time tem seu rival, e todo rival é odiado com toda a força possível.

Violência extracampo – 1

Leia esta entrevista. Não dá para dar nota melhor que essa.

Paixão – 10

O time que você montou com os amigos do bairro dois itens acima pode ter só cinco torcedores, mas serão os cinco mais fanáticos do mundo. E estarão apoiando mesmo se você estiver na lanterna da última divisão.

Organização – 5

A Argentina já foi um oásis de organização na América do Sul, mas perdeu esse posto. Regulamentos mudaram, proposta esdrúxula de torneio com 40 clubes foi criada, torneio de um ano terminando no outro por falta de data…

Cobertura da mídia – 9

A TV estatal comprou o direito do Campeonato Argentino em manobra criticável, mas permite que todo mundo veja todos os jogos em TV aberta. Mesmo tirando isso, porém, o futebol argentino merece crédito. Canais dão cobertura intensa a cada rodada, mesmo aos clubes de menos torcida.

Impacto continental – 7

Perdeu muito terreno na última década, mas ainda é a segunda força da América do Sul. E o fato de equipes pequenas e fracas internamente como Arsenal e Tigre terem feito boas campanhas na Sul-Americana ainda mostra como o pelotão de trás da Argentina é competitivo em relação ao de outros países.

Qualidade do jogo – 6

O êxodo de jogadores cobrou seu preço. O futebol é bastante aguerrido e disputado (por isso, divertido), mas é tecnicamente limitado demais. Sobretudo do meio para baixo da tabela.

Foto de Ubiratan Leal

Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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