A mística da garra uruguaia ressurgiu no momento decisivo
Um dos maiores clichês do futebol internacional é a “garra” uruguaia. Ainda assim, é difícil fugir do chavão para explicar o excelente momento vivido pela Celeste. A equipe de Óscar Tabárez se afundava na crise, correndo sérios riscos de não disputar a Copa do Mundo de 2014. Porém, bastou que a hora da decisão chegasse para que os charruas se agigantassem. E se o time parecia fadado outra vez à repescagem, onde já está praticamente garantido, a vaga direta ao Mundial parece bastante palpável.
A vitória sobre a Colômbia no Estádio Centenário foi a terceira consecutiva do Uruguai. A seleção não vencia três compromissos seguidos pelas Eliminatórias desde 1993, quando chegaram a ameaçar a classificação do Brasil à Copa de 1994. Um contraste e tanto para a seca vivida pela Celeste nos meses anteriores, com quatro derrotas e dois empates nas seis partidas anteriores pelo qualificatório.
Mais do que a quantidade, a importância das vitórias uruguaias merece ser ressaltada. A primeira ameaça veio da Venezuela, em Ciudad Guayana. Em um jogo tenso, Edinson Cavani garantiu a vitória por 1 a 0. Depois, o confronto de vida ou morte contra o Peru, que poderia tomar a quinta posição na tabela. A Celeste fez uma partida dedicadíssima na defesa, tanto pela entrega na marcação quanto pelas pancadas. Suportou a pressão em Lima e, graças aos contra-ataques, venceu por 2 a 1.
Já a Colômbia não era um rival direto pelas últimas vagas nas Eliminatórias, mas se colocou como o maior desafio. Mesmo atuando no Estádio Centenário, o Uruguai não se furtou em proteger a defesa, ainda mais pelos desfalques de Diego Lugano, Diego Godín e Martín Cáceres. No final do jogo, Cavani e Stuani marcaram os gols do triunfo por 2 a 0, que estragaram a vida de boa parte dos rivais sul-americanos. Os colombianos não conseguiram a classificação antecipada à Copa, os equatorianos passaram a viver com a ameaça real, os venezuelanos ficaram quase eliminados e peruanos e paraguaios deram adeus à Copa.
Tanto quanto a urgência do momento, a Copa das Confederações também pode ser colocada como um momento fundamental para a virada uruguaia. A evolução dos charruas no torneio foi nítida, do baile tomado contra a Espanha à derrota vendida com custo ao Brasil e à boa atuação contra a Itália na decisão do terceiro lugar. Tabárez aproveitou o período de treinamentos para resolver os problemas do time e impulsioná-lo de volta às vitórias.
A tabela do Uruguai nas duas últimas rodadas das Eliminatórias é a mais difícil entre os sul-americanos. A Celeste visita o Equador em Quito, onde La Tri conquistou 86,3% de seus pontos, em confronto direto pelo quarto lugar; e fecha a campanha em Montevidéu contra a Argentina, que, mesmo já classificada, possui o melhor time do torneio. De qualquer forma, não parecem desafios tão temíveis a Cavani, Suárez e companhia. Com a ‘mística uruguaia’ restaurada, superar obstáculos se torna até natural aos charruas.




