Por um 2º round diferente

De um lado o atual campeão chileno, mas que tomou uma virada histórica por 4 a 1 em casa no jogo decisivo do Apertura. Do outro um time amargurado, que perdeu um título quase ganho em 2010 e que fez um péssimo início de temporada. Dos dois a decepção e a vontade de mudar. Dessa maneira Colo Colo e Universidad Católica, os dois maiores clubes do Chile, se aprontaram para a disputa do Clausura 2011. No entanto, se do lado da Católica a solução foi aproveitar a boa fase dos jogadores para negociá-los, obter lucros e trazer apenas algumas peças, do lado dos colocolinos a medida foi outra: arrecadar e gastar em novos medalhões.
Após a decepcionante oitava posição no Apertura e a eliminação na fase de grupos da Libertadores, o Colo Colo vendeu o meia Cristobal Jorquera ao Genoa, os atacantes Diego Rubio ao Sporting e Ezequiel Miralles ao Grêmio, e o zagueiro Paulo Magalhães, para a rival Católica. Boa parte do dinheiro foi reinvestida nas contratações de Christian Vilchez, zagueiro renomado no futebol local, no segundo volante Osmar Molinas, ex-capitão do Olimpia, do Paraguai, dos atacantes Roberto Gutiérrez, ex-Católica, e Mauro Olivi, ex-Audax, e do lateral Boris Rieloff, que estava no Gimnasia de la Plata. No total os caciques gastaram aproximadamente 6 milhões de dólares no pacotão de reforços.
Nas vendas e compras é possível dizer que a força do Colo Colo praticamente se manteve, com o diferencial de que os atuais são jogadores pedidos pelo técnico Américo Gallego e certamente mais determinados a agradar o comandante. Principal jogador do ataque, Miralles dará lugar a Gutiérrez, que foi eleito melhor atacante da temporada 2010 e que fez cinco gols em dez jogos no Apertura. No meio, o talentoso, mas também inconstante Jorquera, será substituído por Osmar Molinas, que vem de bons desempenhos com o Olimpia e que vai bem tanto na criação, quanto na destruição de jogadas. Por fim, Vilchez coloca Paulo Magalhães no bolso. Deve formar dupla segura e experiente com o uruguaio Scotti.
A Católica, por sua vez, parece ter entrado em uma fase de “realização de lucros” – termo usado no mercado financeiro quando investidores vendem ações valorizadas e embolsam o dinheiro. O excelente time que encantou na Libertadores pela versatilidade e que foi superior aos demais chilenos quando o assunto era pontos corridos, perdeu suas principais peças. Além do técnico Juan Pizzi, que deu lugar a Mario Lepe, e o atacante Gutiérrez, que foi para o Colo Colo, o centroavante Lucas Pratto, comandante de ataque que usava a camisa 2, foi para o Genoa. Cañete, que era do Boca e estava emprestado, foi para o São Paulo. O versátil Eluchans foi para o Banfield e o experiente meia, e espécie de liderança moral do time, Milovan Mirosevic deixou a Católica para defender o Al Ain, dos Emirados Árabes.
Ao contrário do Colo Colo, os substitutos trazidos por La UC não parecem estar à altura dos que deixaram o clube. A melhor contratação foi a do meia Mathías Mier, ex-Peñarol, que pouco ou nada deve a Cañete. De resto… Roberto Cereceda, que não entrou em acordo com o Colo Colo para uma renovação de contrato, chega para a lateral esquerda. Harbottle, vindo de um Apertura ruim, poderá ser um substituto para Mirosevic a longo prazo e César Carignano, artilheiro da segundona chilena, terá a responsabilidade de ficar no lugar do goleador Pratto.
Time por time a Católica sai na frente, já que manteve mal-e-mal a base de uma equipe que teve desempenhos muito bons. O Colo Colo, por outro lado, agregou qualidade ao elenco, mas ainda precisará ter um time de fato. Qual dos dois vai se sair melhor é um mistério, mas uma coisa é certa… A Universidad de Chile, que manteve seus principais jogadores e técnico, sai na frente na disputa do Clausura. A peleja começa nesta sexta. A Católica pega o Iquique, a U. de Chile o La Serena e o Colo Colo o Cobresal.



