América do Sul

Como e por que a dívida do pequeno Cerro do Uruguai uniu os eternos rivais Peñarol e Nacional?

Dois gigantes do futebol uruguaio, Peñarol e Nacional quitaram um débito em atraso do Cerro, que agora pode disputar a primeira divisão

O Peñarol é o maior campeão do futebol uruguaio, com 51 títulos do campeonato e cinco Libertadores. Seu arquirrival é o Nacional, que levantou a taça nacional 49 vezes e conquistou três Glórias Eternas. Não à toa, a dupla faz um dos clássicos mais tradicionais da América do Sul (quiçá do mundo). Só que a rivalidade fica dentro de campo, já que os dois fizeram uma linda parceria nos bastidores.

Isso porque os Aurinegros e os Bolsos se uniram para pagar uma dívida do Cerro. Se o débito não fosse quitado até esta sexta-feira (16), os Villeros seriam rebaixados para a segunda divisão uruguaia. Isso porque a federação do país adota uma postura rígida em relação à saúde financeira de seus clubes. Caso os times fiquem no vermelho, não podem disputar os torneios Apertura e Clausura.

Esse foi o caso do Cerro, que terminou a última temporada na 11ª colocação geral do Campeonato Uruguaio, mas com uma dívida de US$ 670 mil (cerca de R$ 3,3 milhões na cotação atual). Com problemas no caixa, os Villeros não estavam conseguindo saldar o débito em atraso e corriam o risco de rebaixamento automático, com base nas questões econômicas e administrativas.

Em meio a esse cenário, Peñarol e Nacional pagaram parte da dívida do Cerro, que agora está apto a jogar a elite do futebol uruguaio. Obviamente, Aurinegros e Bolsos não doaram o dinheiro, mas sim fizeram um acordo com os Villeros. Entenda como os rivais foram fundamentais nessa história inusitada e o que eles vão ganhar em troca do favor.

Peñarol e Nacional dão ‘mãozinha’ para Cerro no Uruguai

Segundo o jornal Olé, o Cerro conseguiu 80% do valor de sua dívida com a Tenfield, empresa dona dos direitos televisivos do Campeonato Uruguaio. Ou seja, algo próximo a US$ 536 mil (em torno de R$ 2,6 milhões). O restante do valor foi pago pelo Peñarol e pelo Nacional, que desembolsaram quase US$ 70 mil (aproximadamente R$ 347 mil) cada. Com isso, os Villeros foram capazes de resolver a pendência financeira junto à Federação Uruguaia de Futebol (AUF).

Só que os rivais não emprestaram o dinheiro, mas sim negociaram uma proposta. As partidas da dupla com mando do Cerro foram para um estádio “neutro”, o Centenário. Ou seja, Carboneros e Bolsos não vão jogar no Luis Tróccoli, casa dos Villeros. Na 10ª rodada do Apertura, primeiro torno do futebol uruguaio, o Nacional seria o visitante. Já na 4ª rodada do Clausura, seria a vez do Peñarol jogar fora de casa.

Fato é que os rivais pagaram esse preço ao Cerro na tentativa de facilitarem suas vidas na briga pelo título nacional. De quebra, Carboneros e Bolsos deram uma ‘mãozinha’ aos Villeros, que passam por um momento conturbado financeiramente. O presidente do modesto clube uruguaio, Alfredo Juareguiverry, fez questão de agradecer o Peñarol e o Nacional por ajudarem a evitar o rebaixamento para a segunda divisão:

– Negociamos na Associação Uruguaia. Temos que agradecer a pessoas de vários lugares que tiveram a máxima colaboração conosco. Vou agradecer pessoalmente com um abraço as pessoas que são de clubes como o nosso, que podem ser aqueles em quem você menos pensa, agora eles nos deram uma mão.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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