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Pedro Rocha não morreu, pois a história nunca morre

É fácil esquecer Andorra. País minúsculo, espremido entre Espanha e França. Também é fácil esquecer Liechtenstein, ensanduichado por Áustria e Suíça. E Luxemburgo, e Mongólia, e Suazilândia. Mas é impossível esquecer o Uruguai. Não importa que tenham um gigante ao sul e um gigante ainda maior ao norte, os uruguaios não permitem que os outros os ignorarem. Afinal, como ignorar um país que tanto fez e conquistou no esporte mais popular do planeta?

O Uruguai conquistou duas Copas e dois ouros olímpicos. Protagonizou a maior surpresa de uma final de Mundial. Levou ao mundo grandes craques. Quando parecia que estava morrendo internacionalmente, chegou às semifinais da Copa de 2010, e ainda saiu vencedor da partida mais emocionante daquele torneio. O futebol fez que o mundo percebesse aquele pedaço de terra quase desabitado entre Brasil e Argentina.

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É por isso que Ondino Viera, técnico uruguaio na Copa de 1966, disse “outros países têm sua história, o Uruguai tem seu futebol”. E a história nunca morre. Seus eventos deixam de ocorrer, mas eles seguem vivos como momentos que marcam a existência de uma cultura, de um povo, de uma ideologia. O Império Romano caiu como Estado, mas seu legado está aí até hoje. O Iluminismo deixou de ocorrer, mas ele não morreu. Michelangelo deixou de pintar e esculpir, mas sua obra não morreu.

Pedro Rocha foi um dos maiores nomes do futebol uruguaio. Tinha futebol técnico e elegante como um uruguaio orgulhoso que não baixa a cabeça diante dos gigantes que os cercam. Era meia, mas também era artilheiro. Foi um ícone de um dos maiores momentos do Peñarol, foi ídolo de um São Paulo que voltava a ser vencedor depois de amargar sua maior fila, foi o único uruguaio a disputar quatro Copas do Mundo.

Nesta segunda, El Verdugo enfim se rendeu à atrofia no mesencéfalo, doença degenerativa. Ele não morreu, pois um ícone do futebol uruguaio não morre por definição. Pedro Rocha é agora um capítulo encerrado da história de seu país, mas continuará vivo como parte importante dela.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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