América do Sul

Paraguai mostrou sua valentia para arrancar empate da Argentina em jogaço

A Copa América começou bem devagar com a vitória sem muito futebol do Chile sobre o Equador, depois em um empate bem sem graça entre México e Bolívia. Argentina e Paraguai entraram em campo neste sábado para abrir o grupo B e tudo o que se esperava era que o time de Messi vencesse. O primeiro tempo indicou que isso aconteceria, até com certa facilidade. Mas o segundo tempo mudou tudo e o Paraguai, de mosca morta do primeiro tempo, tornou-se um time valente que arrancou o empate por 2 a 2 no final do jogo.

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O primeiro tempo teve um Paraguai recuado, fechado e dando campo para a Argentina. Até que o lateral Samudio (sim, aquele, ex-Cruzeiro) recuar mal a bola, Kun Agüero aproveitar, pegar a bola, passar pelo goleiro e mandar para a rede, aos 29 minutos. Gol que abriu o time, que tomou o segundo gol de pênalti, com Lionel Messi, aos 36. Um 2 a 0 tão tranquilo que os argentinos tinham quase 80% de posse de bola, domínio total e irrestrito. O Paraguai lembrava o time das Eliminatórias para Copa de 2014, apático, sem ataque.

O segundo tempo pareceria ser apenas uma burocracia. A Argentina entrou em campo como aquele funcionário preguiçoso que olha para o relógio de cinco em cinco minutos para esperar acabar o expediente. Só que o Paraguai mudou tudo no segundo tempo. A postura mudou. O time se colocou no ataque, buscou o jogo, marcou no ataque e surpreendeu. Com Deliz González em campo, o time mudou de um 4-5-1 para 4-4-2. Em alguns momentos, um 4-3-3, já que Haedo Valdez, que atuou muito recuado no primeiro tempo, passou a ser atacante com a bola também.

O gol do Paraguai veio aos 15 minutos. Um golaço, de fora da área, chute difícil de ser defendido por Romero. Gol que recolocou o Paraguai no jogo, mas a impressão era que a Argentina perceberia que precisava jogar e partiria para o ataque. Em teoria, até fez isso: o técnico Tata Martino lançou Tevez e Higuaín em campo nos lugares de Pastore e Agüero. Só que entraram em campo também Edgar Benítez e Lucas Barrios no Paraguai e estes fizeram mais diferença que aqueles.

A Argentina tentou ir um pouco para cima, tentou atacar e chutou a gol. Foram 18 chutes a gol da Argentina. O Paraguai chutou só 10, só que a última delas foi decisiva. Lucas Barrios, especulado no Palmeiras e que fez uma boa temporada no Montpellier. Aos 30 anos, depois de passar sem muito sucesso pela China (alguém passa com sucesso pela China? Talvez só Conca), o atacante entrou em campo para se destacar. Aos 46 minutos do segundo tempo, o atacante aproveitou uma bola longa ajeitada na área e finalizou de primeira. Bola no fundo da rede argentina. Empate, arrancado com muito suor pelos paraguaios. Um resultado gigantesco de um jogo que parecia perdido no primeiro tempo.

Agora, a situação neste Grupo B fica bem interessante. Isso para quem está de fora, claro. O Uruguai começou vencendo a Jamaica por 1 a 0 e enfrenta a Argentina na próxima rodada. Os argentinos terão que tentar vencer, ou podem correr um sério risco de classificação. Aliás, um tropeço no próximo jogo pode tornar a vida da Argentina bastante complicada, porque o Brasil irá enfrentar o segundo colocado deste grupo. Ou seja: o Uruguai sabe que pode empurrar a Argentina para cima do Brasil. E ainda tem o Paraguai, que se vencer a Jamaica na próxima rodada, pode fazer um jogo de classificação e até de primeiro lugar com o Uruguai na última rodada. Ou seja: este grupo será um salseiro. E bom para quem assiste, devemos ter mais jogaços como estes.

Tevez (esq.) é cumprimentado por Barrios, do Paraguai (AP Photo/Andre Penner)
Tevez (esq.) é cumprimentado por Barrios, do Paraguai (AP Photo/Andre Penner)

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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