América do Sul

Para ser protagonista

Nos últimos anos tem sido assim: com um elenco limitado, com muita valorização ao trabalho de base, sem grandes estrelas e com um pragmatismo e aplicação tática invejáveis, o Libertad conseguiu glórias e semi-glórias. De 2006 para cá foram seis títulos nacionais e oito participações consecutivas na Copa Libertadores da América, chegando a uma semi e cinco quartas de final no período. Nos próximos anos pode ser assim: glórias, aplicação tática e pragmatismo irrepreensíveis, jogadores da base, jogadores de renome e voos ainda maiores.

Diferentemente de outros tempos, 2013 começa com um Gumarelo fortalecido dentro e fora das quatro linhas. Além de toda a qualidade já descrita e reconhecida, o clube de Assunção deixou um pouco de lado a mentalidade exclusivamente exportadora de bons valores para se tornar também um comprador. Começou em julho do ano passado com a chegada do meia Sebastían Eguren, vindo do Villareal da Espanha, e teve auge agora com a contratação de Pablo Guiñazu, com ampla ficha de serviços prestados ao clube e ao Internacional, e do zagueiro Pedro Benítez, que trocou nada mais, nada menos, que o Cerro Porteño.

Os três reforços de nome são as cerejas de um bolo muito bem preparado nos últimos anos.  Mais “bretão” dos clubes sul-americanos, o Libertad aplica de forma cada vez mais aprimorada o estilo e o método de jogo do 4-4-2 em duas linhas. Foi assim em todas as campanhas aqui citadas, com grandes momentos sob o comando de Jorge Burruchaga, e, claro, na última delas, quando a equipe do uruguaio Rubén Israel rumou para o título do Clausura.

Aquele time foi uma evolução do que deu muito trabalho à Universidad de Chile na Libertadores e que por um pênalti não chegou às semifinais. No gol, Rodrigo Muñoz foi absoluto, auxiliado na direita por Olmedo, que veio do Carapeguá, Bizera, ex-Bella Vista, no centro, e o ótimo Benegas ao seu lado. Na esquerda, Miguel Samudio foi mais uma vez motor das saídas de bola em velocidade, enquanto na linha à frente, Romero de um lado e Mendieta ou Camacho do outro fizeram com correção o papel de wingers que marcam e compõem.

No centro do meio de campo, o capitão Sergio Aquino mostrou a constância de sempre no apoio e recomposição, permitindo que Eguren tivesse liberdade quando em campo. Mas é na frente que este Libertad, outrora laureado apenas pela composição defensiva, teve seu ponto mais forte. Pablo Velázquez e José Ariel Nuñez fizeram o que se pode chamar de dupla ideal.

Juntos os dois marcaram 23 dos 44 gols do Libertad do campeonato. Além de anotar 13 tentos, muitos deles de cabeça, o grandalhão Vélazquez de 1,92 m, fez muitas vezes o trabalho sujo de pivô, colocando os companheiros em condições de jogo. O mais beneficiado foi justamente o parceiro Nuñez, que com sua agilidade e 1,74 m foi às redes dez vezes.

Ou seja, é sobre esta base que Rubén Israel poderá colocar o experiente zagueiro Pedro Benítez, e o intenso, técnico e raçudo Guiñazu. Restam ainda dúvidas sobre o melhor posicionamento do meio de campo, já que em tese o Libertad tem em Aquino e Eguren os seus “box-to-box” titulares. No entanto, é possível imaginar Aquino fazendo o lado direito ou eventualmente Eguren tratando do jogo por ali para deixar Guiñazu na proteção. Lá atrás Benítez e Benegas devem reinar absolutos, enquanto na frente a dupla Núñez e Velázquez tem condições de repetir os ótimos feitos.

Por tudo isto o ótimo Libertad de outrora pode ser ainda melhor neste ano. É bom os concorrentes abrirem os olhos: o coadjuvante pode ser protagonista.

Mais paraguaias

– Ainda em terras albirojas o Cerro Porteño perdeu, além de Pedro Benítez, o meiocampista Mingo Salcedo e o ótimo lateral Walter López, que retornou ao Peñarol. Em compensação Jorge Fossati trouxe o volante Paul Ambrosi da LDU, o lateral Vergara do Sportivo Luqueño e o meia Edinson Torres, do Cádiz.

– No Olimpia o mercado tem sido cruel. O Decano perdeu diversos bons jogadores no último semestre e não trouxe ninguém de peso. Os últimos boatos dão conta de um possível acerto com Wilson Pitoni, dispensado pelo Figueirense.

Equatorianas

– No Equador o Barcelona vai fazendo um mercado razoável. Os Canários trouxeram Juan Carlos Paredes do Deportivo Quito e outros sete jogadores para as competições de 2013. A equipe, no entanto, ainda precisa de um atacante top, já que perdeu Narciso Mina para o América do México.

– A LDU enfim realiza uma reformulação em seu elenco. Além da saída de Ambrosi, foram embora Ezequiel Luna, Claudio Bieler, e Chene, que antes se chamava Chila. Por outro lado chegaram o ótimo Luis Saritama, o volante Feraud, da LDU Loja, o zagueiro Canuto do Figueirense e o volante/defensor Eduardo Morante, que estava na Universidad de Chile.

Colombianas

Na Colômbia a movimentação do mercado ainda é fraca, mas há que se destacar a chegada de Gio Hernández ao Atlético Nacional e de Wilmer Medina ao Santa Fe.

Venezuelanas

Na Venezuela o Deportivo Táchira é um dos times com mais reforços até o momento. Além do técnico Daniel Farías, atual campeão pelo Anzoátegui, chegaram oito atletas, entre eles o atacante Giancarlo Maldonado.

Peruanas

– Em terras peruanas, destaque para o campeão Sporting Cristal, que trouxe nomes fortes como o goleiro Diego Penny, o lateral Chiroque e os atacantes Jonathan Ramírez e Joazinho Arroé, eterna promessa.

– No Universitario San Martín o reforço é no banco, com Aníbal Ruiz, eleito melhor técnico do continente em 2005 pelo trabalho na seleção paraguaia. Já o Juan Aurich escolheu José Mari Bakero, que defendeu a Espanha nas Copas de 1990 e 94, como seu treinador.

Bolivianas

– Com pouco tempo para se preparar devido à disputa da primeira fase da Libertadores, o Bolívar já fechou pelo menos um reforço de peso: William Ferreira. O atacante, ídolo do clube azul, estava no Liverpool do Uruguai.

Chilenas

No Chile poucas movimentações importantes. O Colo Colo é quem mais trouxe jogadores com algum nome. Entre eles estão o goleiro Lobos e o meia Vecchio, ambos da Unión Española

Uruguaias

No Uruguai a expectativa é pelo acerto do Nacional com Loco Abreu. A negociação pode ter um fim ainda nesta sexta-feira.

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Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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