América do Sul

‘Ele é o novo Van Dijk. Para mim, ele é o zagueiro do presente e do futuro’

Com moral em alta após Eliminatórias, técnico argentino aponta defensor como símbolo da nova geração equatoriana

O técnico Sebastián Beccacece não economizou nas palavras ao falar sobre Willian Pacho. Em entrevista ao jornal espanhol “AS”, o técnico da seleção equatoriana comparou o zagueiro do Paris Saint-Germain a Virgil van Dijk, um dos principais nomes da posição no futebol mundial, e o colocou como uma das referências do presente e também do futuro do Equador.

A declaração surge em meio ao bom momento vivido pela seleção equatoriana, que encerrou sua campanha nas Eliminatórias Sul-Americanas em segundo lugar e chamou atenção, sobretudo, pela consistência defensiva. Nesse cenário, Pacho aparece como peça central de uma engrenagem que vem dando sustentação ao projeto de renovação liderado por Beccacece.

Willian Pacho, zagueiro do PSG e do Equador
Willian Pacho, zagueiro do PSG e do Equador (Foto: Emilian Baldow/Icon Sport)

— Ainda precisamos melhorar nessa área de bola parada. Conversei com o Pacho, que sabe fazer gols, e ele acabou de marcar dois pelo PSG. Estamos trabalhando tanto na execução quanto na movimentação. Para mim, ele é o novo Van Dijk, o zagueiro do presente e do futuro.

Aos 24 anos, Pacho vive o ponto mais alto da carreira. Revelado pelo Independiente del Valle, celeiro de talentos do futebol equatoriano, o defensor construiu uma trajetória de crescimento constante até se firmar no futebol europeu.

Depois de chamar atenção no Royal Antwerp, da Bélgica, e ganhar projeção com a camisa do Eintracht Frankfurt ele deu um salto importante ao chegar ao PSG, onde é titular absoluto e homem de confiança do técnico Luis Enrique.

Canhoto, forte fisicamente e com boa leitura de jogo, Pacho se encaixa no perfil de zagueiro valorizado no futebol atual. É um defensor agressivo na antecipação, eficiente na cobertura de espaços e seguro com a bola nos pés — característica cada vez mais determinante para equipes que constroem desde trás.

Beccacece e sua ‘revolução’ no Equador

Beccacece durante jogo da seleção equatoriana
Beccacece durante jogo da seleção equatoriana (Foto: Eurasia Sport Images / justpictures.ch / Imago)

O elogio ao camisa 6 também dialoga com um momento mais amplo da seleção equatoriana. Beccacece, que assumiu o comando de La Tri em agosto de 2024, deixou claro que o trabalho da comissão técnica vai além do curto prazo e está diretamente ligado à formação de uma nova geração competitiva.

Para ele, a maior conquista recente da equipe foi justamente ter conseguido construir uma base renovada sem perder capacidade de competir.

— Nossa maior conquista foi olhar além do resultado imediato. Em vinte meses, mudamos cerca de 65% do elenco. Hoje temos uma das seleções nacionais mais jovens, e há muitos jovens jogadores promissores surgindo. Trabalhamos bastante com jogadores da base. Realizamos estágios de treinamento de três dias e conhecemos mais de 140 jogadores. Isso nos permite ter uma base ampla e entender o talento que existe no país — explicou.

A fala ajuda a contextualizar por que o Equador chega à Copa do Mundo cercado de entusiasmo. A equipe não somente apresentou evolução coletiva, como também consolidou uma identidade clara: intensidade, pressão alta, força física e uma defesa difícil de ser batida. O dado mais emblemático dessa campanha foi o número de gols sofridos: apenas cinco, de longe a melhor marca nas Eliminatórias.

Segundo Beccacece, essa organização defensiva chegou a surpreender até Carlo Ancelotti no confronto diante do Brasil. O argentino relembrou a atuação — no jogo que marcou a estreia do italiano à frente da Canarinho — como um exemplo da competitividade que quer ver sua equipe levar à Copa.

— Aplicamos uma pressão extraordinária e ele ficou surpreso. Não tínhamos nossos dois atacantes titulares e utilizamos Yeboah, Angulo, que estreou naquele dia, além de Franco, que usamos para tudo. O time jogou muito bem naquela partida. Nos adaptamos ao que tínhamos.

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Até onde o Equador de Pacho pode chegar na Copa do Mundo?

Seleção equatoriana perfilada
Seleção equatoriana perfilada (Foto: Curtis Wong / Sports Press Photo / Imago)

Mesmo com a evolução recente, Beccacece evita colocar o Equador no grupo das seleções que entram em um Mundial sob pressão por título. Na visão dele, a força da equipe está justamente em competir sem o peso histórico que acompanha camisas como Brasil, Argentina, Alemanha e Espanha.

— Acreditamos que podemos competir. É com essa mentalidade que vamos. Ganhar ou perder, mas competir. A diferença é que não temos essa obrigação. Essa obrigação pertence a seleções como Argentina, Brasil, Espanha ou Alemanha. Vamos com um sonho e convicção. Já jogamos quase 20 partidas juntos, e isso nos dá uma base sólida.

A leitura faz sentido. La Tri talvez ainda não tenha o brilho individual ou a profundidade de elenco das grandes potências, mas vem construindo algo que costuma ser decisivo em torneios curtos: estrutura coletiva, identidade e confiança.

Na Copa do Mundo, a seleção de Beccacece caiu no Grupo E, e terá pela frente Alemanha, Curaçao e Costa do Marfim.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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