América do Sul

Outros revisitados

Depois dos reviews do Apertura do Chile e do Paraguai e da temporada uruguaia, é hora de conferir o que aconteceu no primeiro semestre futebolístico dos clubes colombianos, equatorianos, venezuelanos e bolivianos.

 

Colômbia

Em três rodadas o líder se consolidou. O Once Caldas que ia razoavelmente bem na Libertadores, fazia miséria em território colombiano no início do Apertura. Inspirado por Dayro Moreno e Wason Rentería, a equipe de Manizalles manteve até a 11ª rodada a liderança do torneio. A má fase pós-eliminação no torneio continental, no entanto, influiu no desempenho da equipe na disputa doméstica, de forma que o Once viu o Atlético Nacional lhe tomar a ponta da tabela.

O Atlético, aliás, fez um campeonato de recuperação, impulsionado principalmente por seu artilheiro Carlos Rentería. Após tropeços nos cinco primeiros compromissos, a equipe engatou uma sequência de vitórias, mas no fim terminou cedendo novamente a liderança ao Once Caldas. Nas idas e vindas da tabela, a última rodada teve oito equipes lutando por três vagas nos playoffs. Melhor para La Equidad, Deportivo Cali e Cúcuta, que avançaram, e para o Tolima, que ainda conseguiu ficar à frente do Atlético Nacional graças sobretudo a Wilmer Medina e Parra.

Os oito classificados para o mata-mata foram, na ordem: Once Caldas, Tolima, Atlético Nacional, Envigado, La Equidad, Millonarios , Deportivo Cali, Cúcuta e Boyacá Chicó. Logo nos primeiros duelos, zebras em território colombiano. O favorito Once Caldas perdeu a classificação nos pênaltis após placar agregado de 1 a 1. Já La Equidad empatou com o Envigado fora de casa e também avançou na soma de resultados. Por fim, os favoritos Tolima e Atlético Nacional fizeram a lição de casa e também avançaram.

Nas semifinais, o Millonarios só empatou com La Equidad no último minuto em casa e acabou perdendo fora. Já no aguardado duelo entre Atlético Nacional e Deportes Tolima, Pabon e Palomino marcaram para os verdolagas no primeiro jogo e fizeram o 3 a 1. Na volta, o Tolima só conseguiu marcar uma vez, colocando no duelo decisivo o terceiro e o quinto colocados frente a frente.

Na primeira partida, disputada na casa de La Equidad, os mandantes venceram por 2 a 1. O gol marcado fora por Carlos Rentería poderia ser o diferencial do confronto, mas no segundo jogo La Equidad também conseguiu vazar a meta adversária. O Atlético Nacional vencia por 2 a 0 até os 45 do segundo tempo, resultado que lhe garantia o título. No entanto, no último minuto, Polo marcou e o jogo foi para os pênaltis.

Nas cobranças, melhor para os verdolagas, que mesmo com Macnelly Torres perdendo seu pênalti, conseguiu seu 11º título colombiano.

Campeão Apertura 2011: Atlético Nacional (classificado à Libertadores 2012)
Surpresas: La Equidad (vice-campeã) e Itagüi (11º lugar entre 18 após chegar da segunda divisão)
Decepções: Once Caldas (eliminado nas oitavas após liderar pontos corridos) e Junior (15º lugar entre 18)

 

Equador

O domínio recente da LDU em competições continentais dá a muitos a falsa impressão de que o clube é o dono do futebol equatoriano. Não é assim. O título da temporada 2010 foi uma exceção e não regra. Mesmo começando o torneio entre as cabeças do campeonato, La U tropeçou mais que os rivais Emelec e Deportivo Quito, apesar de, em tese, ter um elenco superior, com Hernán Barcos, Luis Bolaños, Reasco e companhia.
A disputa com o Deportivo, aliás, foi digna de nota.

As duas equipes de Quito se alternaram na liderança e na perseguição ao “intruso” Emelec, de Guaiaquil. Na 14ª rodada o Emelec tinha 29 pontos, a LDU 28 em 13 jogos, e o Deportivo 28 em 14 jogos. Foi a partir daí que os Electricos deslancharam, mais pelos tropeços dos rivais do que por méritos próprios, uma vez que em diversos confrontos decisivos o Emelec ficou em empates insossos. Na rodada 17 a equipe de Guaiaquil tinha 36 pontos ante 31 da LDU, mas com um jogo a menos, e 28 do Deportivo Quito, também com um jogo a menos. Faltando cinco rodadas, o Emelec só deveria manter a ponta, mas sucumbiu ante sua inoperância ofensiva. Dois jogos depois a LDU reassumiu a liderança, mesmo tendo ainda uma partida por fazer.

Com três rodadas restando, parecia que os Electricos teriam uma das derrotas mais vexaminosas de sua história, com o perigo até de ficarem em terceiro depois da recuperação do Deportivo Quito na reta final, propulsado pelos gols de Julio Bevacqua. Na penúltima jornada as coisas mudaram outra vez. Ao vencer a Liga de Loja por 4 a 1 fora de casa e ver a LDU empatar em 0 a 0 com o Barcelona, o Emelec reassumiu a ponta e ainda colocou dois pontos de vantagem sobre a Liga, que não soube aproveitar seu jogo em atraso.

Na última rodada bastou vencer o Espoli por 2 a 0 para garantir um lugar na decisão do torneio. Vitória do time defensivo do técnico Omar Asad, que jogou todo o certame em um 3-6-1, mas que mesmo assim teve nos lampejos de nomes como os do atacante Cristian Menéndez, do meia Enner Valencia e do volante Fernando Gaibor, a chave para o sucesso.

Campeão: O primeiro colocado do Primera Etapa não é reconhecido como campeão, mas garante vaga na decisão do torneio – contra o vencedor do Segunda Etapa – e na Copa Libertadores 2012. Para estes fins: Emelec Classificados à Copa Sul-Americana 2011: Emelec, LDU e Deportivo Quito
Surpresas: Liga de Loja (5º lugar entre 12)
Decepções: Barcelona de Guaiaquil (8º lugar entre 12)

 

Venezuela

Foram dois campeonatos distintos em 2011: o Apertura dos gigantes do país e o Clausura dos “emergentes”. No primeiro torneio da temporada, Deportivo Táchira, Real Esppor, Caracas e Deportivo Petare disputaram ponto a ponto o título. Não houve domínio absoluto de algum time, como em campeonatos anteriores, mas sim uma disputa mais à “brasileira”, com todos os clubes de qualidade alternando bons e maus momentos ao longo das 17 rodadas do Apertura. Tanto foi assim que a situação do torneio só foi decidida no final.

Na penúltima rodada o Deportivo Táchira venceu o Real Esppor por 2 a 0 no confronto direto e assumiu a liderança. Na última jornada, Táchira, Petare, Caracas e Esppor tinham chances de título e Petare e Táchira se enfrentavam. No fim os aurinegros se deram melhor. Mesmo empatando em 0 a 0, o ponto garantido foi suficiente para o título. O Táchira terminou com 36 pontos, mesma quantidade do Esppor, mas com um gol a mais de saldo, ante 35 do Caracas e 33 do Petare.

Já no Clausura, o campeonato teve inicialmente onze times brigando pela liderança! Após a metade do torneio, a diferença do primeiro colocado, o Deportivo Anzoátegui, para o sétimo, o Yaracuyanos, era de apenas três pontos. Do líder ao décimo lugar, o Táchira, eram somente quatro pontos. Com todo este cenário, foi o Zamora quem cresceu na segunda metade do torneio.

Penúltimo colocado no Apertura, o time renasceu da união de técnico e jogadores e, armado para objetivar o jogo ofensivo, com passes curtos e rasteiros, assumiu a liderança na décima rodada e não saiu mais. Foram 17 jogos, com 13 vitórias, 3 empates e 1 derrota, 37 gols marcados – melhor ataque – e 10 sofridos – melhor defesa. Os números mostram a consistência coletiva da equipe, que ainda teve como destaques individuais a dupla de atacantes Juan Vélez e Jonathan Copete, que marcaram dez gols cada.

No confronto decisivo entre os campeões do Apertura e do Clausura, no entanto, o time de mais renome venceu. No primeiro jogo da final venezuelana entre Zamora e Deportivo Táchira, deu Táchira. O resultado, no entanto, não refletiu o jogo. Com seu estilo característico de posse de bola e passes curtos, o Zamora dominou a maior parte do cotejo, mas tomou o gol em um contra-ataque concluído com maestria por Pérez Greco ainda no primeiro tempo. No segundo jogo, bastou ao Táchira segurar o 0 a 0 para conquistar seu sétimo título do acumulado da temporada.

Campeão: Deportivo Táchira
Campeão do Apertura: Táchira
Campeão do Clausura: Zamora
Classificados à Libertadores 2012: Deportivo Táchira, Zamora e Caracas Classificados à Sul-Americana 2011: Trujillanos, Deportivo Anzoátegui e Yaracuanos
Surpresas: Zamora e Anzoátegui
Decepções: Caracas (melhor pontuação acumulada, mas sem títulos)

 

Bolívia

A temporada de adequação ao calendário europeu por parte do futebol boliviano começou muito bem. Serão três torneios até conhecermos o campeão nacional 2011/12, mas quem se deu melhor no primeiro deles, o Adecuación 2011, foi o sempre favorito Bolívar. Mesmo assim, não foi uma conquista fácil. Em que se pese o questionável nível da liga local, o campeonato foi cheio de emoções.

Na última rodada, três times brigavam pelo título. O Real Potosi liderava, após um começo de torneio muito ruim e a recuperação com a chegada do técnico Marcos Ferrufino e do bom desempenho do meiocampista e camisa 10 Miguel Loayza. O Bolívar não havia perdido nenhuma vez em casa e foi a equipe mais constante de todo o campeonato, não ficando abaixo da terceira posição em nenhuma rodada.

Os méritos foram do treinador argentino Ángel Guillermo Hoyos, que usou uma equipe ofensiva, com o meia Lizio e os atacantes William Ferreira e o brasileiro Zé Carlos, como principais pontos do clube.

Quem também brigava era o The Strongest que alternou altos e baixos ao longo do campeonato, mas engatou uma sequência vencedora nas últimas rodadas, e o Blooming que esperava um milagre para conquistar o título.

Na rodada decisiva, o Bolívar venceu o La Paz por 2 a 0 e contou com o empate do Real Potosí por 0 a 0 com o Nacional Potosí para se sagrar campeão do Torneo Adecuacion. Conquista justa, apesar dos times de menor poderio terem chegado com muita força ao final.

Campeão: Bolívar
Classificados à Libertadores 2012: Bolívar e Real Potosí. (terceira vaga será dada ao campeão do Apertura 2011 que começa neste segundo
semestre)
Surpresa: Real Potosí
Decepção: Oriente Petrolero (campeão da temporada passada e 3º colocado)

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo