América do SulLibertadores

Os ‘Señores’ Libertadores: 10 medalhões que disputam a taça mais uma vez

Enfim, a Libertadores vai começar. Não subestimando as fases preliminares, que foram boas, contaram com episódios marcantes (como o do Atlético Tucumán) e propiciaram um turbilhão de emoções sobretudo aos torcedores dos times brasileiros, mas é a partir da fase de grupos que a Copa de fato tem início. E embora esta edição conte com novidades no formato do torneio e no número de participantes, entra ano, sai ano, e a cara de certos jogadores sempre é vista na competição. São os chamados “Señor Libertadores”, aqueles que aparentemente têm passaporte carimbado pela eternidade para jogar a Copa.

Juan Sebastián Verón, Macnelly Torres, Pablo Escobar, Leandro Romagnoli, Santiago Silva, Lucho González, Omar Pérez, Carlos Lobatón, Alejandro Guerra, Julio César Cáceres. Quantas vezes você se lembra de ter vivenciado um gol, uma roubada de bola espetacular, um passe magistral ou simplesmente ter escutado o nome destes atletas em transmissões de jogos da Libertadores? Muitas vezes, não é? Isso porque eles são aquelas figurinhas que sempre estão nos pacotes de determinado álbum. No caso, têm um vasto histórico na competição com suas experientes carreiras.

Juan Sebastián Verón

O argentino é, com certeza, um dos mais emblemáticos jogadores do futebol de seu país. Os torcedores do Estudiantes esperam que La Brujita ainda possa fazer mágica, como sua alcunha mesmo propõe, apesar da idade avançada. Ele se encaminha para sua sexta participação na Copa, da qual foi campeão em 2009, diante do Cruzeiro. Foi o meio-campista quem cobrou o escanteio que originou o segundo gol do time de La Plata no jogo de volta no Mineirão – o tento da virada e do título.

Em dezembro do ano passado, já aposentado e presidindo o Estudiantes, Verón disse que voltaria aos gramados para sua sétima participação na Libertadores. Sim, aos 41 anos e mesmo estando à frente do cargo mais importante do clube, o argentino decidiu que irá conciliar o uso do terno com o da chuteira, tendo assinado um novo contrato no fim do ano válido por 18 meses. Ou seja, você verá La Brujita nesta edição da Copa. Ao menos jogando contra o Barcelona de Guayaquil, o Botafogo e o Atlético Nacional. Nos vestiários, reencontrará com outros campeões de 2009, a exemplo de Mariano Andújar, Leandro Desábato e Rodrigo Braña.

Atletico Nacional v Rosario Central - Copa Libertadores 2016

Macnelly Torres

Por falar nos atuais campeões da Libertadores, eles também têm seu herói de guerra. E que apesar de não ser conhecido como bruxo, sabe jogar seu maior feitiço, que é seu talento, sobre a bola. Macnelly Torres, El Magia, defende as cores do Atlético Nacional desde 2015. Antes disso, já tinha tido uma passagem bem marcante pela equipe de Medellín, de 2011 a 2013. Enquanto verdolaga, o camisa 10 soma quatro aparições na Libertadores. Esta temporada será sua quinta como o verdadeiro copeiro que é.

Macnelly Torres foi fundamental na reta final da campanha que sagrou o Atlético Nacional campeão da América, ano passado. É um meia extremamente habilidoso, que coloca qualidade nos seus passes e é muito competente na transição entre os setores do time. Ele também teve um grande prestígio no Junior de Barranquilla, equipe onde o jogador, hoje com 32 anos, começou a carreira. Participou da Libertadores de 2005 e chegou às oitavas de final com os rojiblancos. Dois anos depois, ele voltou a brilhar na Copa, dessa vez com o Cúcuta e alcançando a semifinal do torneio. Outro nome tarimbado no elenco de Reinaldo Rueda é Dayro Moreno, campeão com o Once Caldas em 2004, contratado neste ano junto ao Tijuana.

Pablo Escobar

Não dá para falar sobre experientes na Libertadores sem mencionar Pablo Escobar. Logo nas fases preliminares do torneio, o paraguaio naturalizado boliviano já mostrou que nunca perde seu status de protagonista e que nunca é abandonado por seu poder decisivo. Atacante do Strongest há quase dez anos, somando suas três passagens pelo clube boliviano, El Pájaro é praticamente uma instituição no Hernando Siles. São sete edições representando o Tigre (cinco consecutivas) e uma com a camisa do Cerro Porteño. Nas preliminares da atual edição, Pablo Escobar já anotou uma tripleta ante ao Unión Española e deu quatro assistências.

Dois de seus passes para gol, inclusive, foram nessa mesma partida em que ele fez três gols. Depois de um empate por 1 a 1 com os chilenos fora de casa, o Strongest fez 5 a 0 e se classificou para a fase de grupos graças a uma atuação de gala do atacante de 38 anos, o maior artilheiro da história do clube no torneio continental. No conjunto desses mais de dez anos disputando a Libertadores, El Pájaro totaliza 37 jogos, 12 gols e 13 assistências. É a alma do clube boliviano na competição, sendo, além do goleador máximo, um garçom de carteirinha.

San Lorenzo v Nacional - Copa Bridgestone Libertadores 2014

Leandro Romagnoli

Dar assistências é com ele mesmo: Leandro Romagnoli. O 10 do San Lorenzo fez sua estreia pelo clube de Buenos Aires em 1998. Desde então, foram seis Libertadores disputadas pelo Ciclón e uma conquistada, em 2014, quando finalmente foram campeões do torneio sobre o Nacional do Paraguai. Romagnoli é um verdadeiro ídolo da equipe de Boedo e capitão. Acima de tudo, um torcedor apaixonado pelos cuervos.

Prestes a completar 36 anos de idade, o meia iniciará sua sétima edição de Libertadores diante do Flamengo – contra o qual conquistou a Copa Mercosul de 2001. Depois, os argentinos enfrentam o Atlético Paranaense e o Universidad Católica, na sequência. Romagnoli é alguém que sabe jogar a Copa, e isso faz dele um jogador muito perigoso para os seus adversários. O elenco dos cuervos, aliás, está recheado por figurinhas carimbadas da competição: além de Pipi, há também Nestor Ortigoza, Sebastián Torrico, Juan Mercier e Marcos Angeleri – isso sem contar o rodadíssimo Fabricio Coloccini.

Santiago Silva

Santiago Silva é outro jogador jurássico a brigar pela taça mais cobiçada da América. No início deste ano, El Tanque decidiu jogar no futebol chileno pela primeira vez. Fechou um contrato de um ano com a Universidad Católica, pela qual fará sua oitava participação na Libertadores. Anteriormente, jogou a Copa com o Boca Juniors, com o Vélez Sarsfield, com o Lanús, com o Gimnasia La Plata e com o Defensor Sporting, seu clube de origem e onde teve sua primeira aparição no cenário continental. Com nenhuma dessas equipes, no entanto, o atacante de 36 anos conseguiu levantar o caneco. Só com o Lanús, que ele pôde desfrutar do título da Copa Sul-Americana.

Portanto, será com a Universidad Católica sua provável última tentativa de sair vitorioso. El Tanque, inclusive, já teve uma passagem pelo Brasil. Foi em 2002, quando o uruguaio assinou com o Corinthians. Ele, porém, não fez mais do que cinco jogos pela equipe paulistana. E sequer fez gols nas partidas que jogou. Mas o último time em que atuou, o Banfield, é muito grato ao artilheiro. Campeão nacional com os alviverdes em 2009, Santiago Silva voltou ao clube e anotou em sua segunda passagem tentos sobre River, Vélez e Estudiantes, com um dos melhores rendimentos do elenco em 2016.

Estudiantes v River Plate - Torneo Primera Division 2015

Lucho González

“Ele é um excelente jogador. É um animal competitivo, entre aspas, porque está em um nível competitivo altíssimo e muito exigente”. Estas foram as palavras que Paulo Autuori (certamente entre os técnicos que conhecem melhor a Libertadores) usou para descrever Lucho González. O argentino foi uma bola dentro do Atlético Paranaense na Copa de 2017 antes mesmo dela começar. A diretoria do Furacão contratou o meia em setembro do ano passado e, assim, ele pôde se adaptar à equipe para disputar o torneio.

Lucho jogou a Libertadores três vezes antes de passar um tempão no futebol europeu. Voltou para ser campeão com o River Plate e esta será sua sexta edição do torneio. Dá para dizer que ele está habituado ao clima da competição e à sua forma de jogar – que, convenhamos, é, sim, bem diferente dos campeonatos nacionais , e não só por conta de seu formato.

Omar Pérez

O argentino naturalizado colombiano é um grande exemplo de “Señor Libertadores”. Pérez teve a sorte de também iniciar sua carreira já disputando uma Copa, em 2000. E, melhor do que isso: conquistando o título. Ele fazia parte do elenco do Boca Juniors que bateu o Palmeiras nos pênaltis. Pérez era mero coadjuvante, recém-saído das categorias de base. Na temporada seguinte, ele jogou a Libertadores novamente. Só que, dessa vez, ele teve mais chances, mais minutos em campo. E, mais uma vez, o Boca ergueu a taça.

Em seus dois primeiros anos de carreira, o meia já era bicampeão da América. Uma responsabilidade que ele resguardou e mantém hoje como ídolo do Independiente Santa Fe, onde joga desde 2009. Lá, ele é um camisa 10 clássico. Esta será sua oitava Libertadores, em quase 36 anos de vida do capitão dos Cardenales. E, nela, ele terá como primeiro desafio fazer o Santa Fe se destacar entre The Strongest, o Sporting Cristal e o Santos.

Palmeiras v Nacional - Copa Bridgestone Libertadores 2016

Carlos Lobatón

Lobatón, aos 37 anos, é um dos grandes nomes do Sporting Cristal nos últimos anos. Foi em 2005 que ele deixou o Cienciano, onde passou dois anos e chegou a disputar uma Libertadores, para ir aos celestes. O jogador da seleção peruana, na verdade, voltou para o clube que passou um tempo treinando nas categorias de base.

Em 12 anos no Sporting Cristal, o meia tem em seu currículo sete participações na Copa. Praticamente desde que chegou, ele acompanha o time peruano no evento mais importante entre clubes sul-americanos: 2006, 2007, 2009, 2013, 2014, 2015 e 2016. Contra o Santos, Lobatón fará sua décima estreia na Libertadores.

Julio César Cáceres

Cáceres conhece a Copa vestindo o uniforme de três equipes diferentes: Olimpia, River Plate e Guaraní. E o zagueiro tem mais participações na competição do que a maioria dos jogadores supracitados. Uma vez que sua estreia nesta edição acontecer, ele atingirá dez aparições no torneio mais importante da América do Sul. Em seu segundo ano como profissional, Cáceres já ganhou uma Libertadores, com o Olimpia.

Desde 2013 que o zagueiro de 37 anos defende as cores do Guaraní. E, de lá para cá, ele só não esteve na Copa no ano de sua chegada, uma vez que os paraguaios não conseguiram se classificar para o torneio. O curioso é que em duas ocasiões o time de Cáceres eliminou o Corinthians na Copa. Em 2006, quando ele estava no River Plate, o alvinegro caiu nas oitavas de final para a equipe de Buenos Aires. Em 2015, o mesmo aconteceu na mesma fase da competição. O time, porém, já era o Guaraní, que buscou a façanha de alcançar a semifinal da Libertadores pela primeira vez em sua história.

Mineros de Guayana FC v Caracas FC - Torneo Clausura 2013

Alejandro Guerra

Uma das excepcionais contratações que o Palmeiras fez na última janela de transferências. Pela sétima vez, Guerra disputará a Libertadores. Após ter sido eleito o melhor jogador do torneio ano passado, quando foi campeão com o Atlético Nacional depois de três temporadas seguidas jogando a competição, o meia agora tentará dar aos alviverdes o que sua torcida diz ser obsessão. Junto com Borja, o jogador de 31 anos lutará para repetir o feito de 2016 e atingir o topo da América.

E qualidade para isso ele tem. Muita. Além de jogar com a camisa verdolaga na Copa, ele também vestiu o uniforme do Caracas, tendo jogado com ele nas campanhas de 2007, 2008, 2009 e 2010. E Guerra não enfrentará nenhuma das equipes pelas quais passou na fase de grupos. Nesta etapa, o Palmeiras encara o Atlético Tucumán, o Jorge Wilstermann e o Peñarol.

ESPECIAL LIBERTADORES

Podcast Trivela #118: A fase de grupos da Libertadores vai começar

Os ‘Señores’ Libertadores: 10 medalhões que disputam a taça mais uma vez

Um mapa para conhecer a história de fundação dos 32 times da Libertadores 2017

Invada as arquibancadas da Libertadores ouvindo o canto das torcidas da fase de grupos

Em busca do estrelato: 10 jogadores para ficar de olho na Libertadores 2017

Mostrar mais

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo