Obreros em obras

No futebol há alguns momentos que significam uma mudança completa de realidade e de conjuntura. São os chamados “turning points”, ou “pontos de virada” por falta de tradução melhor. O Cerro Porteño viveu um no ano passado. Agora, reformulado e com esperanças renovadas, se prepara para outro. Não exatamente por uma mudança brutal, mas por um momento significativo, que pode colocar o clube novamente no caminho do sucesso.
Foi em 2011. No dia 1º de junho de 2011. Naquela data um ascendente Cerro Porteño parou em Rafael. No Santos de Rafael, Neymar e companhia. A partir daquele 3 a 3 em casa, nas semifinais da Libertadores, o Cerro foi outro. Subitamente todas as forças do time sumiram. Parecia que o clube tinha se preparado para aquele momento e apenas aquele momento. Quando a eliminação veio, toda a magia do time foi junto.
Após a queda no torneio continental, os comandados do técnico Leonardo Astrada terminaram o Apertura paraguaio em sétimo lugar, entre 12 times. A má campanha, porém, tinha explicação, já que o Ciclón de Barrio Obrero havia apostado todas as suas fichas na Libertadores. O Clausura prometia melhor sorte, mas… Nas nove primeiras rodadas o Cerro custou a se acertar, alternando vitórias e derrotas, mas mantendo sempre um desempenho discreto. Foram três vitórias, quatro empates e duas derrotas no período, o suficiente para Leonardo Astrada se reunir com a direção e acertar sua renúncia no final de setembro.
No lugar de Astrada assumiu o também argentino Mario Grana, que fazia parte da comissão técnica do ex-treinador. Com quase o mesmo time e ambições menores para o restante da temporada, o novo comandante fez um bom trabalho. Em 13 jogos foram nove vitórias, três empates e apenas uma derrota. O desempenho colocou o Cerro na segunda posição do Clausura, mas a campanha não foi suficiente para levar o Ciclón de volta à Libertadores. Sem participar do torneio continental, todas as atenções do clube azulgrana se voltaram para o campeonato paraguaio, fazendo com que o técnico entrasse para a disputa bastante pressionado. Depois de dois anos sem conquista alguma, era vencer ou vencer para o clube de Asunción.
Com esta ideia em mente o leitor deve imaginar o quanto foi frustrante para o Cerro perder logo na estreia do Apertura 2011 para o Sportivo Luqueño. Torcedores já queriam a cabeça do técnico ali. Mario Grana, porém, recebeu mais tempo. Aos poucos ele tem acertado o time e já emendou quatro vitórias neste campeonato. Vitórias essas que colocam o Cerro na ponta da tabela, com 12 pontos em cinco jogos.
Os triunfos, no entanto, não significam um novo time. O Cerro 2012 é o mesmo que foi bem no início e final de 2011. O time joga um futebol feio, de muitos cruzamentos para a área e pouco toque de bola. O 4-2-3-1 da temporada passada se tornou duas linhas de quatro, mantidas a ferro e fogo. Mas o que mais mudou foi a dinâmica do jogo, essencialmente pelas peças trazidas pela direção ao longo dos últimos seis meses.
Para o lugar de Ivan Píris, hábil marcador, o Cerro trouxe ainda no passado Mathías Corujo, lateral direito uruguaio que defendia o Peñarol e que tem no apoio sua principal característica. Em 2012 o Ciclón trouxe para o outro lado do campo Walter López, emprestado pelo próprio Peñarol. Juntos os dois tem mostrado competência no ataque e na defesa, sendo verdadeiras válvulas de escape do jogo pelos lados e formando boas parcerias com Julio dos Santos e Jorge Rojas, os ponteiros do esquema de Grana.
Na frente o sempre letal Roberto Nanni agora tem a companhia de Edgar Benítez, que chegou no ano passado, e de Santiago Salcedo, vindo do Argentinos Juniors já em 2012. Em diversas partidas Nanni é até banco de reservas para um jogo mais fluido do Ciclón, que conta ainda com Diego Barreto no gol, Alexis González na marcação e Fidencio Oviedo, também contratado em 2012, no desarme e jogadas pelo centro. Entre os suplentes, o técnico azulgrana também tem Jonathan Fabbro, outrora craque do time e atualmente em má fase – segundo os cerristas a culpada é a noiva do jogador, Larissa Riquelme. Ou seja, hoje o Cerro Porteño tem mais opções, mas ainda joga da forma pragmática que o fez bem sucedido no ano passado.
Para a torcida não é o suficiente. Muitos continuam irritados com a falta de consistência ofensiva do time. A insatisfação só deve cessar de fato com um título. O do Apertura é o mais tangível. Com Libertad, Olimpia e Nacional parcialmente concentrados na Libertadores – em breve menos -, o Cerro é o único dos grandes do país a levar o campeonato a sério do começo ao fim. As quatro vitórias seguidas dão força para os jogadores seguirem em frente. Sem futebol, mas com resultados…. É assim que o Ciclón pode conquistar de novo a sua imensa torcida. É assim que o clube pode voltar ao caminho do sucesso. O tal do turning point é agora…
Tuitadas da Libertadores
Grupo 1: A vitória do Santos contra o Inter mantém o The Strongest na ponta e com boas chances de classificação ainda. Se fizerem nove pontos, bolivianos devem estar na segunda fase.
Grupo 2: A expulsão de Marlon de Jesús arruinou uma promissora atuação do organizado Emelec diante do bagunçado Flamengo. Grupo muito equilibrado, com Fla um pouco melhor ainda.
Grupo 3: O Bolívar foi a Barranquilla e arrancou um grande resultado: uma vitória por 1 a 0 contra o Junior. O triunfo deixa os bolivianos de novo no páreo. Junior decepciona, assim como a Católica, que só faz mais um jogo em casa e tem 3 pontos.
Grupo 4: Grande vitória do Fluminense em La Bombonera. Como um virtuoso disse, Wellington Nem mostrou a Muricy que é possível um jovem jogar bem no estádio do Boca lotado.
Grupo 5: O Vasco sofreu e quase se complicou contra o fraco – em 2012 ainda mais fraco – Alianza Lima. Duelo dos cariocas deve ser com o Nacional pela segunda vaga.
Grupo 6: O Nacional do Paraguai bem que tentou parar o Corinthians, mas a diferença técnica foi flagrante. Dificilmente a classificação foge de alvinegros e do Cruz Azul.
Grupo 7: Depois de uma rodada ruim contra o Defensor Sporting, o Deportivo Quito voltou a mostrar bom futebol. Dominou o Vélez em casa no segundo tempo e venceu por 3 a 0. Favorito à classificação em segundo lugar.
Grupo 8: Talvez os dois melhores jogos da Libertadores até aqui tenham sido realizados nesta semana no grupo 8. O 1 a 1 de U.de Chile e Peñarol foi disputadíssimo. O que dizer então do 4 a 4 de Atlético Nacional e Godoy Cruz? Atlético e La U devem passar de fase. Peñarol tem pouquíssimas chances
Mais paraguaias
Após a vitória por 5 a 3 diante do Rubio Ñu, o Cerro Porteño lidera com 12 pontos em cinco jogos. Em segundo lugar está o Libertad, que fez 3 a 0 no Sol de América fora de casa e tem 11 pontos. O Olimpia é o terceiro, também com 11 pontos, depois de vencer o Nacional por 2 a 1. O Nacional, por sua vez, é o quinto, com nove pontos em cinco jogos.
Peruanas
– A crise do futebol peruano ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira. A imprensa local noticia que a Universidad San Martín pode voltar atrás na sua decisão “irrevogável” de abandonar o futebol profissional. O retorno estaria condicionado a um controle ferrenho das despesas dos clubes do país. A conferir…
– Enquanto isso o governo do Peru decidiu agir. Um decreto de urgência publicado na última semana permite que os clubes funcionem sob administração de um “interventor” enquanto tentam reestruturar suas contas. O Estado seria uma espécie de fiador no processo. A medida salva Alianza Lima e Universitario de Deportes por mais algum tempo.
– Em meio a todas as idas e vindas políticas e econômicas a segunda rodada do Descentralizado foi realizada. O Sporting Cristal lidera com seis pontos em dois jogos, depois de vencer o Sport Boys por 5 a 0. A ponta da tabela é compartilhada com a Universidad César Vallejo, que fez 4 a 1 no Melgar, e pelo Real Garcilaso, que venceu o Alianza Lima por 2 a 1 fora de casa.
Chilenas
-No Apertura chileno a grande surpresa continua sendo o O'Higgins, que fez 3 a 1 na Universidad de Concepción fora de casa e que lidera o campeonato com 13 pontos em seis jogos. O clube divide a ponta com a Universidad de Chile, que ganhou do Cobresal por 3 a 1. Em terceiro aparece o Cobreloa, com 11 pontos, após empate por 2 a 2 com o Deportes La Serena. Na quarta posição está a Universidad Católica, que ganhou por 2 a 0 do Rangers.
-O Colo-Colo segue em má fase. A equipe empatou por 0 a 0 com o Santiago Wanderers e se encontra na sétima posição do Apertura
Uruguaias
Se as coisas vão mal na Libertadores, no Clausura o Peñarol manda. São três vitórias em três jogos, que garantem a liderança do torneio até aqui. A última delas foi contra o Cerro Largo: 4 a 2 na estreia de Jorge Polilla da Silva. Em segundo lugar está o Liverpool, que venceu o El Tanque Sisley e chegou também aos nove pontos em três jogos. O Nacional é o terceiro, após bater o Cerro por 3 a 0, seguido pelo Defensor Sporting, que fez 2 a 0 no Cerrito.
Equatorianas
– No Equador a LDU venceu o Emelec por 2 a 0 e manteve a liderança do Primera Etapa, agora com dez pontos em quatro jogos. O Independiente, que empatou com o Barcelona fora de casa, é o segundo, com sete pontos e os mesmos quatro jogos. O Emelec, por sua vez, é o terceiro, também com sete pontos.
– O Barcelona é o quinto, com seis pontos em quatro jogos.
– O Deportivo Quito, totalmente focado na Libertadores, ficou no 0 a 0 com o Técnico Universitário e é o penúltimo colocado, com dois pontos.
– A notícia triste da rodada foi a morte de um torcedor da LDU no estádio Casa Blanca depois de um confronto entre torcedores do próprio clube. O ocorrido gerou uma suspensão de três rodadas de mando de campo ao clube de Quito. A LDU recorreu da decisão.
Bolivianas
– Na Bolívia alguns times tem sete e outros oito jogos no Clausura. O que não muda é o equilíbrio da competição. O San José venceu no final de semana o Guabirá por 6 a 2 e bateu o Real Mamoré por 3 a 0 nesta quinta-feira. Com o resultado o clube é o ponteiro, com 14 pontos em oito jogos. Em segundo vem o Nacional Potosí, que empatou com o Bolívar por 1 a 1 e tem 13 pontos em sete jogos. Na sequência aparece o Blooming com 13 pontos em sete jogos, após derrota por 2 a 0 para o Oriente Petrolero.
– Na sequência da tabela aparecem La Paz, com 12 pontos, Universitario de Sucre, com 11 e Real Mamoré, também com 11.
Venezuelanas
Na Venezuela o Deportivo Lara mantém sua invencibilidade e ainda goleia. A equipe recebeu o Tucanes de Amazonas e aplicou um 6 a 1. O resultado levou o Lara aos 17 pontos em sete jogos. O Zamora é o segundo, depois de vencer o Monagas por 1 a 0. A equipe de Barinas, porém, tem oito jogos e agora 15 pontos. Em terceiro aparece o Caracas, com sete jogos e 14 pontos depois da vitória por 1 a 0 contra o Real Esppor. O Mineros de Guayana ocupa a quarta posição, com 13 pontos também em sete jogos, após triunfar diante do Deportivo Táchira por 2 a 1.
Colombianas
– Se o Atlético Nacional é a sensação da Libertadores, quem lidera no Apertura da Colômbia são Atlético Huila e Deportes Tolima, com 13 pontos em seis jogos. O Huila venceu o Quindío fora de casa por 2 a 0, enquanto o Tolima ganhou do Once Caldas por 1 a 0 em seus domínios.
– Em terceiro lugar está o Envigado, que venceu o Patriotas por 2 a 0. Itagüí, Atlético Nacional – que perdeu por 1 a 0 para o Cúcuta -, Deportivo Pasto, Junior e Patriotas completam os oito primeiros, que estariam classificados para os playoffs.
– Com mais uma derrota o Once Caldas é o penúltimo colocado, somando três pontos em seis jogos, sem nenhuma vitória. Apesar do péssimo desempenho a diretoria garantiu, ao menos por ora, o técnico Pompillo Paéz.
-Enquanto isso na segundona da Colômbia o América de Cali vai tentando se livrar de seu calvário pela divisão de acesso do futebol nacional. Os Diablos estão na terceira posição, com a mesma pontuação dos lídres Rionegro e Uniautónoma: 13 pontos em seis jogos.



