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O São Paulo mostrou que acredita em si, e deu motivos para a torcida fazer o mesmo

Poderíamos começar esse texto com considerações táticas sobre como o São Paulo se organizou sem Michel Bastos e Luis Fabiano para ganhar do Cruzeiro. Poderíamos falar dos mais de 66 mil torcedores que foram ao Morumbi e protagonizaram o maior público do Brasil no ano. Poderíamos até falar de Centurión, e como ele já deveria ter mais espaço nesse time. Mas tudo isso é secundário diante de algo maior: a crença.

O maior motivo para a vitória do São Paulo não foi tático ou técnico, foi psicológico. O time continua tendo alguns problemas, como a falta de contundência de Alexandre Pato na hora de finalizar ou a dificuldade de Ganso deslanchar em 2015. A defesa vez ou outra deixa buracos que dão a impressão que o adversário pode chegar ao gol assim que acertar o contra-ataque. Seriam motivos para tirar confiança da equipe, deixá-la mais conservadora, buscando apenas o suficiente para um resultado magro. Não foi o que ocorreu.

O São Paulo jogou com a intensidade e o desprendimento mental de quem via que seu futuro na Libertadores estava em jogo naqueles 90 minutos, como se não houvesse a partida do Mineirão. O time acreditou em suas forças, e essa confiança ajudou a minimizar os problemas que os são-paulinos ainda têm.

Bruno, um dos jogadores mais contestados do elenco, foi um dos destaques, com atuação merecidamente premiada com uma assistência. Centurión às vezes é estabanado, mas é essa impulsividade que faz o argentino um jogador interessante desse grupo, botando fogo no time e na torcida. Souza mostrou um futebol mais parecido com o de 2014, que lhe valeu convocações para a Seleção.

Do outro lado, o Cruzeiro era burocrático. Entrou em campo pensando mais nos 90 minutos do Mineirão do que nos do Morumbi. Em alguns momentos mostrou bom toque de bola e capacidade de articular boas jogadas, mas não sustentava essa postura e rapidamente se deixava acuar.

O resultado disso foi uma partida de pressão são-paulina, que provavelmente teria um placar mais elástico se Michel Bastos e Luís Fabiano estivessem em campo, ou se o goleiro cruzeirense Fábio não estivesse. O gol solitário a poucos minutos do final serviram para dar um ar épico e reforçar a insistência tricolor durante o jogo todo, ainda que mostrasse como uma boa atuação do São Paulo quase culminou em um empate que seria bastante preocupante.

De qualquer forma, ficou claro que o time acredita em si próprio, a despeito de seus problemas. Talvez a torcida tenha aprendido a acreditar um pouco também, e isso pode fazer a diferença para esse São Paulo caminhar uma fase a mais ou a menos na Libertadores 2015.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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