América do Sul

O Nacional ganhou a decisão que realmente importava no Campeonato Uruguaio e se sagrou bicampeão

Pela segunda vez no Campeonato Uruguaio, um time que não conquistou o Apertura ou o Clausura acaba com o título final

O Nacional de Montevidéu não conquistou Apertura ou Clausura nesta temporada. No máximo levou o Torneio Intermédio. Porém, os tricolores conseguiram manter a regularidade ao longo do campeonato e, no fim, ganharam a decisão que mais importava para se proclamarem como os novos campeões uruguaios. Por ter a melhor pontuação acumulada, o Bolso pegou um atalho à final, esperando o vencedor de um jogo entre os donos do Apertura e do Clausura. O Rentistas passou pelo Liverpool e, nos dois embates contra o Nacional, acabou engolido pelos gigantes na finalíssima. Depois da vitória por 3 a 0 na partida de ida, os tricolores selaram a conquista com mais um triunfo nesta quarta, por 1 a 0. É o 48° título uruguaio do clube.

Nesta temporada, o Nacional havia perdido basicamente todos os jogos decisivos pelo Campeonato Uruguaio. No Apertura, o Bolso terminou empatado com o Rentistas no topo da tabela e os dois fizeram um jogo-desempate. Melhor para os nanicos, que alcançaram a façanha. Depois, no Intermédio, que serve para preencher o meio da temporada, a final aconteceu contra o Montevideo Wanderers. O Nacional pelo menos venceu nos pênaltis, embora não fosse o feito mais prestigioso. Por fim, no Clausura, o Nacional era o principal perseguidor do Liverpool. No confronto direto, os tricolores tomaram uma traulitada por 4 a 0 e viram os concorrentes se proclamarem campeões naquele mesmo jogo. Apesar da sequência de fracassos, ainda restavam esperanças.

Sempre competindo no alto, o Nacional terminou o Campeonato Uruguaio com a maior pontuação geral, juntando a três partes da liga. Tal desempenho garantiu uma vaga na fase de grupos da Libertadores e, principalmente, a chance de disputar a taça. O intrincado regulamento da competição prevê que os vencedores de Apertura e Clausura sejam apenas semifinalistas da etapa final, que realmente vale a faixa no peito. Assim, Rentistas e Liverpool se digladiaram para encarar na decisão o clube de melhor pontuação – exatamente o Nacional. Após atravessar o Clausura ameaçado pelo rebaixamento, o Rentistas surpreendeu ao eliminar o embalado Liverpool. Contudo, não conseguiu peitar o Bolso, bem mais acostumado a jogos desse calibre.

O primeiro embate da final aconteceu no domingo, dentro do Gran Parque Central. O Nacional fez as honras da casa e atropelou o Rentistas por 3 a 0, encaminhando o título. A partir de dois escanteios, Gonzalo Bergessio anotou dois gols antes dos 30 minutos. No segundo tempo, Nicolás Laborda fechou a conta em mais uma cabeçada aproveitando o tiro de canto. Num jogo muito pegado, com 11 cartões amarelos, o Rentistas teve a infelicidade de um gol anulado quando poderia descontar e ainda parou no goleiro Sergio Rochet.

Já nesta quarta, com a vantagem ampla, a vitória por 1 a 0 serviu para complementar a imposição do Nacional. O Rentistas até adotou uma postura mais ofensiva dentro de casa, sem resultado. Bergessio marcou o gol do título aos 40 minutos, numa nova cabeçada, e ainda perdeu um pênalti no segundo tempo, acertando a trave. Outro destaque foi o garoto Joaquín Sosa, de 19 anos, que precisou sair do banco no primeiro tempo e, em sua estreia como profissional, deu a assistência com um cruzamento perfeito. No fim, o Rentistas ainda teria um jogador expulso, botando a pá de cal. Foi a apenas segunda vez que o time campeão uruguaio não levou antes o Apertura ou o Clausura, num feito até então restrito ao Peñarol em 1997, em seu famoso pentacampeonato.

O Nacional está longe de atravessar um bom momento e a maneira como foi amassado pelo River Plate na última Libertadores é bastante representativa. Contudo, mesmo numa temporada instável, o Bolso conseguiu ser o melhor num Campeonato Uruguaio nivelado por baixo. Os tricolores tiveram três comandantes ao longo da campanha. Gustavo Munúa começou a competição e perdeu o emprego ao final do Apertura, enquanto Jorge Antonio Giordano foi demitido após a goleada do Liverpool no Clausura. Martin Ligüera assumiu interinamente e, com quatro partidas no cargo, foi campeão.

Dentro de campo, o Nacional teve um grande binômio. O goleiro Sergio Rochet é um dos melhores do Uruguai na atualidade e faz a diferença à equipe. Enquanto isso, Bergessio decidiu o título e também protagonizou o ataque em diversos momentos, acumulando 25 gols. Além da dupla principal, jovens como Brian Ocampo e Felipe Carballo tiveram contribuições importantes. As categorias de base, aliás, forneceram uma parte fundamental da espinha dorsal – dos 18 jogadores com pelo menos dez aparições, dez são pratas da casa. Existe potencial, embora não seja um time que meta medo para o sorteio na Libertadores.

O Nacional conquista o bicampeonato nacional, dominante neste século com 12 troféus. Além disso, o Bolso se aproxima dos maiores rivais na tabela histórica. Embora existam discussões sobre a contagem de títulos do Peñarol, somando também os tempos de CURCC (que deu origem aos aurinegros), o clube possui 50 taças. O Nacional chega às 48. Mas sabe que precisa evoluir para buscar o tri que não vem desde o início do século. Uma das chaves pode ser Andrés D’Alessandro, anunciado pelos tricolores em janeiro e que só estreará no Campeonato Uruguaio 2021.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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