América do Sul

O Nacional de Montevidéu oferece mais uma camisa pesada para D’Alessandro escrever os capítulos finais da carreira

Andrés D’Alessandro encerrou sua história no Internacional como um dos maiores ídolos do clube. O argentino levou os colorados a grandes conquistas e, ainda mais importante, criou uma enorme identificação com a torcida. Porém, a emotiva despedida do Beira-Rio não significou um adeus total do futebol. E, aos 39 anos, D’Ale continuará escrevendo os últimos capítulos de sua carreira no Uruguai. O armador assinou com outro gigante do futebol sul-americano, anunciado pelo Nacional de Montevidéu. Seu contrato valerá até o fim de 2021.

“Há alguns dias, terminei uma das passagens mais importantes da minha vida depois de 12 anos no Brasil. Agora, a história deve seguir – minha história deve seguir. É hora de virar a página. Hoje posso dizer que encontrei num novo desafio. Sabia que deveria estar num clube cheio de glórias. E assim será. Em 2021 serei jogador do Club Nacional de Fútbol”, declarou D’Alessandro, em carta lida durante seu vídeo de apresentação ao Nacional. O jogador se juntará ao elenco neste mês de janeiro, mas aguardará o fim da temporada 2020 para poder estrear.

“Para um jogador, o Nacional tem tudo: três títulos da América e do mundo, mais de 100 anos de vida e o estádio onde começou a história das Copas. Além disso, uma torcida fantástica. Este será o meu novo capítulo. Cumprirei um sonho profissional. E darei tudo, com respeito, compromisso e dedicação para fazer ainda maior o decano do futebol uruguaio. Não vejo a hora de chegar, colocar a camisa e defender o Nacional. A gente se vê em breve. Um abraço”, complementou o veterano.

Foi contra o próprio Nacional que D’Alessandro realizou uma de suas últimas grandes atuações pelo Inter. Em 2019, o craque protagonizou os colorados na classificação diante dos uruguaios nas oitavas de final da Copa Libertadores. Agora, seu destino é o Gran Parque Central. O futebol do país vizinho oferece um nível de exigência menor ao veterano, que poderá atuar com mais frequência. Acima disso, não será surpreendente se D’Ale arrebentar em Montevidéu, dada a sua qualidade técnica. É um recurso a mais ao elenco.

O Nacional continua mirando os títulos no Campeonato Uruguaio. O Bolso se classificou à decisão do Torneio Intermédio, adiada por conta de um caso de COVID-19. Além disso, o time também lidera a tabela anual da liga, que pode garantir sua presença nos mata-matas decisivos da competição. A partir da temporada 2021, D’Alessandro poderá alavancar uma equipe que carece de recursos ofensivos. O armador deverá representar uma quebra no modelo de jogo reativo do Nacional. E pode figurar na Libertadores de 2021, a depender do desfecho desta edição do Campeonato Uruguaio.

Depois de atuar em clubes tradicionalíssimos de Buenos Aires e Porto Alegre, D’Alessandro poderá atrelar seu nome a Montevidéu. Ainda que o veterano corra contra o tempo antes de pendurar as chuteiras, segue com a possibilidade de brilhar no Gran Parque Central – tal qual fez Álvaro Recoba, outro grande armador que sobrou no Bolso durante a reta final de sua carreira. Será interessante de observar, além do mais, como será o casamento entre a personalidade de D’Ale e o futebol que se pratica no Uruguai. O meia tem motivos para cair nas graças da torcida tricolor não só por sua bola.

E a chegada de D’Alessandro ao Nacional remete a outro prata da casa do River Plate que viveu seus últimos dias como jogador no Gran Parque Central: Marcelo Gallardo. O meia não produziu tanto em campo com a camisa tricolor, mas foi o clube uruguaio que abriu as portas para Gallardo iniciar seu trabalho como treinador. Que as intenções iniciais com D’Ale se limitem ao gramado, não surpreenderá se o Bolso apresentar um projeto maior ao argentino, que não se restrinja ao seu papel como jogador. Como já sinalizou, D’Ale pretende se tornar dirigente – em um caminho propício também a uma volta futura ao Beira-Rio.

Certo é que, acima do impacto nas partidas, o Nacional ganha um reforço para se entregar pelo clube e também para ensinar aos companheiros – especialmente pelo bom número de promessas à disposição no atual elenco. É bem possível que D’Alessandro jogue com mais frequência do que no Internacional, um dos desejos que culminaram na despedida em Porto Alegre. Também poderá se arejar da pressão que carregava por sua estatura no Beira-Rio, tantas vezes respondendo por questões internas e dando a cara a tapa. Será uma nova jornada especial, a um dos principais jogadores em atividade na América do Sul neste século. E que naturalmente enche a torcida uruguaia de expectativas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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