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Copeiro, Galo não teve protagonistas. Teve salvadores

Ronaldinho, Bernard, Jô e Diego Tardelli. O quarteto ofensivo do Atlético Mineiro merece ser engrandecido por sua participação na conquista da Libertadores. Porém, não tanto quanto a representatividade de seus nomes possa sugerir. O título do Galo foi feito mais de um time do que de um craque que tenha carregado os companheiros nas costas. Nenhum jogador desequilibrou o tempo todo. Mas alguns messias surgiram a cada momento de desesperança, para colocar os atleticanos no topo das Américas.

A própria campanha do time na competição permitiu tal situação. O brilho ficou contido na primeira fase, quando o show era constante. Naqueles primeiros seis jogos, Ronaldinho foi indiscutivelmente o protagonista. Quando o calo apertou, no entanto, a solução não era tão óbvia. Fase a fase, o Galo superava o imponderável graças ao próprio suor. Os heróis se renovavam, criando um altar de novos santos.

Victor, obviamente, é quem merece maior culto. Uma grande contratação junto ao Grêmio, mas que chegou a Belo Horizonte sob certa dose de desconfiança. Das acusações de que não pegava pênaltis, defendeu uma cobrança que ficará marcada na história do futebol brasileiro como uma das maiores já vistas, contra o Tijuana. Renovou sua santidade contra o Newell’s Old Boys e, na decisão, também deixaria seu nome em evidência ao parar o primeiro batedor do Olimpia, dando a tranquilidade necessária para o título alvinegro.

Ao seu lado no altar, os salvadores de ocasião foram Guilherme e Leonardo Silva. Seus gols, contra Newell’s e Olimpia, não foram os que impulsionaram o Atlético rumo à superação, como os de Bernard e o de Jô. Na verdade, foram os verdadeiros milagres. O fio de esperança em momentos nos quais ela já desaparecia. Aos 39 e aos 42 minutos do segundo tempo, para soltar o grito, levar as decisões aos pênaltis, dar a faixa de campeão ao Galo.

De tanto reverter a lógica, o épico do Atlético na final parecia até óbvio. O gol de Pittoni em Assunção foi o requinte de crueldade, enquanto a falha grosseira de Ferreyra no Mineirão, contrariando as leis da física, é o rito de passagem entre a pecha do peso da camisa do Rey de Copas e o novo rei da Libertadores. O Galo, no papel, era mais time que seus adversários na reta final. Em campo, nem sempre foi. Valeu-se de outro artifício famoso para ser campeão continental. Sem dúvidas, foi o mais copeiro, enterrando qualquer maldição contra seu nome.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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