América do Sul

O fim de uma era

A última quinta-feira marcou o fim de um importante capítulo da história do futebol chileno; o fim da era Bielsa à frente da seleção nacional. Por incrível que pareça a saída do treinador argentino não se deu por resultados, ofertas melhores ou qualquer aspecto inerente à vida do técnico, mas sim por motivos políticos; a eleição para a presidência da Associación Nacional de Futebol Profissional (ANFP). Explica-se: o vencedor foi o candidato da oposição, o espanhol Jorge Segovia, que bateu o atual presidente Harold Mayne-Nicholls, responsável pela chegada de Bielsa e posterior renovação de seu contrato até 2015.

Em meio aos boatos de que não trabalharia com Segovia caso ele fosse eleito, El Loco convocou uma entrevista coletiva na quarta-feira confirmando os boatos. As razões apresentadas pelo técnico foram de que não havia como continuar com Segovia um trabalho firmado com Nicholls e que ele próprio não via como fazer uma parceria com um dirigente com o qual ele não tinha pontos em comum – segundo consta, Bielsa despreza o passado do novo presidente da ANFP, marcado por ingerências, atitudes impulsivas e até desrespeito a contratos deatletas.

Assim, o jogo do Chile contra o Uruguai, marcado para o dia 17 de novembro, deve ser o último de El Loco no comando da Roja, findando um período de mais de três anos de bons resultados e, principalmente, de resgate do orgulho do futebol chileno e atitude assertiva dentro de campo. Quando Bielsa chegou, em agosto de 2007, o Chile ainda estava abatido pela acachapante derrota por 6 a 1 para o Brasil nas quartas de final da Copa América. Sua contratação era vista com desconfianças, afinal de contas, Marcelo estava desempregado desde 2004, quando faturou o ouro olímpico com a seleção argentina.

Sob seu comando a Roja passou a ser outra. O futebol defensivo e acanhado de outrora passou a ser ofensivo e altivo. O Chile, mesmo sem estrelas, como foram Zamorano e Salas, passou a jogar de igual para igual, fosse contra quem fosse. Em alguns momentos os chilenos exageraram, como nas derrotas para Brasil e Paraguai por 3 a 0 em casa, nas eliminatórias da Copa 2010, mas tiveram muito mais sucessos do que fracassos.

Não à toa, a seleção de Bielsa terminou o torneio qualificatório com a segunda melhor campanha e o segundo melhor ataque do continente, somente atrás dos brasileiros, e voltou a uma Copa depois de 12 anos de ausência. No Mundial, o Chile foi com a mesma ousadia das eliminatórias. Escalado em um nada usual 3-3-1-3, Bielsa atacou o tempo inteiro Honduras, Suíça, Espanha e Brasil. Acabou perdendo para os dois últimos, o que é absolutamente normal, mas devolveu o orgulho chileno em competições internacionais ao vencer dois jogos, obtendo contra Honduras a primeira vitória da Roja em Copas desde 1962.

Por tudo isso, Bielsa havia estendido seu contrato com o Chile até 2015. A ideia era dar continuidade ao ótimo trabalho feito até ali e melhorá-lo com uma maior participação de El Loco junto aos clubes e divisões de base, mirando, é claro, uma grande Copa em 2014. A tarefa ficará a cargo de outro e desde já surgem nomes para a vaga do argentino. Os mais cotados são Claudio Borghi, do Boca Juniors, e Luis Aragonés, campeão da Euro 2008 pela Espanha. Do outro lado, já há informações de que River Plate e Boca estariam interessados na contratação de El Loco.

Como já diz o velho clichê, o futuro a Deus pertence. Mas, Bielsa pode, e deve, seguir com a cabeça erguida. Além do ótimo trabalho e de ter marcado época no comando da seleção chilena, seu último ato mostrou que, mais do que um ótimo profissional, ele também é um homem de caráter, disposto a abrir mão de um sonho para se manter fiel a suas crenças. Talvez este seja mais um motivo para chamá-lo de Loco…

Copa Sul-Americana

A LDU e o Independiente deram importantes passos rumo à semifinal da Copa Sul-Americana. Jogando na Argentina, contra o Newell's Old Boys, La U mostrou a sua já característica consistência defensiva e saiu com um empate em 0 a 0. Uma vitória simples na altitude de Quito garante a equipe equatoriana.

No outro confronto o Independiente mostrou força para buscar um empate por 2 a 2 no final do jogo ante o Deportes Tolima, na Colômbia. Com isso, a situação para o jogo da volta, que será disputado no estádio do Racing, pois o Independiente perdeu um mando de jogo em função dos incidentes no jogo contra o Defensor, é bastante complicada para os colombianos.

Lembrando que com a definição do confronto entre brasileiros na semifinal da Copa Sul-Americana, as duas equipes abordadas nesta coluna, Deportes Tolima e LDU, jogam contra argentinos ou entre si naquela fase. Se colombianos ou equatorianos chegarem à final, só decidem em casa se o adversário for Atlético-MG ou Goiás; Palmeiras e Avaí tem vantagem no confronto decisivo. Entre os argentinos, se o Independiente chegar na final, obrigatoriamente decide em casa.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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