América do Sul

O exemplo de Pepe Mujica ao Maestro Tabárez

José, o Pepe, e Oscar, o Maestro, ocupam os cargos mais importantes do Uruguay, nosso minúsculo vizinho ao sul. São três milhões de habitantes politizados e loucos por futebol, que acompanham e marcam em cima das decisões de José Mujica, o presidente, e Óscar Tabárez, o técnico da Celeste.

Pepe Mujica tem 78 anos e Tabárez, 66. Apesar da idade avançada, têm lidado – Pepe, com sucesso, e Tabárez, com dificuldades – com temas que afetam a juventude.

O governo, comandado pelo ex-tupamaro, que passou mais de década preso em uma solitária, tomou atitudes liberais que estão transformando o Uruguai em um país sem igual na América do Sul. O uso da maconha foi descriminalizado. E o aborto, até três meses de gravidez, foi liberado.

São atitudes ousadas, mas que não surpreendem quem conhece o presidente. Ele se recusa a viver no palácio presidencial e mora em uma chácara, pouco afastada de Montevidéu. Guia, ele mesmo, o seu fusca. E só recebe 10% do salário de 12.500 dólares a que tem direito. Os outros 90%, doa a ONG’s que trabalham com habitação.

Tabárez, ao assumir a seleção uruguaia, antes da última Copa, também enfrentou conceitos estabelecidos. Deixou de lado a famosa garra uruguaia e apostou no toque de bola. Não que nossos vizinhos tenham se transformado em rapazes bem educados. Nada disso. Lugano, Russo Pérez, Arévalo Rios e outros continuam lá, mantendo o estilo “cada enxadada uma minhoca”, mas a equipe recuperou o melhor que tinha em seu auge.

Quando ganhou as Olimpíadas de 24 e 28, os Mundiais de 30 e 50, o Uruguai jogava muita bola. Tinha craques, como Schiaffino e outros. Tabárez recuperou isso, fez o time jogar bem e bonito, chegou em quarto lugar no Mundial de 2010 e venceu a Copa América de 2011.

Foi o auge. E agora, Tabárez precisa renovar o time. Lugano está com 33 anos. Forlán não está jogando bem. E não há renovação. Cristian Rodríguez, Lodeiro e outros não conseguem manter o nível.

Ele precisa se reinventar como Pepe Mujica fez. Ou, o próximo presidente uruguaio não verá a Copa do Mundo no Brasil.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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