Defensor já tem uma das melhores campanhas uruguaias fora da ‘dupla de ferro’ na Libertadores

Nacional e Peñarol são duas referências na Copa Libertadores. Os gigantes uruguaios são os dois clubes que mais vezes participaram da competição, donos de oito títulos, presentes em 16 finais. Entretanto, a dupla também concentra demais os sucessos de seu país no torneio. Para se ter uma ideia, o terceiro time a representar o futebol uruguaio só apareceu em 1975, na 16ª edição da Libertadores: o Montevideo Wanderers, que quebrou o duopólio ao se classificar pela Liguilla. Não à toa, apenas 12 equipes do Uruguai tiveram a chance de estar ao menos uma vez na copa, mais apenas que o Paraguai. E por isso mesmo que o sucesso de uma terceira via, como o Defensor neste ano, é tão raro.
Em um certame no qual Peñarol e Nacional passaram vergonha, eliminados precocemente na fase de grupos, o Defensor surgiu para lavar a honra dos uruguaios. Primeiro colocado no grupo de Cruzeiro e Universidad de Chile apresentando um bom futebol, El Violeta também teve aqueles que talvez sejam as duas principais revelações do torneio até o momento: Felipe Gedoz e Giorgian De Arrascaeta. O desafio nas oitavas de final foi bem maior do que se podia imaginar, especialmente depois da derrota para o Strongest por 2 a 0 em La Paz. Mas, graças ao veterano Nicolás Olivera, que saiu do banco para decidir, os charruas repetiram o placar em Montevidéu e asseguraram a classificação depois que o goleiro Martín Campaña pegou duas cobranças na disputa por pênaltis.
A campanha do Defensor, ao garantir um lugar entre os oito melhores times da competição, já iguala a melhor marca de sua história – repetindo 2007 e 2009, quando eliminou Flamengo e Boca Juniors na primeira etapa dos mata-matas. Apenas dez vezes um uruguaio além da “dupla de ferro” foi além da fase de grupos na Libertadores: além das referidas presenças nas quartas, o Defensor parou nas oitavas em 1990, 1992, 1994 e 1996; o Bella Vista foi até as quartas em 1999; o Progresso, às oitavas em 1990; assim como o Wanderers em 2002.
O melhor desempenho foi justamente o do pioneiro a quebrar o duopólio. Em 1989, o Danubio só parou para o Atlético Nacional, nas semifinais. Por muito tempo, aliás, permaneceu como último time uruguaio a chegar tão longe na competição continental. Após o título de 1988, o Nacional só voltou a uma semifinal em 2009, enquanto o Peñarol permanece de 1987 a 2011 sem chegar entre os quatro primeiros. Números que só evidenciam a crise interna do futebol local nas décadas de 1990 e 2000, quando os poucos jogadores talentosos que surgiam logo partiam para o exterior, à mercê de empresários como Paco Casal e Juan Figer.
Nesta temporada, o Defensor representa um modelo que pode servir de exemplo para os outros clubes do Uruguai, mesmo os grandes: o bom trabalho nas categorias de base, unido à observação de jogadores. Foi assim que a equipe ganhou seus destaques. Seu adversário na próxima etapa será duríssimo, passe o atual campeão Atlético Mineiro ou o Atlético Nacional, que já demonstrou suas qualidades. Ainda assim, depois do que os violetas fizeram nos dois jogos contra o Cruzeiro, dá para sonhar. Um time de bairro que pode chegar às semifinais da Libertadores. E, principalmente, honrar o orgulho do futebol uruguaio.
As exceções uruguaias
Como foram as campanhas anteriores em que os uruguaios que quebraram o duopólio de Nacional e Peñarol ficaram entre os oito melhores da Libertadores? Confira:
Danubio, Libertadores 1989
Venceu todos os seus jogos em casa e foi o segundo colocado na fase de grupos, ficando atrás apenas do Peñarol, em uma chave que também tinha os rivais Bolívar e Strongest. Deu o azar de pegar nas oitavas o Nacional, então o atual campeão. Entretanto, La Franja surpreendeu ao vencer o jogo de ida por 3 a 1 e segurou o empate por 0 a 0 no reencontro. Eliminou o Cobreloa com duas vitórias na etapa seguinte. Só que parou para o fortíssimo Atlético Nacional, base da seleção colombiana e que ficaria com a taça, engolindo uma goleada por 6 a 0 em Medellín após o empate em Montevidéu. Destaques do time, Javier Zeoli, Rubén Pereira e Rubén da Silva faziam parte da seleção – os dois primeiros disputaram a Copa de 1990.
Defensor, Libertadores 2007
No mesmo grupo do Santos, o Defensor viu os brasileiros liderarem com 100% de aproveitamento e só se classificou graças ao saldo de gols, com os mesmos nove pontos do Gimnasia. Ficou com a segunda pior campanha entre os classificados e teve que pegar o Flamengo, campeão da Copa do Brasil. Mas os uruguaios se impuseram com uma excelente vitória por 3 a 0 no Estádio Centenario e nem o espírito de luta salvou os rubro-negros no Maracanã, com a vitória por 2 a 0. El Violeta ainda deu trabalho ao Grêmio nas quartas, eliminado apenas nos pênaltis, após uma vitória por 2 a 0 para cada lado. O elenco, porém, justificava o sucesso: Álvaro González, Maxi Pereira, Martín Silva, Martín Cáceres e Gonzalo Sorondo faziam parte daquele time, todos pratas da casa.
Defensor, Libertadores 2009
Mesmo vendendo boa parte dos destaques de dois anos antes, o Defensor fez outra campanha marcante na Libertadores. Foi o segundo do grupo do São Paulo, superando Independiente de Medellín e América de Cali. Outra vez com a segunda pior campanha, pegou mais um time de tradição nas oitavas, o Boca Juniors. E eliminou os xeneizes vencendo na Bombonera por 1 a 0, após o empate por 2 a 2 em Montevidéu. Teria outro argentino pelo caminho, o Estudiantes, mas não seria páreo ao timaço comandado por Verón, que ergueu a taça naquele ano: foram duas derrotas por 1 a 0. Além de Martín Silva, também faziam parte daquele time Sebastián Ariosa e Rodrigo Mora.





