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O Atlético Mineiro se remodela e começa a crescer com uma grande vitória na Libertadores

A Libertadores não tem sido digerível para boa parte dos clubes brasileiros nesta primeira metade da fase de grupos. São Paulo e Palmeiras precisam superar os próprios erros, enquanto o Grêmio enfrenta dificuldades em uma chave delicada. O Corinthians, por sua vez, passou certos apertos, embora veja a classificação encaminhada com três vitórias. Ainda assim, está abaixo do Atlético Mineiro. O bom início do time de Diego Aguirre chama atenção. Não à toa, os alvinegros são os únicos brasileiros a manter a invencibilidade. E, no geral, só têm um aproveitamento inferior ao do Atlético Nacional. Estão com a vaga praticamente garantida nas oitavas, especialmente após a imponente vitória por 3 a 0 sobre o Colo-Colo no Estádio Independência.

O Atlético vem despontando em 2016 desde a pré-temporada, com a boa participação na Flórida Cup. E, ainda que o desempenho no Mineiro não seja perfeito, a Libertadores já serve para revigorar as expectativas dos torcedores.  Por mais que o elenco tenha perdido jogadores importantes (especialmente Jemerson e Giovanni Augusto), a reformulação encabeçada por Aguirre vai dando reflexos positivos. No reencontro com o Colo-Colo, sobretudo, muitas dessas novas opções mostraram serviços.

A primeira surpresa positiva veio no gol. Diante da lesão de Victor, Giovanni provou-se mais uma vez como um reserva confiável. Segurou o rojão e garantiu o placar amplo, principalmente pelas boas defesas durante o segundo tempo. Além disso, contou com o auxílio de Erazo no miolo de zaga, que já parece adaptado à boa linha defensiva montada há tempos, com Marcos Rocha, Leonardo Silva e Douglas Santos. Na cabeça de área, ao lado de Rafael Carioca, Júnior Urso surgiu como grata surpresa, tanto no combate quanto na saída de bola, em especial pela assistência que resultou no segundo tento.

Nas meias, porém, é que se sobressaíram os principais nomes. Juan Cazares chegou sob expectativas e teve uma ótima participação para justificá-la, dando rapidez e qualidade na condução a partir da faixa central. O drible em seu gol, que abriu o placar, foi um primor. Já o deslocamento de Patric à meia não é exatamente uma unanimidade, mas o lateral tem contribuído com gols e agradou por seu empenho ofensivo, deixando o campo aplaudido. Saindo do banco, Hyuri também entrou bem, aumentando o vigor do time nos minutos finais. E há Robinho, que precisa entrar no ritmo do time. Isso sem contar os velhos conhecidos Luan e Pratto, essenciais pela movimentação e participação.

Obviamente, existem questões a se resolver para o andamento da campanha. O Atlético não tem atuado de maneira uniforme durante os 90 minutos, e passou momentos de pressão em diferentes partidas desta fase de grupos. Além disso, o Galo foi inferior ao Colo-Colo durante o encontro em Santiago e viu o 0 a 0 ser garantido pela boa atuação de Victor. Pontos importantes que pendem atenção, embora o saldo positivo prepondere. Especialmente pelo ótimo primeiro tempo que os mineiros fizeram diante do Colo-Colo no Independência.

De certa maneira, apesar das marcas profundas de Levir Culpi, o Atlético também começa a demonstrar algumas características dos trabalhos de Diego Aguirre. Neste processo, nomes antigos do grupo se tornam ainda mais primordiais – como Leonardo Silva, Rafael Carioca, Luan e Lucas Pratto. Com um treinador que realiza constantes rodízios em seu time titular, ter uma espinha dorsal é importante. Especialmente, que se encaixem com a proposta de jogo intensa que o uruguaio costuma aplicar.

Como diria Riquelme, a Libertadores começa “de verdade” nos mata-matas. De qualquer maneira, a fase de grupos se faz importante, para dar consistência ao time e confiança aos jogadores. Neste sentido, a vitória sobre o Colo-Colo valeu bastante. Em uma equipe que passa por mudanças, o momento para começar a ascender é este. Quem sabe, para já se garantir entre os melhores classificados à fase final da Libertadores.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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