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O atacante da seleção de São Tomé e Príncipe que brilhou contra o Corinthians na Libertadores

A globalização pode não ser tão intensa no futebol sul-americano, mas jogadores de outros continentes têm aparecido com mais frequência na Copa Libertadores. E o Corinthians sofreu com um forasteiro nesta quarta. Se a própria falta de controle pesou contra os alvinegros na derrota por 3 a 2 para o Cerro Porteño, não se pode menosprezar também a influência de Luís Leal. O atacante incomodou demais os brasileiros e fez boas jogadas nos dois primeiros gols, servindo a assistência em ambos. Um símbolo da Libertadores globalizada: nascido na cidade portuguesa de Arrentela, o jogador de 28 anos defende a seleção de São Tomé e Príncipe, terra de seus ascendentes. E, em 2016, veio brilhar na América do Sul.

Leal desembarcou no Paraguai em janeiro – uma espécie de “substituto” do tarimbado Dani Güiza, ex-atacante da seleção espanhola que disputou a Libertadores em 2014 e 2015 pelo Ciclón. O português começou a sua carreira em seu país natal, passando por equipes pequenas até chegar à elite do futebol local: defendeu União Leiria, Estoril e Belenenses na primeira divisão. Além disso, também rodou por outros países nos últimos dois anos, atuando por Al Ahli (Arábia Saudita), Ittihad Kalba (Emirados Árabes), Gaziantepspor (Turquia) e Apoel (Chipre). Já pela seleção nacional, em 2012 aceitou representar São Tomé e Príncipe e chegou a disputar as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, há cinco meses.

A chegada de Luís Leal ao Cerro Porteño dependeu da avaliação do técnico César Farías através de vídeos, já que ele não conhecia o reforço. E, ao menos por enquanto, o novato faz o que aparece no DVD. Prometendo trabalhar “como uma pantera” em sua apresentação, o lusitano ganhou apelido da torcida e marcou quatro gols nos oito primeiros jogos pelo Campeonato Paraguaio. Além disso, fez o tento da vitória por 2 a 1 sobre o Cobresal na Libertadores. Tornou-se, assim, o primeiro jogador de uma seleção africana a balançar as redes pela competição sul-americana desde 2003. O último havia sido o lateral camaronês Angbwa Benoit, que passou pelo Nacional do Uruguai, mas fez carreira no futebol russo.

Já contra o Corinthians, Luís Leal terminou a partida como o melhor em campo. Os alvinegros fizeram bom papel no primeiro tempo. Embora o Cerro Porteño dominasse as ações e tenha ameaçado a meta de Cássio, os corintianos conseguiram ser mais precisos em seus ataques. André abriu o placar aos 12 minutos, aproveitando a falha do goleiro Anthony Silva, e ainda acertou a trave pouco tempo depois. Porém, na volta do intervalo, o português chamou a responsabilidade. E desequilibrou o jogo, voando pelo lado direito do campo.

Em jogada na lateral, Leal girou sobre a marcação e cruzou para Beltrán. O centroavante ganhou da zaga do Corinthians pelo alto e cabeceou para as redes. Depois disso, os jogadores alvinegros perderam o controle, sem demonstrar a tarimba necessária para a Libertadores. André e Rodriguinho exageraram nas entradas e, pelo acúmulo de amarelos, acabaram expulsos – enquanto Guilherme se safou de também receber o vermelho. Com mais espaços, o Cerro Porteño sobrou. A Pantera fez outra boa jogada, dominando e rolando para Díaz decretar a virada, enquanto Beltrán ampliou. No final, ainda houve tempo para Giovanni Augusto descontar cobrando pênalti.

Dono de potência física e boa qualidade técnica, Luís Leal se mostra decisivo. E cai nas graças da torcida do Cerro Porteño. Com sete pontos em três rodadas, o Ciclón se credencia para buscar a classificação no Grupo 8, e com a vantagem de enfrentar o Independiente Santa Fe em Assunção. Chance de ver a Pantera atuando também nos mata-matas. Uma transferência digna de Football Manager, mas que causa o seu impacto.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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