América do Sul

Numa decisão dramática, o Atlético Nacional evita os pênaltis nos acréscimos e conquista o Apertura Colombiano após cinco anos de jejum

O Atlético Nacional venceu o Tolima por 3 a 1 na ida, mas correu riscos na volta em Ibagué e só no fim teve o alívio para selar a conquista

O Atlético Nacional colocou a faixa no peito neste domingo, ao conquistar o Torneio Apertura do Campeonato Colombiano. Os Verdolagas tinham encaminhado o título na partida de ida da final contra o Deportes Tolima, quando venceram por 3 a 1 em Medellín. No entanto, precisaram também escapar do sufoco em Ibagué na volta. Os oponentes chegaram a abrir dois gols de vantagem e desperdiçaram a chance do terceiro num pênalti. Foi só mesmo no fim que o Atlético Nacional descontou, com a derrota por 2 a 1 evitando a disputa por pênaltis e se tornando suficiente para a comemoração dos visitantes. Os paisas encerram um jejum de cinco anos sem faturar a liga nacional.

O Atlético Nacional vinha de campanhas mornas no Campeonato Colombiano durante os últimos anos. A última vez que os Verdolagas disputaram a decisão tinha sido em 2018. Mesmo sem convencer tanto nesse Apertura, a equipe fez a terceira melhor campanha na fase de classificação e cresceu no quadrangular semifinal. Os paisas terminaram o grupo invictos, com 12 pontos em seis partidas, despachando inclusive o Millonarios – dono da melhor campanha na etapa anterior. Assim, ganharam o direito de disputar a final. Então, veio o duelo contra o Tolima, que tinha mais pontos totais e, por isso, jogaria a segunda partida dentro de casa.

O Atlético Nacional encaminhou a conquista durante a partida de ida, dentro do Estádio Atanásio Girardot. Venceu por 3 a 1, de virada. Anderson Plata abriu o placar para o Tolima, mas Danovis Banguero, Yerson Candelo e Andrés Andrade buscaram o triunfo – com direito a um antológico gol de antes do meio-campo assinalado por Candelo. Graças ao placar dilatado, a situação ficava mais tranquila para o reencontro em Ibagué, apesar da tradicional pressão imposta pelos Pijaos dentro de casa.

O Deportes Tolima iniciou a reviravolta durante o primeiro tempo, com dois gols antes do intervalo. Emanuel Olivera marcou um gol contra e deu a vantagem para os anfitriões no Estádio Manuel Murillo Toro, aos 18 minutos. Já aos 36, depois que o Atlético Nacional acertou o travessão com Jefferson Duque, Juan Fernando Caicedo ampliou para os Pijaos em cabeçada. Neste momento, o resultado levaria a partida para os pênaltis. E o Tolima teve a grande chance de matar o jogo aos cinco minutos do segundo tempo, quando ganhou um penal para resolver no tempo normal. Daniel Cataño cobrou e o goleiro Kevin Mier defendeu.

O lamento do Tolima, porém, não ficou só no pênalti desperdiçado. Durante o rebote, Cataño deu um carrinho e acertou as travas da chuteira na coxa de Mier. O árbitro revisou o lance no VAR e resolveu expulsar o camisa 10. Com um jogador a mais, o Atlético Nacional se tornou mais ofensivo e conseguiu seu desafogo. Os Verdolagas tiveram um gol anulado por impedimento, até sacramentarem o resultado aos 46, escapando da disputa por pênaltis. Depois de uma cobrança de escanteio desviada no primeiro pau, Jarlan Barrera definiu o tento decisivo na pequena área, para uma emotiva comemoração dos paisas.

O Atlético Nacional é dirigido por Hernán Darío Herrera, que foge um pouco dos medalhões que comandaram o clube nos últimos anos. Antigo jogador dos Verdolagas, o técnico trabalhava nas categorias de base desde 2013 e teve passagens breves pela equipe principal. Após atuar interinamente em 2018, voltou a assumir o cargo em março de 2022, com a demissão de Alejandro Restrepo – por causa da derrota para o Olimpia na ida das preliminares da Libertadores. Herrera ainda teve momentos instáveis de início, mas conseguiu melhorar o rendimento dos paisas nas etapas finais do Apertura e seria decisivo na conquista do título, para viver o grande momento de sua carreira como treinador.

Já em campo, o Atlético Nacional conta com nomes tarimbados de outros sucessos do clube na década passada. Dorlán Pabón e Jefferson Duque foram titulares no ataque, enquanto saíram do banco Giovanni Moreno, Alexander Mejía e Felipe Aguilar. Outros jogadores rodados também foram adicionados ao grupo, como Yerson Candelo, Emanuel Olivera, Danovis Banguero, Jhon Duque e Andrés Andrade – todos titulares na final e com mais de 30 anos. Entre os mais jovens, vale destacar o goleiro Kevin Mier e o zagueiro Juan Cabal, além do volante Sebastián Gómez e do ponta Daniel Mantilla. Jarlan Barrera não foi titular absoluto, mas acabaria sendo decisivo. É um grupo bastante rodado, sem grandes margens à evolução.

Apesar da falta de títulos no Campeonato Colombiano durante os últimos cinco anos, o Atlético Nacional possui uma boa sequência de participações na Copa Libertadores, mesmo que nas fases preliminares. Desde 2012, o time só se ausentou duas vezes do torneio. Neste momento, já se garante também no certame em 2023. A conquista do Apertura, além do mais, vale uma posição dentro da fase de grupos – o que os Verdolagas não conseguiam desde 2018.

O Atlético Nacional chega a 17 títulos no Campeonato Colombiano com este Apertura. Os Verdolagas se isolam um pouco mais como maiores ganhadores da liga, somando dois troféus a mais que Millonarios e América de Cali. O sucesso do clube neste século é inegável, com dez taças levantadas desde 2005. O jejum atual era exatamente o maior dentro dessa sequência recente e marcava um distanciamento em relação à geração campeã da Libertadores em 2016. Enfim, a torcida em Medellín ganha um novo motivo para sorrir.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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